sexta-feira, 15 de maio de 2015

Vice City Stories - Parte 1


Flórida, EUA. Final dos anos cinquenta. Em alguma cidade do interior do Estado vive a família Vance. Janet Vance, uma jovem mulher branca, de cabelos lisos e castanhos, tem sérios problemas com drogas, principalmente cocaína. Seu marido, já falecido, era um soldado do Exército americano. Ele tinha origens dominicanas, portanto era negro. Desse relacionamento nasceram três filhos: Victor, Lance e Peter. O primeiro, Victor, nasceu em 1956. O segundo, Lance, nasceu dois anos depois, em 1958. E o terceiro, Peter, nasceu três anos depois, em 1961, afetado desde cedo pela asma. Janet, viciada em drogas e sem um companheiro para dividir a criação de seus garotos após a morte de seu marido em combate, deixa seus filhos com sua irmã, Enid Vance, para que fossem criados decentemente e não por uma dependente química naufragando em seu abuso de drogas cada vez maior. Enid cria os três rapazes e toma um certo desprezo por sua irmã Janet, que não abandonara o vício após quase vinte anos.

Quando completa dezoito anos, em 1974, Victor, que se tornou o homem da casa, se alista no Exército local buscando seguir os passos de seu falecido pai. Ele também vê no Exército uma chance de ganhar dinheiro para ajudar sua família, que agora se constituía na tia Enid, Lance, que havia se tornado um completo imbecil irresponsável na adolescência, arrumando várias confusões na escola em que estudava, e Peter, ainda um menino incapaz de se profissionalizar em qualquer área devido ao seu grave problema com asma. Depois de algum tempo no Exército de sua cidade, Victor é transferido para Fort Baxter Air Base, base militar do Exército americano em Vice City, a cidade mais famosa do Estado da Flórida.

Assim como Los Santos, do outro lado do país, Vice City era a cidade dos sonhos para qualquer americano nos anos setenta. Praias, vida noturna agitadíssima e drogas, muitas drogas. Por estar a poucos quilômetros da costa da América Central, vários imigrantes de países como Cuba, Haiti, República Dominicana e México foram viver nas periferias da cidade. E levaram drogas junto com eles. Houve então um contraste na paisagem da cidade, onde se via prédios de luxo e mansões de um lado e bairros extremamente pobres de outro. Nada anormal para uma metrópole moderna.

Dez anos se passaram, o ano era 1984, e Victor Vance continuava como soldado de Vice City, tendo pelo menos alcançado experiência e a confiança de seus superiores diretos: sargento Martínez, um homem com seus trinta e poucos anos, de origem latina e apaixonado pelo lado mais bruto da cidade, ou seja, tráfico de drogas, armas e prostituição. Seu outro superior direto era sargento Peppah, um senhor branco de sessenta e dois anos, linha dura, rígido, o típico americano conservador. Toda vez que os via, o soldado Vance, com seu porte atlético e cabeça raspada, batia continência e pedia permissão para tudo, valorizando seu emprego e o pouco, mas essencial, dinheiro que ganhava para sustentar sua família, que ainda tinha nele a única fonte de renda. 

Numa manhã ensolarada de quinta-feira, o soldado Vance, vestido com o uniforme de treinamento da corporação, chega à sua base militar em um caminhão do Exército vindo de um serviço em outra área da cidade e é recebido pelo sargento Peppah, que o diz que o sargento Martínez gostaria de conversar com ele em sua sala. Vance logo vai à sala de Martínez. Bate continência e diz com a mão sobre os olhos:

 Vic Vance se apresentando, senhor!

Martínez, sentado com os pés sobre sua mesa e fumando um charuto, solta uma gargalhada olhando para o soldado e diz:

 Relaxa, relaxa. Você está bem?

 Sim. Obrigado, sargento! – Vance, ainda em continência, responde firmemente.

 Ótimo! Aqui você pode me chamar de Jerry! – diz Martínez, levemente imitando o tom de voz de Vance.

 Ok... – diz Vance, um pouco surpreso.

