sexta-feira, 15 de maio de 2015

Vice City Stories - Parte 2


O sol já estava para se pôr às seis da tarde daquele sábado, quando Vance decidiu ir até a sala de Martínez o cobrar sobre o pacote que havia sido mandado deixar guardado em seu quarto. Quando estava chegando à sala do sargento, Vance ouvia gemidos e relinchos e ficou curioso para saber de onde vinham aqueles sons estranhos naquele ambiente. Quando entrou na sala, viu Martínez assistindo a um filme pornô em uma televisão. E bem alto.

 Ei, Victor Vance! – gritou Martínez ao ver seu soldado preferido – Uau, ninguém nunca te disse que você tem um nome bem imbecil?

 Não, ninguém nunca mencionou isso antes... – diz um sério Vance.

 Meu Deus! Olha isso! – grita Martínez apontando para a televisão – Isso é legal? Animais podem dar consentimento?

 Eu não sei! Ouça, Jerry, você não pode esconder aquela erva em outro lugar? – pergunta Vance, tentando falar sério naquele ambiente bizarro.

 Erva? Que erva? – Martínez fica sério e finge não saber do que se trata, mas logo depois solta uma gargalhada – Hahaha! Estou zoando com você, qual é! Se divirta, rock and roll! Você não consegue relaxar, meu amigo!?

 Olha só, eu não sou nenhum idiota que você pode... – Vance diz, mas é interrompido por Martínez.

 Nunca te chamei de idiota! EI, SILÊNCIO! Olha isso! – Martínez aponta para a televisão que produz gemidos, relinchos e barulhos estranhos – Nooooossa, agora ela tem um porco e um cavalo! Hehehe!

Vance olha e não dá a mínima.

 Essa é Candy Suxxx! Hehehe! É a filha de alguém, cara! – rindo, diz Martínez a Vance.

 Escuta, Jerry! – Vance tenta novamente chamar a atenção de Martínez, mas é novamente interrompido.

 Não, você escuta! Olha isso, cara. Eu preciso dormir com alguém! – Martínez diz com a mão no saco, o que faz Vance virar as costas para a cena – Ei, se você não for muito quadrado, eu durmo com você, hein! Hahaha! É uma piada, qual é! Aqui é o Exército e não a Marinha! Hahaha!

Vendo o senso de humor nulo de Vance, Martínez fica meio sem graça e diz:

 Cara, eu preciso de uma garota. Oh! Preciso de Mary! Mary, isso aí! “Minha querida Mary”! Hahaha! Qual é, cara! Eu preciso de um favor.

 Eu preciso que você pegue sua maconha, cara! – Vance explode.

 Claro, eu vou pegar ela lá no seu quarto e você vai pegar Mary para mim, ok? Ela está lá por Viceport... – Martínez senta em sua cadeira, voltando suas atenções para o filme pornô novamente – Ah, e vá ver Phil também, ele disse algo sobre um presente para você.

 Não confio em você, Martínez... – diz Vance, apontando o dedo para seu sargento.

 Ei, esse não é um jeito apropriado de falar com o seu superior! – Martínez se levanta e fala sério, o que, lógico, não dura mais do que alguns segundos – Hahaha! Agora vai lá!

 O pacote está embaixo da minha cama! – diz Vance, saindo da sala.

 Oh, ótimo lugar para esconder! Você tem quantos anos? Quinze? Se apresse. Ah, fale para Mary que eu amo ela! – diz Martínez.

 Idiota do caralho! – Vance fala para si mesmo quando atravessa a porta.

Vance pega um ônibus próximo ao aeroporto e vai até o pequeno apartamento de Phil, onde havia matado dois Cholos na tarde anterior. Já é noite. Chegando à garagem, Vance avista Phil ao lado de um carro conversível vermelho.

 Ei, Vic! Como é que tá? Martínez quis que eu desse isso para você! Não se preocupe, ele não deixou rastros... – diz Phil, apontando para o conversível.

 Não me preocupar? Cara, eu estou me aprofundando demais nessa merda! – diz Vance, preocupado, abaixando a cabeça em negação.

Phil não diz nada, apenas bate a mão no ombro de Vance e vai andando para seu apartamento. O soldado entra no carro e sai procurando a prostituta que Martínez queria. Não demora muito e ele avista uma loira de biquíni e botas brancas. Vance para o carro na frente da moça e pergunta:

 Você conhece Mary?

 Se você quiser Mary, ela está numa festa lá em Starfish. Eu estou indo para lá, se você quiser me dar uma carona... – se oferece a garota, já entrando no carro de Vance.

