terça-feira, 19 de maio de 2015

Vice City Stories - Parte 5



Assim que acordou, Vic foi até Phil. Quando chegou lá, teve uma surpresa desagradável: sargento Martínez estava fumando um baseado com o bêbado, os dois sentados em caixotes.

 Ei, olha só quem apareceu! Victor Vance! O que está rolando, amigo? Quer fumar um pouco? – perguntou, sorrindo, Martínez.

 Vai se foder, Martínez! – Vic responde.

 Relaxa, você é histérico para caralho! Parece quando eu saio com alguma vadia menstruada... – diz o irônico sargento.

 Você quer que eu te foda inteiro? – ameaça Vic.

 Tanto faz, querido. O que importa é que você trabalha para o Phil. E Phil? Phil trabalha para mim, o que faz de você a puta da minha puta. Pense nisso... – alerta Martínez.

 Cara, essa merda está pesada! – diz Phil, tossindo ao passar o baseado para Martínez, que se levanta.

 Então, é melhor você abaixar a bola se quiser ser pago, hein... – diz Martínez a Vic – Porque se você não for pago, quem vai cuidar do seu irmão doente? Hahaha!

 Vai se foder! – Vic vai para cima de Martínez com o dedo em riste.

 Ei, troca o disco, querido. “Vai se foder, vai se foder, vai se foder...”. O que você esperava que eu fizesse? – pergunta o ácido sargento – Eu não te ferrei para me divertir. Eu estava me salvando, e você deveria fazer o mesmo. Não ficar fingindo o contrário.

 Eu tinha uma carreira! – grita Vic, olhando nos olhos de seu ex-superior.

 E daí? Você foi chutado do Exército. Grande coisa... – desdenha Martínez, que sai do armazém dizendo – Ei, eu falei para o Phil sobre algumas armas que eu consigo vender se você consegui-las para mim. Phil, não fume muito essa merda, vai te fazer ficar viajando, paranoico.

– Claro, até mais, Jerry. Vamos lá, Vic. Isso deve silenciar qualquer babaca que estiver me seguindo! – diz Phil, mostrando uma submetralhadora. Quando chegam ao carro de Phil, ele diz – Vamos precisar de apoio, Vic. Eu conheço uns caras que podem ajudar.

Vic entra na caminhonete de Phil e pergunta para onde eles iriam. A resposta é sobre um hotel. Assim que a caminhonete, dirigida por Vic, ultrapassa o porto, Phil começa a dar sinais sobre o efeito do cigarro que fumou com Martínez:

 Estamos sendo seguidos? É melhor não estarmos sendo seguidos. Senão estouro os miolos desses vagabundos!

 – Relaxa, cara! Não tem ninguém seguindo a gente! – Vic já explode, sem paciência.

O hotel se chamava Beachcomber e ficava ao lado do escritório de Marty. Ao chegarem à cancela, Phil grita para dois homens vestidos com roupas de gangue entrarem na caminhonete, prometendo dinheiro. Logo os dois pulam na carroceria.

 São caras bons, Vic. Apenas um pouco quietos. Talvez eu não devesse confiar neles... – Phil diz.

Vic então acelera o carro em direção à praia para encontrar um caminhão que transportava armas para a base militar que ele frequentava.  Logo avistam o caminhão. Os dois homens, sentados na carroceria da caminhonete de Phil, já se preparam para um drive-by. Vic chega ao lado do caminhão e o tiroteio começa, não só partindo da caminhonete de Phil, mas há uma grande resposta de dois homens armados no caminhão. A batalha se estende até poucos metros. Os dois homens do caminhão são baleados e Vic intercepta o veículo, parando em sua frente. Os dois capangas de Phil metralham o motorista do caminhão sem dó.

 Vou levar esse caminhão lá para a minha casa. Se alguém me seguir, mandem eles para o inferno! – diz Phil, entre arrotos.

Phil desce da caminhonete e sobe no caminhão para levá-lo até o estacionamento de sua sala de tiros (e apartamento). Vic então começa a fazer a escolta, acelerando a caminhonete logo atrás do caminhão, com os dois capangas preparados para qualquer perturbação.  O que não demora muito a acontecer, pois vários carros de passeio surgem em alta velocidade querendo interceptar o caminhão, talvez fosse outra gangue querendo o mesmo que Phil e Martínez. Os capangas de Phil novamente metralham sem dó os carros e seus passageiros. Phil chega com o caminhão em seu estacionamento e paga trezentos dólares a Vic. Para os dois capangas, o valor de cem dólares para cada foi o suficiente. Vic então vai para casa a pé e os capangas somem pelo porto, talvez procurando algum outro serviço. 

