domingo, 21 de junho de 2015

Vice City Stories - Parte 11


Bryan Forbes, pelo que dizia Lance, era um homem do submundo das drogas. Ele tinha quarenta e um anos, cabelo castanho penteado para trás, era alto e usava uma camiseta roxa com um fino terno branco aberto por cima, onde seus óculos de sol wayfarer ficavam pendurados. Sua calça e seus sapatos também eram cuidadosamente brancos. Ele morava em um grande prédio de luxo no centro de Vice City. Era lá que Lance estava passando a maior parte do dia.

Vic finalmente decide ir até os dois para tratar de seus novos negócios, afinal Forbes era um “cara grande”, como disse Lance. Ele vai de moto até lá e liga para seu irmão para poder subir. Quando chega ao apartamento, que era gigantesco, Vic vê Lance e Forbes conversando no sofá.

 Claro! Você não pode roubar um ladrão... – diz Forbes.

 Hahahaha! – Lance dá gargalhadas.

 Ei, Vic! – Forbes vê seu novo parceiro entrando e vai recebê-lo.

 E aí... – Vic responde.

 E aí, mano! Como você está? – Lance pergunta de longe.

 Então, Vic, quer ouvir um pequeno plano que vai deixar nós três ricos? – pergunta Forbes.

 Muito ricos! – Lance se aproxima dos dois.

 Quais são os riscos? – Vic está sério.

 Bem, digamos que... Você não vai tocar em nenhuma droga. Tudo que eu preciso que você faça é deixar os policiais ocupados enquanto Lance e eu roubamos uma mercadoria do escroto que a trouxe para este país... – Forbes explica.

 As drogas já estão aqui. Então não vamos traficar drogas! – Lance complementa.

 Exato! – Forbes diz – Você é apenas a isca. Tudo que você precisa é fazer com que os policiais pensem que você está carregando. Eles não podem te prender por isso...

 Não, mas eles podem atirar em mim... – Vic responde.

 Aah! – Lance suspira em negação.

 Não seja ridículo! – Forbes diz, quase rindo.

 É isso aí! Qual é, cara! Vamos lá! – Lance insiste.

 Vic, você vai ficar bem. Rico e bem! – Forbes diz.

 Tá bom! Vamos fazer isso... – Vic aceita após refletir.

 Isso! Vamos detonar! – Lance se anima.

Os dois irmãos saem do apartamento e Forbes fica parado estranhamente com um olhar fixo, segurando uma vontade de rir. Não se podia confiar cegamente em um barão do tráfico. E Vic sabia disso, mas a insistência de Lance acabou o fazendo entrar no jogo também.

Na garagem do prédio de Forbes havia uma van branca. Vic assumiu o comando, Lance foi no banco do carona e Forbes foi atrás. Ele disse o local em que deveriam ir e ficou o caminho inteiro em silêncio, o que chamou a atenção de Vic, que não fez nada. Ao chegarem ao local dito, abriram uma porta de ferro e entraram em um armazém em Little Haiti. De cima dos prédios ao lado, dois policiais monitoravam por binóculos a van entrando na garagem. Tudo era parte do plano, pois dentro desse armazém seria feita uma troca de carro.

 Essa será a van de isca, pode entrar e dirigir, Vic! – Lance mostra uma van creme para Vic.

 Essa van tem a cor errada, Forbes... – Vic percebe.

 Relaxa! Nada que uma boa pintura não resolva... – Forbes diz.

Os três usam vários sprays de tinta branca para deixar a van de isca da mesma cor da original. Ao fim do trabalho, Lance se empolga:

 Essa van é a van do Van Gogh! Hahaha!

 Hahaha! Boa! Vic, pegue essa van e leve os policiais para longe daqui. Nós te avisaremos quando você estiver dispensado... – Forbes diz.