Vance contorna o carro e faz seu caminho pela orla até encontrar a ponte à direita para Starfish Island, um bairro nobilíssimo em cima de uma pequena ilha.  No bairro há apenas trinta e três habitantes, todos residentes de mansões grandiosas, incluindo celebridades e barões do tráfico de drogas. Era em uma dessas mansões que Mary estava. A festa era feita na área da piscina e havia vários carros esportivos estacionados na garagem, que não tinha portões, sendo a saída para a rua totalmente aberta, assim como todas as outras casas do local. Enquanto caminhava com a prostituta loira pelo pátio da mansão, Vance ouvia da mulher:

 Obrigada pela carona, bonitão. Quem sabe eu não te pago de alguma forma mais tarde?

 Apenas preciso encontrar Mary! – Vance não entrou na conversa.

 Claro, ela está bem ali – disse a mulher, decepcionada, mas não muito.

 Você é a Mary? – Vance pergunta a uma morena com traços latinos de minissaia preta e blusa vermelha no meio de dois caras de terno – Vamos embora!

 Ei, nós pagamos por ela! Ela não vai a lugar nenhum! – um dos ricaços de terno colorido que a moça “acompanhava” se revolta.

 Isso é um fato? – Vance sarcasticamente pergunta.

 Claro que é, merda! Vamos lá, vamos pegar esse Zé Ninguém e ensinar uma lição para essa vadia também! – um ricaço convocou os outros.

A confusão começa e todos partem para cima de todos, homens e mulheres. Vance se concentra em pegar exatamente o machão que iniciou a briga e dá uma bela de uma surra no milionário, o deixando estirado no chão. Logo depois vê que Mary estava sendo agredida por outro homem da festa e acaba com o segundo da noite, desta vez chegando por trás e quebrando seu pescoço num “mata-leão” fatal. As outras pessoas se assustam e saem correndo, inclusive a loira que Vance buscou antes de chegar à ilha. Tudo estava calmo e o soldado leva Mary até seu conversível.

 Pega leve, fortão. Eu tive uma disposição muito delicada... – diz Mary, colocando seu cinto de segurança.

Enquanto dirigia para a base militar, Vance olha para seu relógio, que marcava dez da noite. Pensou que não haveria tanto perigo de entrar com uma estranha em um local destinado apenas a militares naquele horário, pois, normalmente, todos estariam dormindo. Mas ele se enganou. Quando o portão da base se abriu para o carro de Vance passar, o sargento Peppah estava esperando o soldado chegar ao lado da cancela.

 Soldado Vance! Você se importaria de explicar o motivo de haver maconha escondida embaixo da sua cama? E quem é essa demônia? – perguntou o sargento, indo em direção à porta do motorista e olhando para Mary.

Nesse momento, Mary se sente ofendida, abre a porta do carro e diz:

 Ei, amigo, escuta. Eu cobro mais caro por grupal...

 Você trouxe uma puta para dentro da base!? Você não tem vergonha, garoto? Você é um idiota? É isso? – gritou, indignado, o sargento, mandando dois soldados apontarem seus rifles para o carro – DROGAS! PUTAS! Você está fora, soldado! Você é uma desgraça!

Vance deixa o carro onde parou e é escoltado até seu quarto para pegar suas coisas e ser expulso do Exército. Ele assina um termo de expulsão na sala do sargento Peppah, troca de roupa e às duas da manhã de domingo sai pelo portão da base militar com uma calça jeans, camisa pólo azul e um tênis branco, as únicas peças de roupa que tinha no momento. Mary também foi expulsa da base, mas não sem antes pagar uma “multa” diretamente aos soldados de Vice City.

O rapaz negro de vinte e oito anos não era mais o soldado Vance. Agora era apenas Victor, ou Vic, para os mais próximos. Toda a experiência e moral com a corporação que Vic havia reunido por dez anos no Exército não valiam mais de nada. Tudo por causa de Martínez. Agora Vic estava no olho da rua, sem uma casa, sem nada.

Assim que deixou a base do Exército, Vic recebeu uma mensagem em seu pager. Era Phil, que dizia: “Tenho trabalho para você – e um lugar para você ficar, se precisar...”. Ao mesmo tempo em que ficou aliviado com a mensagem, Vic também desconfiou do timing da situação. Parecia que Phil estava a par do que acontecia na base e só estava esperando Vic sair para enviar a mensagem. Mas Vic não tinha escolha e, como o serviço de transporte coletivo já havia encerrado as atividades naquela noite, foi a pé até Viceport, na casa de Phil. Chegou lá às cinco, cansado da longa caminhada. A casa estava aberta, pois não havia nada dentro mesmo. Na pequena mesa do apartamento havia um bilhete com duas chaves em cima que dizia: “Você pode usar a casa. Se quiser guardar algum carro na garagem, fique à vontade. Essas são as chaves da porta e da garagem. Do seu amigo, Phil”. Quando leu a última frase, Vic pensou que realmente havia encontrado um amigo na cidade, mas que não deveria baixar a guarda em nenhum momento.

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