Assim que chega em casa, Vic recebe uma mensagem em seu pager. Era seu irmão Lance: “E aí, mano! Tia Enid está me deixando louco! Posso me juntar a você? Vamos dominar essa cidade em dupla!”. Um pavor tomou conta de Vic. A última coisa que ele queria ao seu lado era seu irmão problemático, mas tudo estava se desenhando para isso acontecer.

À noite, Vic fez seu caminho até o trailer de Marty, que agora estava sozinho e totalmente focado em seu negócio. Ele estava saindo de seu trailer a mil por hora em direção a sua caminhonete quando avistou Vic:

 Parece que nós temos competidores...

 Como assim? – Vic pergunta.

 Esses merdas dos Cholos estão tentando tomar meu negócio de reposse a força. Está na hora de enviar uma mensagem a eles! – diz Marty, que abre a porta de sua caminhonete e mostra algo para Vic.

 Granadas?! – Vic se espanta.

 Apenas quero ter certeza de que eles irão ouvir o que eu tenho a dizer! – Marty diz, com um sorriso maquiavélico em seu rosto.

O trabalho era de Vic. Marty era um chefe de gangue, não podia se expor assim. Sabia que um cara com conhecimento de táticas militares poderia manter seus negócios intactos por certo preço.  Vic então entra na caminhonete de Marty e sai pela noite procurando vans de Cholos para explodir com as granadas, que perigosamente estavam aos montes no banco do carona. Ele logo encontra uma van estacionada com dois Cholos a escoltando, viu que não dava para chegar perto. Então estaciona a caminhonete ao lado de uma loja, a uns cinquenta metros do local. Pega uma granada do banco e a joga na van. O arremesso é certeiro: a van se transforma em uma grande bola de fogo com a explosão, o que mata os dois Cholos instantaneamente. Vic se apressa para entrar na caminhonete e sai dirigindo, passando em frente ao incêndio. O que ele não sabia era que havia um terceiro Cholo que estava dentro de uma loja, do outro lado da rua, e que não se feriu. Assim que Vic passou com a caminhonete em frente à loja, o Cholo sobrevivente, que se chamava Carlos e que teria um papel importante em um futuro bem próximo, abriu fogo com uma submetralhadora contra o carro, fazendo o motor se incendiar e Vic dirigir abaixado. Mesmo assim, Vic conseguiu ver outra van escoltada por Cholos logo na rua a frente. Ele não precisaria arremessar granadas desta vez. Apenas acelerou o máximo que pôde e jogou a caminhonete em chamas em cima da van protegida pela gangue. A segunda explosão foi maior do que a primeira, mas muito maior, pois havia dois carros explodindo desta vez, um deles lotado de granadas.

Vic pulou da caminhonete segundos antes da imensa explosão, mas mesmo assim ficou próximo ao fogo e teve várias queimaduras. Mas a ideia de desistir jamais passou por sua cabeça. Ele viu que havia mais uma van estacionada no fim da rua em que estava, e estava decidido a acabar o que havia começado. Vic rouba um carro que estava passando na rua, agindo com extrema violência com o motorista, causada pela agitação do momento e a ardência de seus ferimentos, batendo a cabeça do homem no painel e o jogando bem perto do fogo que dominava a rua. Ele sai em disparada com o carro roubado em direção a outra van, vendo no retrovisor que agora o perseguiam dois carros com vários Cholos sentados sobre as janelas com metralhadoras em mãos e uma viatura da polícia logo atrás. A situação a seguir foi simplesmente caótica: Vic, agora sem granadas e armas, acelera em direção a van, que estava sem escolta dessa vez. A rajada de tiros dos Cholos começa logo atrás, atingindo o carro de Vic e, principalmente, a van estacionada. Essa era a ideia. Vic dirigia abaixado e logo quando bateria na van, desvia bruscamente seu carro à direita, fazendo os próprios Cholos metralharem a própria van, que já começa a se incendiar (seu interior estava cheio de tintas e verniz para pintura, produtos altamente inflamáveis), e baterem de frente, causando outra enorme explosão. O segundo carro dos Cholos também se incendeia rapidamente, pois estava muito perto e quase que instantaneamente explode, jogando seus quatro ocupantes para os ares.