Vic sai do armazém e dirige em direção ao sul, a direção do porto. Assim que pega a primeira curva, ele já percebe viaturas vindo atrás dele. Estava funcionando. Vic não podia sair da vista dos policiais, mas também não podia ser pego.
 Interruptor-interruptor, qual é o seu vinte? – Lance fala por um rádio que Forbes entregou a Vic.

 Pelo amor de Deus, Lance! Fale inglês! – Vic responde.

 Ah, sim. Estamos fazendo nosso caminho. Mantenha os policiais ocupados! – Lance responde.

Vic fura bloqueios policiais e percebe que aquela estava sendo uma grande operação policial. Forbes deveria ter ótimos infiltrados na polícia para armar esse plano e enganá-los tão facilmente, era o que Vic pensava.

 Estamos quase lá! Só mais um pouco! – Lance diz no rádio.

Vic ainda estava tentando relacionar o tamanho da operação e os métodos usados para a missão de isca com o comportamento estranho de Forbes na van mais cedo. Poderia haver algo de errado no que estava acontecendo.

 Chegamos, dez-dez! Vamos fazer isso de novo, cowboy! Apague a fumaça, Vic, já terminamos! – Lance dá o sinal no rádio indicando que Vic já poderia despistar os policiais.

Vic consegue entrar em uma rua paralela à orla da praia e entra rapidamente em uma loja de pinturas automotivas chamada Pay and Spray. Ele paga cem dólares para pintarem sua van de vermelho. Com a porta da loja fechada, os policiais perdem a van de vista e se dispersam. Era a hora de Vic voltar para o prédio de Forbes. Ele vai ao centro da cidade e deixa a van estacionada na garagem do prédio onde a buscou. Lance vai até a calçada e entrega mil e quinhentos dólares ao irmão. Vic olha no fundo dos olhos de Lance e diz para o irmão tomar cuidado com o “cara grande”. Lance percebe a seriedade de Vic e diz que iria ficar ligado caso algo acontecesse. Vic sobe em sua moto e vai para sua casa em Little Haiti, que agora tinha novos móveis e estava mais aconchegante do que sua casa na praia.

Um dia se passou sem novidades, então, naquela tarde, Vic decide fazer uma visita a Umberto, ver o que estava rolando entre as gangues da cidade. Quando chega à casa do cubano, ele vê uma reunião na sala:

 Então eu pergunto mais uma vez: vocês são homens? – Umberto está em pé, falando com seus recrutas.

 Sim! – respondem os homens, escorados em uma mesa de bilhar.

 Então por que vocês não gostam de bolas? – Umberto pergunta.

 Porque é totalmente constrangedor! – um dos homens tenta responder.

 Porque é algo que vocês não tem! Eu tenho um saco de bolas aqui! – Umberto balança o saco com as mãos – Toneladas! Bolas para todo lado! Bolas à vontade!

 Cara, certamente ele é rodeado de bolas, hehe... – cochicha um cubano para Vic.

 Como é, querido? – Umberto ouve o cochicho – Está de conversinha no ouvido de alguma vagabunda? Hein, frutinha?

 Err, não, chefe... – o cubano fica sem graça.

 Victor Vance! Esse é um homem de verdade! Cheio de bolas, hahaha! – Umberto se aproxima de Vic – Você não tem medo de Cholos, não é, Vic?

 Você sabe que eu não tenho medo de ninguém... – Vic responde de braços cruzados, escorado na mesa de bilhar.

 Então mostre para eles suas bolas! – Umberto grita.

 Haha, não, eu era do Exército. Não da Marinha! – Vic repete a piada que seu ex-sargento Martínez fez com ele, o que arranca risada dos Cabrones.

 Vão se ferrar, suas vadias! – Umberto se irrita e se afasta.

 Hahaha, qual é, cara? Só estou brincando com você! – Vic diz.

 Alguém tem que ensinar uma lição a esses Cholos. Acho que esse alguém sou eu. Sozinho... – Umberto provoca.

