quinta-feira, 2 de julho de 2015

Vice City Stories - Parte 13


Naquela manhã, Lance se levantou cedo e foi ao apartamento de Forbes. Por mais que ele fosse um agente duplo da DEA, com certeza Forbes havia deixado algo para trás que não pôde consertar por ter sido descoberto, era o que pensava Lance. E ele realmente estava certo. Havia vários documentos em uma gaveta de seu quarto. Lance levou tudo para o prédio abandonado e encontrou Vic na porta. Os dois foram ao encontro de Forbes, que estava com a cabeça ainda coberta com o saco de pão e dormindo amarrado na cadeira.

 Nós sabemos que há uma grande carga chegando nas próximas horas. Fui até o seu apartamento e li seus arquivos... – Lance diz.

 Sim, sim, sim. Eu ia contar isso para vocês... – Forbes desperta e fala meio atrapalhado, parecendo com medo de algo – O contato está no White Stallionz Bar. Eles te darão exatamente o que vocês precisam.

 É melhor vocês não estar tentando ferrar a gente! – Lance grita.

 Eu? Me dá um tempo, haha! Eu sou seu melhor amigo... – Forbes ri.

Lance e Vic vão até o White Stallionz Bar, um bar que ficava em Little Haiti. Na entrada, havia vários motoqueiros conversando, todos com roupas de couro preta, grandes bigodes, boinas de couro e tatuagens. Assim que os irmãos chegaram, a conversa parou e todos ficaram olhando para os dois. O clima parecia não muito amigável. Mesmo assim, Vic e Lance entram e são pegos de surpresa: a música que tocava dentro do bar não era algum hard rock ou heavy metal (música padrão desses ambientes) e sim “Don’t Go” da banda Yazoo, um synthpop bastante tocado em boates gays na época. Havia um globo girando no meio da pista de dança e luzes coloridas incendiavam vários motoqueiros dançando. Vic estranha o ambiente.

 Há algo estranho nesse lugar! – Vic grita para Lance por causa da música altíssima.

 Pois é, eu não sabia que motoqueiros gostavam de Disco... – Lance responde.

Nesse momento, Vic percebe um grande cartaz cinza em uma parede do bar. Nele havia um punho branco fechado, símbolo do white-power, uma doutrina racista americana, misturado com o símbolo do gênero feminino, além da frase Stand Proud Together (Tenhamos Orgulho Unidos). Vic rapidamente associou tudo: aquele era um bar de motoqueiros gays que odiavam negros.

 Acho que Forbes fodeu a gente de novo! – Vic diz a seu irmão, que já está cercado de motoqueiros.

 Você é meio que não muito bem vindo aqui... – diz um homem com uma aparência totalmente masculina, mas com um jeito de falar totalmente feminino.

 Eu quero experimentar o mais baixo... – diz outro motoqueiro.

 Ah, que merda! São dois para cada no clube dos homens, que merda! – Lance diz.

Os motoqueiros agarram os dois e uma intensa briga começa. Vic é jogado contra a parede por um grande homem gordo, mas consegue correr. Todos estavam desarmados ali, menos Vic, claro. O ex-soldado saca sua pistola, mas isso não assusta ninguém. Os gays estavam batendo em Lance e indo para cima de Vic com tudo. Ele é obrigado a atirar na perna de vários para imobilizá-los. Com a música alta, o barulho dos tiros fica abafado e quase ninguém que estava um pouco distante percebe. Vic e Lance saem correndo pela porta da frente do bar.

 Cara! Forbes ferrou a gente de novo! Vamos voltar e ferrar ELE de vez! Falando metaforicamente! – Lance fica irritadíssimo.

Ao saírem do bar, os motoqueiros percebem a arma de Vic e olham para dentro, vendo seus amigos pedindo ajuda se arrastando no chão da pista de dança. Todos ali fora partem para cima dos irmãos, que conseguem fugir entrando no carro em que foram até lá. Como o prédio não ficava longe dali, Vic e Lance pegam um atalho por vielas que passam por dentro dos prédios do bairro e os motoqueiros os seguem. Quando chegam perto do prédio, Vic e Lance deixam o carro parado no meio da viela, impedindo a passagem dos motoqueiros, que dali só seguiriam a pé. Os dois irmãos correm alucinadamente até o prédio abandonado onde estava Forbes. Mas assim que entram no apartamento, Forbes está livre e joga a cadeira em que estava amarrado nos dois e sai correndo pela porta. Vic e Lance o seguem e veem que ao lado do prédio havia uma moto parada com a chave na ignição. Forbes rapidamente a liga e foge com ela. Vic e Lance sobem na moto de Vic, que estava ali desde quando ele chegou, e uma perseguição se inicia.