E Vic? Ele já estava a vários metros de distância do caos, indo em direção a sua casa com o carro roubado todo metralhado na traseira. A polícia não conseguiu segui-lo, pois a viatura ficou bloqueada pelo fogo intenso em que a rua se transformou. Dentro do carro, muito ferido, Vic pensou em tudo que estava passando e lembrou-se da mensagem de seu irmão Lance. Imaginou por alguns segundos que talvez possuir um parceiro poderia facilitar as coisas. Mas o parceiro seria Lance, e isso estava totalmente fora de questão. Ele chegou em casa e guardou o carro roubado na garagem rapidamente. Subiu as escadas e foi direto para o banho, quase chorando de dor com as queimaduras, graves, mas não ao ponto de ter que ir a algum hospital para curá-las, que ardiam ao toque da água gelada. Vic cobriu seus braços com várias camisas para amenizar a ardência e tentou dormir com a agonia, o que não foi fácil. Do mesmo jeito que não foi fácil acordar na manhã seguinte e ver cinco notas de cem dólares embaixo de sua porta e um papel com um recado: “Eu te daria o dobro, mas você chamou atenção demais. Quer dizer, você chamou atenção da cidade inteira. Melhore seus serviços se quiser ganhar mais dinheiro”. Vic se enfureceu com o pouco dinheiro enviado por Marty. Foi para a rua e comprou um jornal de um garoto que passava em frente à sua casa. A capa do jornal era inteiramente sobre o caos que Vic havia causado na noite anterior. Seu nome e seu rosto agora eram conhecidos pelo lado negro da cidade, mas ainda não pela polícia.

Ainda ferido, Vic anda até o trailer de Marty. Estava disposto a reclamar da situação que ele havia sido exposto e da mísera quantia em dinheiro que havia recebido em troca. Mas quando chegou ao trailer de Marty, Vic já foi escutando, sem tempo de abrir a boca:

 Está na hora de diversificar meus negócios, Vince!

 É Vic! – responde Vic.

 Que seja! Vamos mergulhar na prostituição. Vamos pegar uns lugares! Assim que estivermos dentro do negócio, é hora da festa! Nossa, garoto! Vou me fazer uma ferida que vou precisar ficar coçando o dia inteiro! Você não vai ficar com vergonha, vou te jogar um ossinho! – diz Marty, empolgado com a possibilidade.

 Obrigado. Não preciso que você fique jogando osso para mim... – Vic diz, sério.

 Então vai até esse lugar e limpa tudo lá, Vince! – Marty entrega um papel com dois endereços para Vic.

Vic vê vários carros novos ao lado da casa de Marty, que estavam ali para substituir sua caminhonete destruída. Ele escolhe o carro mais esportivo. O primeiro endereço era de uma loja de armas. Seu dono era um senhor chamado Stonewall J., que era um associado da Trailer Park Mafia. Seu nome era em homenagem ao general da Guerra Civil Americana, Stonewall Jackson. Chegando lá, Vic descobre que Marty já havia deixado comprada uma garrucha para ser levada.

Assim que Vic volta para o carro, coloca a garrucha no banco do carona e liga a rádio, a programação musical da Emotion 98.3, sua estação preferida, é interrompida pela central de jornalismo:

“Notícias urgentes: Cidadãos de Little Havana e Little Haiti foram dormir com uma brutal briga de gangues pelos bairros. A polícia insiste que a violência foi gerada pelas gangues e diz que um assassino solitário foi responsável por esses ataques. Mais informações mais tarde na VNN!”

Vic sabia que sua identidade ainda estava escondida, mas por pouco, o que o fez ter mais cuidado com suas ações. Ele então faz seu caminho até um prostíbulo que constava no segundo endereço do papel de Marty. Estaciona seu carro em frente ao prédio, pega sua garrucha e começa a atirar no vidro dianteiro de um carro típico dos Cholos que estava estacionado ao seu lado. Foram necessários três tiros para vários Cholos aparecerem e partirem para cima de Vic, mas estavam desarmados. Como sempre, Vic mata todos sem piedade. Dentro do prédio, a mesma coisa. Cholos no chão faziam fila. Vic diz para as prostitutas que agora elas teriam um novo cafetão e envia uma mensagem pelo pager para Marty dizendo que já havia terminado. Em poucos minutos, vários homens da gangue do caipira chegam ao local para fazer a segurança do novo estabelecimento da Trailer Park Mafia.

Serviço feito, Vic vai embora com o carro de Marty e chega aos trailers. Recebe setecentos dólares de um dos capangas do chefe, que estava no momento em seu escritório. Vic ri raivosamente, pois o valor pago por esse ridículo trabalho havia sido maior do que ele havia recebido para explodir dois bairros e ter seu rosto marcado pelos Cholos. Ele viu aquilo como uma ofensa e definitivamente decidiu que já estava farto de trabalhar para Marty. Mas ainda não tinha outra opção de arrecadar dinheiro. Tudo ficaria como estava por mais alguns dias. No crime organizado, essa não é uma boa combinação.

7 comentários:

  1. as postagens terão um dia certo pra sair

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  2. Tá ficando bom, cara, tô gostando muito!

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  3. muito bom texto, vim pelo video do Funky

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  4. Ótimo trabalho Felipe, você realmente escreve muito bem, e quem realmente jogou este e os outros jogos vai sentir que você estudou muito sobre eles pra fazer este "livro".
    Espero que você seja reconhecido por isso , boa sorte!!

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