terça-feira, 16 de junho de 2015

Vice City Stories - Parte 10


Pela manhã, Vic ouve a rádio dentro de seu carro, procurando relaxar um pouco. A notícia sobre o assalto no King Knuts fala sobre dois homens e não três. A polícia realmente considerou Vic e Lance como os assaltantes. Isso não incomoda o ex-militar. Ser negro sempre foi ser culpado naquele país racista de 1984. Talvez uma das únicas formas de ganhar dinheiro fácil em sua condição fosse entrar no crime mesmo. Toda a aventura de Lance começou a ganhar crédito na cabeça de Vic.

Por falar em Lance, durante a madrugada ele enviou uma mensagem no pager de seu irmão: “Já entreguei o carro, mano. Vejo você na casa do Forbes”, enviando logo depois o endereço. Mas Vic achou melhor não ir correndo ao encontro de seu irmão e seu novo parceiro. Não queria mostrar necessidade daquilo. Preferiu ir ver como estava Umberto após a polícia ter feito uma investigação especial sobre sua gangue.

 Você tem um pouco de cubana em você? Parece que você tem um pouco de cubana em você, dona... – Umberto está em sua casa tentando seduzir uma mulher de aproximadamente cinquenta anos, vestida socialmente, sentada no sofá, analisando uma papelada.

 Não... Eu sou de Ohio... – a mulher diz.

 Hehehe. Você quer um ter um pouco de cubano em você, dona? – Umberto maliciosamente pergunta.

 Não. Como eu te disse, eu sou lésbica e estou em uma jornada compromissada com minha parceira de vida... – a mulher responde enfática – Agora, senhor Robina, sobre a aposentadoria do seu pai...

 Ah, tanto faz, cara... – Umberto interrompe a mulher e vê Vic entrando em sua sala – Vic! Te digo que essa vadia está louca por mim, consegue sentir isso?

 Ela está enlouquecendo... – Vic diz, ironicamente, ao ver a senhora concentrada em seus documentos.

 Sempre a mesma coisa, haha. Escuta, nós temos um problema... – Umberto desconversa – Seu amigo Jerry. Ele está causando todo tipo de problema.

 Martínez? Que merda! – Vic havia esquecido um pouco desse problema em sua vida.

 Senhor Robina, tenho que te lembrar que sou uma mulher muito ocupada... – a advogada interrompe a conversa.

 Ei, baby, hehe. Mira, escuta. Você fica com essa bunda aí, ok? Tenho um assunto de homem bem sério para tratar com o meu amigo. Por que você não se senta e relaxa? Não se preocupe, eu vou voltar com um grande chorizo... Err, você tem alguma amiga para o meu amigo? Ele é um pouco tímido... – diz Umberto se aproximando, até sentar ao lado da mulher.

 Ai, meu Deus... – a mulher suspira em negação.

 Ah, foda-se! Vic, vamos embora! – Umberto se irrita.

Ao saírem da casa, Umberto diz a Vic que alguns Cholos estavam incomodando e que era necessário mostrar a eles o que era ser homem e recuperar as ruas em domínio pelos mexicanos. Trabalho fácil para Vic. Umberto diz que não pode ir por ter uma vadia esperando por ele em sua sala. Vic percebeu que Umberto quer a ação, mas não gosta muito de estar nela. Tudo bem. Vic gostava de estar no meio pelos dois. Ele entra em um carro dirigido por Cabrones e sai à procura de Cholos causando desordem. Logo a frente, já há um carro em chamas no meio de uma rua de Little Havana. Um insulto. Drive-by nos Cholos. Mas havia mais para serem eliminados. Na rua de cima, mais um carro incendiado. Dessa vez os mexicanos viram os cubanos chegando e fugiram de carro. Não adiantou muito, pois logo foram alcançados e morreram metralhados. Mexer com cubanos era praticamente um caminho sem volta, principalmente com Vic Vance como membro.

A ordem estava restabelecida no bairro. Vic volta até a casa de Umberto e recebe oitocentos dólares do cubano por ter ajudado. Uma grande amizade surgia ali. Quando estava ligando sua moto para ir embora da casa de Umberto, Vic é chamado por um cubano para voltar, pois algo horrível havia acontecido naquele espaço de segundos. Vic entra novamente na casa e vê Umberto chorando, debruçado sobre a mesa de bilhar, algo que ele nunca imaginaria ver. Algo realmente sério deveria ter acontecido e Umberto acabara de ser avisado.

– Vocês não tem bolas!?
 – pergunta Umberto aos prantos a dois cubanos que haviam acabado de chegar e assistiam seu desespero.

 Eu, eu, eu... Não sei! – gagueja um dos cubanos.

 E você? Eu só vejo merda atrás de merda! – grita Umberto, olhando para o cubano calado.

 Você não falou nada sobre o seu pai! – o cubano responde com medo.

 Cala a sua boca, seu viado! Ele é meu pai! Eu amo ele! – se desespera Umberto – Não acredito que vocês fizeram isso! Deixaram ele lá para morrer!

 Umberto, qual é o problema? – Vic pergunta.

 Meu Deus, eu vou virar um órfão! – diz Umberto, se debruçando novamente na mesa de bilhar, chorando como uma criança.

 Nossa, cara. Sinto muito. Como isso aconteceu? – lamenta Vic.

 Ainda não aconteceu, irmão. Alberto, o pai dele, está lá assistindo a luta, cara... – diz um dos cubanos.