Forbes faz o caminho para a orla da cidade, querendo ir para o centro, talvez para seu prédio ou para a delegacia para se proteger. Nunca saberemos para onde ele iria, pois Lance pega a pistola de Vic e acerta um tiro na nuca do agente duplo, que logo desaba da moto e arrasta sua cara no asfalto por vários metros.

 Ah cara, não era para ele morrer! – Lance se lamenta.

 Já é um pouco tarde para dizer isso, Lance! – Vic responde.

Os dois passam pelo corpo no chão e seguem direto para o centro. Eles precisavam se esconder, e rápido. Forbes era um grande agente e sua morte imediatamente seria vingada, os irmãos sabiam disso.

 Eu sei que tem algo sobre essa grande carga que ele falou. E eu vou descobrir! – Lance diz.

Eles seguem até o hotel onde Lance estava. E lá ficam por dois dias. Sem sair. Nesse meio tempo, a notícia sobre o ocorrido no White Stallionz Bar explode na VNN de forma sensacionalista dizendo que vários homens seminus suados deitados na pista de dança (mortos por Vic) seria ótimo para os negócios do comércio. A gangue era ridicularizada na cidade, nem a maior gangue de motoqueiros eles eram. A gangue de Mitch Baker, que se reunia no bar Grease Chopper, no centro da cidade, era muito maior e mais respeitada. Ter matado aqueles neo-nazistas não preocupou Vic nem um pouco.  Ter matado Bryan Forbes, sim.

No segundo dia enfurnado no quarto de hotel de Lance, Vic recebe uma mensagem de sua tia Enid: “Lance me disse que ele está comandando negócios por aí. Ele é um bom garoto...”. Aparentemente Lance já estava se considerando um líder em Vice City, o que irritou Vic. Lance só estava ali porque Vic o deu uma chance. E Vic não ia deixar seu irmão mais novo e idiota estragar tudo que estava fazendo e construindo. Ele resolve falar. Mas quando se aproxima de Lance, vê que seu irmão falava ao telefone:

 Rosa! Não, azul! Não, branco! Eu vou levar os três! Te ligo depois! – diz Lance antes de Vic pegar o telefone de sua mão e jogar no chão com toda a força – Qual é o seu problema, cara!?

 Meu problema? Meu problema é você fazendo de nós dois homens mortos por ser um imbecil! – Vic responde – Eu te disse para não colocar a gente tão fundo nesse negócio!

 Ah, cala a boca e arruma umas bolas para você! – Lance desdenha.

 Como é que é, fodão? – Vic vai para cima de seu irmão e agarra seu colarinho – O que você disse para mim? QUANDO É QUE VOCÊ VAI ARRUMAR UMA PORRA DE UM CÉREBRO PRA VOCÊ?

 Olá, garotos! – uma mulher branca, magra e velha entra no quarto, acompanhada de um rapaz latino.

 Mãe!? – dizem os irmãos, simultaneamente surpresos.

 Victor, solta seu irmão! – Janet diz para seu filho.

 O que você está fazendo aqui, mãe? – Vic pergunta enquanto larga Lance sem o menor cuidado.

 Estou limpando minha vida! – diz Janet, animada, com os braços para o alto – Larguei as drogas de uma vez por todas!

 Lá vamos nós de novo... – Vic fala para si mesmo, duvidando da mãe.

 Lance pode pegar um drink para você, amor... – Janet diz para o latino de vinte e poucos anos que a acompanhava.

 Quem é esse? – Lance pergunta.

 É o Javier! Ele tem sido tão fofo comigo... – Janet diz, apaixonada.

 Ah, que merda... – Vic diz.

 Estou cansado das suas merdas, mãe. Você vem e vai arruinar nossas coisas de novo! – Lance se revolta.

 Como você pode dizer isso? Eu te criei! – Janet ameaça chorar.

 Tia Enid que nos criou, não você! – Lance responde prontamente.