Nesta hora, Martínez ri da surpresa do soldado, se levanta e, andando em direção a Vance, diz:

 Então, Vic. Me diga: por que você se alistou? Para se afastar da cadeia, porque você gosta que gritem com você, o que faz com que você limpe suas botas e coloque balas na sua arma na esperança de talvez atirar em alguém, hein? Hahaha!

 Eu tenho uma família complicada. Tenho responsabilidades... – diz Vance, finalmente saindo de sua continência.

 O que? Filhos? Uma garota fazendo merda? – pergunta Martínez, se sentando novamente.

 Não, irmãos. Um é bem doente, tem asma e eu tenho que pagar as contas. O outro, bem, talvez seja doente também, mas de outra maneira. Minha mãe é louca... – responde Vance.

 Então você entrou no Exército para ficar rico? – Martínez pergunta ironicamente.

 Não exatamente. Mas, sabe, meu pai veio para cá da República Dominicana, então não tivemos muitas oportunidades. O que mais eu poderia fazer? Por que você se alistou? – pergunta Vance.

 Para ficar rico! Hahaha! – grita Martínez, com as mãos para o alto.

 Por que você está brincando comigo, sargento? – Vance se incomoda.

 Não estou, relaxa. Senta aí! – diz Martínez, ainda rindo, quando se ajeita na cadeira e fala sério  – Olha, Vic, há várias oportunidades para o cara que conhece o jogo de ganhar um dinheiro de verdade, então...

 Eu não quero nenhum problema, cara! – Vance interrompe, agora sentado.

 Quem quer problemas? Ninguém! Todo mundo quer relaxar. Sem problemas. E há muito dinheiro para se ganhar. Bem fácil... – Martínez diz suavemente, tentando seduzir Vance.

 Escuta, eu acho que isso não é para mim. Então, se não tem nada mais... – Vance se levanta da cadeira e dá as costas para o sargento, indo embora.

 Ei, relaxa. Qual é, Vic? Eu preciso de um favor. Sem riscos... – diz Martínez.

 Então para que você precisa de mim se não há riscos? – pergunta Vance, se virando para Martínez novamente.

 Porque eu tenho coisas para fazer... – responde ironicamente Martínez – Além disso, você estará de folga por alguns dias. Então escuta: você pega minha moto, vai até o aeroporto e pega um pacote para mim, ok?

 Ok, apenas esse favor e mais nada! – Vance cede, suspirando e indo embora.

 Ótimo! – diz Martínez, novamente colocando os pés sobre sua mesa.

Antes de sair, Vance, num ato humilde, bate continência para Martínez, o que o arranca gargalhadas. Quando a tarde chega, o sargento encontra Vance atrás de sua sala, do lado de fora do barracão, ao lado de sua moto, e explica:

 Se os planos mudarem, eu te aviso. Pegue isso... – Martínez entrega um objeto eletrônico na mão de Vance.

 O que é isso? – pergunta Vance, confuso.

 É um pager, seu brutamontes. Bem vindo aos anos oitenta, Vic! – diz Martínez, novamente com sua ironia.

Vance dá partida na moto branca de Martínez e vai até o Escobar International Airport, o aeroporto da cidade, que fica ao lado da base militar. Chegando lá, entra na pista de pouso após se apresentar como soldado, e para a moto perto de um jatinho aberto onde um homem com sotaque latino e terno azul bebê o aguardava.

 Ei, menino do Exército! Jerry te mandou! – grita o homem por causa do barulho do motor do pequeno avião ao seu lado.

 Jerry? Ah, sargento Martínez. Claro... – diz Vance.

 Hahaha, venha comigo, soldado. Eu tenho uma coisa para o seu chefe! – diz o homem latino caminhando com Vance até um píer ao lado da pista de pouso, onde há um iate com duas mulheres de biquíni, uma tomando sol e outra acenando para os dois.

 Cara, a vida tem sido boa com você! – diz Vance, impressionado.

 Sim, vamos dar uma volta... – diz o latino.

O homem latino liga seu iate e zarpa do píer com Vance a bordo e diz gritando por causa do barulho do motor, agora de seu barco, enquanto entrega um pacote para Vance:

 Aqui está o do Jerry! Diga a ele que pego minha parte da próxima vez! Vice City está ficando muy peligroso para nós, freelancers.