 Umberto, chefe, eu estou pronto para qualquer coisa. Não quero mostrar minhas bolas de novo... – um dos cubanos diz ao chefe.

 É isso aí, a gente não pode ir lá e detonar sem ter que baixar nossas calças? – outro cubano se levanta.

 Sim, vamos lá! – um terceiro cubano grita e todos começam a sair da sala.

 Está vendo, Vic? Eles não queriam ir e agora estão todos prontos. A arte da liderança, meu amigo, é fazer as pessoas pensarem que elas tiveram toda a ideia... – Umberto diz.

Vic ri da cara-de-pau do amigo e sai para a calçada. Na rua, várias vans estão posicionadas esperando os cubanos entrarem.

 Meus homens estão indo buscar um pequeno presente para os Cholos. Eles se encontrarão com você depois, mais tarde... – Umberto avisa a Vic.

 Depois de que? – Vic pergunta.

 Depois de você limpar o caminho para nós. Aí podemos pegar os Cholos e suas armas... – Umberto diz – Irei coordenar o ataque daqui.

 Claro, parceiro, realmente precisamos de um coordenador aqui... – Vic ironiza o medo de ação de Umberto.

Vic vai com um carro dos Cabrones a um depósito dominado por Cholos próximo dali. Era lá que guardavam suas armas. É recebido por uma chuva de tiros dos dois mexicanos que faziam a segurança da entrada, mas atropela quem atirava nele. Vic desce do carro e atira em mais três Cholos. O depósito estava livre. Era só aguardar os Cabrones chegarem com as vans e recolherem o material. Eles não demoraram e logo já estavam colocando os caixotes de armas dentro dos carros.

 Vamos precisar de uma proteción enquanto carregamos o carro! – um dos cubanos diz.

 Vou proteger vocês! – Vic responde.

 Hahaha! Gostou do nosso presente para os Cholos, cara? – o cubano aponta para um boneco inflável gigante representando Umberto, mostrando o dedo do meio.

– Ótimo gosto... – Vic responde.

Os mexicanos começam a chegar. Vic já os recebe metralhando seus carros. Mas eles conhecem o depósito e entram pelos fundos, matando alguns Cabrones de surpresa. Vic entra no depósito e faz a limpa com sua tática militar de enfrentamento.

 Já pegamos tudo que tínhamos para pegar. Vamos voltar, ok? – os cubanos entram na van e dizem, já saindo do depósito.

Vic entra na outra van e volta para a casa de Umberto, tendo que atirar em alguns Cholos que ainda restavam pelo caminho. Quando chega à casa de Umberto, já anoitecendo, Vic vê uma enorme explosão vinda de onde estava e ouve do cubano:

 Hahaha! Meu amigo, hoje é um dia bom! Viramos o jogo em Little Havana. Os Cholos já eram!

Sobre a explosão, uma comitiva de Cholos chegou ao depósito e se deparou com o presente deixado pelos Cabrones. Um dos mexicanos se revoltou e atingiu o boneco inflável com um taco de baseball. Um erro. E dos grandes. O boneco estava repleto de dinamite, que explodiria a qualquer pressão. O depósito se explodiu por completo, a alta cúpula dos Cholos morreu, significando que a gangue estava sendo eliminada definitivamente. Umberto havia planejado tudo.

 Umberto Robina diz que você é um verdadeiro amigo! Pode contar comigo para qualquer coisa! – Umberto diz a Vic – Eu te amo, cara! Como um filho, ou um cachorro...

Vic recebe mil e quinhentos dólares de Umberto e a certeza de que não haveria mais motivos para ajudar os Cabrones na guerra de gangues, pois a principal gangue inimiga dos cubanos agora era história. Mas era muito bom ter o líder da maior gangue da cidade como parceiro, pensou Vic. A qualquer momento, ele precisaria de soldados. E seus soldados seriam cubanos.

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