 Estou limpa! Me dá uma chance, Victor. Por favor... – Janet clama para seu filho mais velho.

 Err... Você pode ficar com o Lance, mãe... – é o que Vic encontra para dizer.

 O QUE!? – Lance grita.

 Mas eu não quero nenhum problema. Já tenho bastante merda de cavalo para lidar com ele! – Vic completa.

 Err, Vic! A gente tem que ir encontrar aquele amigo seu no aeroporto... – Lance inventa.

 O que? – Vic não entende.

 Eu te explico no caminho... – Lance insiste, tentando fazer seu irmão entender que queria falar algo com ele longe de sua mãe.

 Ah, sim... – Vic entende e diz para sua mãe e Javier ficarem longe de problemas.

 Me lambe, señora... – o latino agarra Janet quando os irmãos saem.

Vic e Lance vão à frente do hotel. Vic ainda não entendeu:

 Que amigo no aeroporto?

 O cara é um traficante que está saindo da área. Ele está arrumando para gente alguns documentos sobre aquela grande carga que está chegando... – Lance finalmente explica.

 E isso vai custar quanto? – Vic pergunta.

 Você tem que especular para acumular. Somos Yuppies agora, mano! – Lance responde.

Os dois entram no carro de Lance, com Vic dirigindo, como sempre, e seguem para o saguão do aeroporto da cidade. Lá avistam um homem ao lado do telefone público, aparentemente aguardando alguém. Era ele.

 Você está com as paradas? – Lance se aproxima e pergunta ao homem.

 Você chegou atrasado, cara. Eu te falei: quem chegar primeiro leva... – o homem responde.

 Cara! Aquele era o nosso documento! Para quem você vendeu? – Lance grita.

 Algum cara no Terminal C.... – o homem revela – Ele tinha um jato particular e um exército particular. Acho que vocês não vão querer mexer com ele...

 Vamos ver! – Lance está furioso.

Vic e Lance voltam para o carro e vão até o Terminal C do aeroporto, que ficava do outro lado do complexo. O jato ainda estava lá, estacionado atrás de um hangar. Era facilmente acessível, então o carro dos irmãos invade essa área restrita, o que imediatamente chama a atenção dos seguranças do cara que pegou as informações que Lance queria. O que o exército particular não imaginava era que no carro dos irmãos Vance havia granadas, que foram jogadas em cima deles, tirando a possibilidade de reação.

 CADÊ MEUS DOCUMENTOS, SEUS FILHOS DA PUTA? – diz Lance enquanto jogava as granadas.

Seis guardas particulares morreram instantaneamente com a explosão. Outros três ficaram sem membros, portanto, fora de combate. Provavelmente algum deles era o magnata dono de tudo. O caminho aparentemente estava livre. O avião estava com as portas abertas. Era só entrar e pegar tudo que precisavam. Mas nesse momento, várias motos se aproximam. Eram White Stallionz sobreviventes ao massacre do bar.

 Que merda é essa? – Lance pergunta.

 Acho que nós não somos os únicos que o seu contato convidou hoje... – Vic ironiza.

 Vou pegar o documento! – Lance corre para dentro do avião e deixa os motoqueiros para a metralhadora que Vic carregava.

Em tempo recorde, os quatro motoqueiros que estavam ali foram baleados. Eles estavam armados, mas aparentemente não sabiam manusear muito bem uma arma de fogo, dada a demora para atirarem. 

 Ei, mano! Esse malandro realmente sabe como viajar. Tem umas paradas estilosas aqui! – Lance grita de dentro do jato.

 Foda-se isso! Você pegou o documento? – Vic se apressa.

 Claro, sem problemas! – Lance aparece na porta com uma maleta.

 Sem problemas? Eu poderia ter tido uma ajuda aqui, seu retardado! – Vic se irrita.

 Relaxa, mano! Deu tudo certo... – Lance diz.

 Lance, pega esse documento e vaza da porra da minha frente! – Vic explode, mas não antes de abrir a maleta e ver uma quantia de dinheiro. Ele pega mil dólares.

Lance volta para o carro e segue de volta para o hotel. Vic fica por ali mesmo. Ele tinha negócios a resolver em seu escritório próximo ao aeroporto. É ali que passa o resto do dia e dorme em um quarto minúsculo após todos seus homens irem embora.

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