Nessa hora, duas lanchas se aproximam do iate, cada uma com um homem vestido de preto. O homem latino ao ver a aproximação diz:

 Falando nisso, nós temos companhia. Pega essa arma e mata eles!

No tiroteio, o iate onde Vance está começa a pegar fogo e seu dono grita:

 Abandonar navio!

Assim que todos pulam no mar, o iate explode. Vance nada lado a lado com o homem latino até a costa recebendo tiros dos homens das lanchas, todos passando muito perto, mas nenhum o acertando. Vance consegue escapar ao subir correndo para a rua, já o latino ninguém sabe. Quando chega à rua, Vance percebe que está em frente à base militar, então se apressa para adentrá-la. Pouco antes de cruzar o portão, ele recebe uma mensagem em seu pager. A mensagem é de Martínez e diz: “Guarde meu ‘bagulho’ no seu barracão, cara...”.

O barracão era o dormitório de Vance, onde existiam várias camas enfileiradas e alguns armários. Também havia uma pistola em cima de um criado-mudo com alguns pentes de munição para alguma emergência. Assim que chegou em sua cama, Vance percebeu cinquenta dólares embaixo de seu travesseiro. Era a recompensa pelo favor a Martínez.

No dia seguinte, Martínez falava em seu celular com alguém quando Vance entrou correndo em sua sala.

 Ah, olha, a cavalaria chegou. Ok, tchau! – diz Martínez, interrompendo a ligação enquanto Vance esperava nervosamente andando em círculos – Soldado! O que posso fazer por você?

 Escuta, Jerry. Você tem que se desfazer daquele bagulho. Isso está me deixando nervoso! Eu não mexo com drogas e eu... – diz Vance, sendo interrompido pelo sargento.

 Fica calmo nesse caralho, meu amigo! Você é que está me deixando nervoso. Além do mais, quem vai arrumar problema para você? Eu sou o seu superior. E você me disse que precisava do dinheiro... – Martínez diz.

 Eu preciso do dinheiro... – diz Vance.

 Aham. Mas você não gosta de drogas... – diz Martínez, irônico como sempre.

 Eu acho que elas não são um bom cenário... – diz Vance.

 Eu também acho. Mas você gosta de armas, né? Acho que elas não te dão um problema moral... – diz Martínez.

 Não... – responde Vance.

 Bom, porque eu conheço um cara que pode vender todas as armas que nós dermos para ele. E é, confie em mim, bastante coisa... – diz Martínez.

 Eu não sei, sargento. Isso está ficando pesado... – diz Vance, balançando a cabeça negativamente.

 Você vai ganhar uma pilha de dinheiro por nada. Vai comprar um monte de doces para esse seu irmão doente... – diz Martínez.

 O que eu tenho que fazer? – novamente Vance cede, meio decepcionado.

Nesse momento, Martínez cheira uma carreira de cocaína que secretamente estava preparando em sua mesa. Vance se vira, em negação. Sob o estado da droga, Martínez diz:

 Nada. Só vai lá e pegue o dinheiro para mim. Ele está perto do porto.

Vance se vira para sair quando é perguntado por Martínez se queria um pouco da cocaína. O sargento é ignorado e ri. E cheira outra carreira. O soldado pega a moto do sargento e vai até próximo ao porto de Vice City, onde acha um armazém de prática de tiros, e logo deduz que deveria ser ali o lugar que Martínez o mandou ir. Quando entra, há vários homens praticando tiros com pistolas e um homem de quarenta e poucos anos, loiro, baixo, um pouco gordo e com um grande bigode praticando com um rifle. Vance se aproxima do homem loiro que, quando o vê, para de atirar e diz com uma voz grave:

 Você deve ser o Vic. Jerry me falou sobre você. Eu costumava participar do Exército...

 Sim, escuta. Ele disse que você teria um dinheiro para mim... – diz Vance.

 Claro, claro. Só que eu não sou um banco, não tenho esse dinheiro em mim. Mas vou te levar até ele... – disse o homem loiro, ainda com seu rifle na mão.