 E por que o choro? – Vic não entende.

 Nós vimos alguns Cholos indo para lá de carro... – responde um dos cubanos.

 Então por que ninguém vai lá e busca Alberto? – Vic ainda não entende.

 Foi isso que nós dissemos para Umberto, mas ele enlouqueceu! – o cubano se justifica.

 Então vamos lá buscar! – Vic diz.

 Não! Sem chance, Vic! Não deixa essas duas vadias irem buscar meu pai! Ele é um homem! A vergonha vai matar ele! – Umberto se joga em Vic, chorando.

 Então vai você! – Vic se irrita com o drama.

 Não, eu não posso dirigir, cara! Estou histérico... – Umberto continua o choro e novamente se joga na mesa.

 Puta que pariu! Eu vou lá buscar! Mas você está me devendo, seu louco! – Vic diz, saindo da casa.

Vic liga o carro de Umberto e vai até o ginásio do centro da cidade esperar por Alberto. Ele era um senhor cubano de cabelos brancos que foi para os Estados Unidos nos anos sessenta ilegalmente e abriu um bar chamado Robina’s Café Cubano em Little Havana para sustentar seus filhos, entre eles Umberto, na época um jovem homem de trinta anos. Reconhecer Alberto foi fácil. Ele usava uma camiseta florida e um chapéu preto.

 Ei, Alberto? Seu filho me pediu para vir te buscar! – Vic diz ao velho homem.

 Gracias, senhor! Você está atrasado... Tarde! – diz o homem, misturando inglês com espanhol – Não posso abrir meu café atrasado. Em vinte anos, nunca abri tarde!

 Fica calmo, Alberto. Sem problemas... – diz Vic, pensando que aquele velho não poderia dormir nem uma horinha a menos para abrir seu bar, ou seja, era um chato.

Os dois saem sem problemas do centro da cidade, mas enquanto está na orla da praia, Vic vê carros de Cholos rondando a área, provavelmente procurando Cabrones. Antes de ir buscar Alberto, um cubano do lado de fora da casa disse que o velho era cardíaco e que qualquer estresse poderia atacar seu coração. Então era necessário muito cuidado para evitar qualquer batalha. Vic leva o carro para dentro do bairro, andando com muito cuidado sobre suas ruas para não encontrar Cholos, mas isso irrita Alberto, que cobra rapidez para chegar em casa. Isso já o faz sofrer:

 Ai, meu coração! Por favor! Estou sem meus remédios! – grita o velho.

Mas Vic logo chega ao bar de Alberto e ele se acalma. Agradece a carona e entra na porta lateral do bar humilde que tinha. Vic leva o carro de Umberto até sua própria casa e o deixa com a chave na ignição estacionado na calçada, sabendo que os cubanos iriam buscá-lo mais tarde. Assim acontece, mas dessa vez uma embalagem é jogada através da janela do apartamento de Vic. Ele abre e conta mil dólares em dinheiro e um bilhete: “Obrigado por salvar meu pai, amigo! Agora não estou mais te devendo!”. Vic sorri, achando que o dia havia terminado bem, mas ele estava enganado.

O telefone de Vic toca e Louise o chama desesperadamente para ir a seu apartamento. Ela precisava conversar sério sobre algo. Assim que chega ao apartamento, Vic vê Louise sentada no sofá com as mãos no rosto.

 Vic! O Conselho Tutelar disse que eu sou uma péssima mãe. O agente disse que vão tirar Mary Beth de mim. A menos que eu faça favores para ele. Mas ele vai ver! Chamei um pessoal para dar um jeito nele! – diz Louise.

 O que!? Matar o cara só vai deixar as coisas piores! – Vic não acredita que Louise fez aquilo – Quando foi isso?

 Quase agora! Eu fiz errado? Como eu ia saber? – Louise fica confusa.

Vic desce o prédio correndo e pega sua moto para procurar alguma perseguição. E logo encontra a uns cinco minutos do prédio. Um homem sozinho em um carro estava sendo perseguido por uma caminhonete com dois homens atirando. Só podia ser a besteira armada por Louise. A solução era evitar a morte do agente, então Vic atira na caminhonete dos homens e fura os dois pneus dianteiros, fazendo-os capotarem. O agente do Conselho Tutelar foge, mas não sairia ileso após tratar Louise daquilo jeito. Vic acelera sua moto atrás do homem e primeiro atira na traseira do carro.

 Coloca isso no seu relatório! Deixa Louise Williams em paz, amigo, senão eu e você vamos nos tornar realmente amigos! – Vic ameaça o homem e dá um tiro em seu ombro.

 Tá bom, tá bom! Ela é só um lixo humano mesmo! – o homem sai do carro berrando de dores.

Vic liga para Louise e diz a ela que ela poderia dormir tranquilamente, pois ninguém iria levar sua filha. Ela agradece profundamente e pede perdão pelo trabalho que o fez ter. Vic diz que não foi nada e que faria qualquer coisa por ela. O silêncio nesse momento diz todo o restante. Vic desliga e percebe que está apaixonado. Mas havia muito mais coisa para se pensar do que apenas em Louise.

Um comentário:

  1. Cara, que ótimo projeto, parabéns! Fica melhor a cada dia hee apesar de demorar alguns dias, mas vale muito a pena por isso hee parabéns, ótimo trabalho, mal vejo a hora de chegar nos próximos jogos!

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