Vance seguiu o homem loiro até uma antiga caminhonete bege estacionada do lado de fora do armazém. Eles entram no carro e Vance pergunta o nome do homem com quem estava e descobre que seu nome é Phil. Ele leva Vance a uma das orlas de Vice City, em um bairro chamado Viceport, cheio de coqueiros e gramados, bem próximo ao porto. Eles param em frente a uma casa que possuía uma garagem aberta e uma escada que levava a um apartamento. Ali havia vários membros da gangue mexicana Cholos fazendo uma festa, com dois carros estacionados na garagem e algumas mulheres.

 Eu estou tendo uns problemas com alguns Cholos... – diz Phil, olhando para os mexicanos do outro lado da rua.

 Que porra é um Cholo? – pergunta Vance.

 Uma gangue mexicana. Bad boys, querendo pegar todas as armas da cidade... – diz Phil.

 Olha, onde está o dinheiro, Phil? – corta Vance, aparentemente sem paciência.

 Sim, é engraçado. Ele está embaixo do piso da minha antiga casa. Mas os Cholos invadiram e agora não consigo entrar mais... – diz Phil, meio sem graça.

 Deixa que eu pego. Te vejo por aí! – diz Vance, confiante.

Phil entra em sua caminhonete, possivelmente envergonhado pela situação, e vai embora. Vance atravessa a rua e, com uma pistola em mãos, aquela que ficava em seu criado-mudo, atira em vários Cholos que estavam em frente à casa. Eles só tinham tacos de baseball como arma, o que deixou a missão bem mais fácil. Quando entrou na casa, havia dois Cholos, um cheirando cocaína em uma mesa e outro sentado sobre um colchão no cômodo vazio com paredes pichadas. Vance deu cabo dos dois com apenas dois tiros, um para cada. Então arrancou uma parte do piso do minúsculo apartamento e pegou o dinheiro que Phil havia guardado em um pacote. Logo seguiu para a base militar através do transporte coletivo da cidade e no caminho ligou para sua tia Enid para passar o número de seu novo pager, caso ela necessitasse falar com ele. Não abriu o pacote até entregar a Martínez em sua sala naquela noite, recebendo cem dólares como recompensa. Sua tia Enid logo enviou uma mensagem onde dizia “Não vá se meter em nenhuma confusão, Victor. Estamos contando com você. Lance mandou um oi”. Vance ficou feliz com a mensagem, mas ao mesmo tempo preocupado com os rumos que as coisas tomavam para ele.

15 comentários:

  1. Muito boa a história já fique sabendo que estarei acompanhando suas postagens aqui

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    1. Vlw velho, sempre vai rolar postagens, sempre apareça por aí que a historia vai ter se desenrolado um pouco mais!

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    1. Vlw velho, Funky é brother, o melhor canal da internet para o projeto ter sido divulgado :)

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    2. sem dúvidas que irei acompanhar até o fim essas belas histórias ;D

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  3. Excelente historia, tbm vim pelo Funky e sou grande fã da franquia GTA, nunca tive psp pra jogar VC Stories e sempre quis saber a historia. Vlw pelo trabalho

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  4. mt bom tbm vim pelo Funky e ja joguei esse GTA mas estava em Ingles vai ser mt interessante

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  5. Muito boa a história e texto excelente, sempre quis ler uma coisa assim com a história de todos os GTAs por ordem cronológicas. Eu não conhecia a história de GTA Vice City Stories e vim parar aqui pela série de GTA III do Funky. Aliás vou salvar na minha barra de favoritos para não esquecer kkkk.

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  6. Felipe gostei muito da sua iniciativa, mas gostaria de pedir que assim que vc termina com o arco do VCS, disponibilize todas as partes juntas em formato de pdf, para assim nós todos podemos apreciar a sua obra como verdadeiro livro nos nosso smartphones e tablets

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    1. Boa ideia, cara. Com certeza farei isso. Vlw pela dica!

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    2. Alem de ser mais facil da gente divulgar seu trabalho

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  7. Sensacional a iniciativa, acompanharei até o fim. Ler é sempre bom e logo sobre o enredo do GTA melhor ainda! E eu vim pelo Funky huahuahuahua Sucesso cara!

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  8. Incrivel como você teve essa ideia de transforma a Serie GTA em historia mais detalhadas

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