quarta-feira, 22 de julho de 2015

Vice City Stories - Parte 17


Em uma tarde de domingo, Vic vai sozinho até a mansão dos irmãos Mendez. A aproximação era sempre necessária. Os seguranças já o conheciam, então liberaram sua entrada sem a autorização dos donos da casa. Na sala, Vic vê Diego sentado no sofá lendo um livro. Ele resmunga e suspira quando vê Vic. Aparentemente, ele não ia muito com a cara do novo empregado.

 Com licença... – Vic direciona a palavra a Diego, que o ignora – Senhor Mendez...

 Armando! Aqui! Tus amigos! – grita um Diego irritado para seu irmão. Ele não queria papo com Vic.

 Bom falar com você também, camarada... – Vic ironiza.

 Ah, meu irmão, tão conversador... – Armando entra na sala e diz a Vic – Hoje mesmo estávamos conversando sobre filosofia. Ele é um grande fã de Platão, já eu sempre fui mais aristotélico... Acho que é por isso que ele é tão feliz, e eu sou tão puxado para baixo por preocupações. O que você acha?

 Eu? Porra, o mundo está cheio de dor. E aí você morre... – Vic responde, meio confuso.

 Olha aí! Eu sabia que nós tínhamos uma só mente, você e eu! Por isso achei que você sentiria essa crise assim como eu! – Armando se empolga.

 Lá vamos nós... – Vic suspira.

 Alguns marginais tem mostrado um desprezo por nós usando nossa casa como uma entrada para drogas nesta fina nação... – Armando diz.

 Como você? – Vic interrompe.

 Exato! Plágio! Isso é um insulto! – Armando se exalta – Espero que você seja sábio o suficiente para saber que se você deixar um homem te insultar, logo ele tentará te matar. Você deve matar esses degenerados. Você os encontrará perto de Ocean Beach.

Armando faz algumas anotações em um papel e entrega a Vic. No papel, há o nome de um hotel, o Standing Vice Point, e o nome de quem ele deveria matar. Vic vai até esse hotel, se passa por hóspede e acessa a grande área da piscina, pois percebeu que estava ocorrendo uma festa naquele fim de tarde ensolarado. Nessa festa havia alguns homens bem vestidos e armados, além de várias garotas de biquíni tomando sol deitadas em cadeiras. Vic pergunta a uma dessas garotas se ela sabia quem eram Hector Lopez e René Contreras. Eram esses nomes que estavam no papel como os principais alvos. A garota aponta para um homem negro, de longos cabelos, terno verde e chapéu de mesma cor, com grandes óculos escuros. Aquele era Hector, um típico cafetão. Ele estava acompanhado de uma loira alta de biquíni, possivelmente uma modelo. Vic se aproxima do homem, que quando o vê, diz:

 Essa é uma festa privada, amigo...

 Bem, esta é uma execução pública! – responde Vic, que tira sua pistola e atira no peito de Hector.

 Ah, merda! Peguem ele, garotas! – grita Hector, após ser atingido e cair no chão.

Várias garotas que estavam na festa tinham uma pistola consigo, a maioria dentro de bolsas, afinal provavelmente eram todas prostitutas barra-pesada, assim como as de Vic. Um tiroteio se inicia naquela área de lazer do hotel cinco estrelas. Vic se protege atrás de vários arbustos e coqueiros que o local tinha, mas os tiros eram intensos. Ele se vê obrigado a partir para a ofensiva e ir eliminando aquelas mulheres, que tinham armas, mas não sabiam atirar muito bem. Aquilo era algo que Vic nunca havia se imaginado fazendo, mas era a realidade. Ele percebe o outro homem procurado, René, fugindo por uma saída do hotel para a areia de Ocean Beach. René foge com algumas mulheres e rouba vários quadriciclos que um senhor alugava para turistas andarem pela praia. Vic persegue o homem e também rouba um quadriciclo. Agora o tiroteio havia migrado para a praia, mas não demorou muito. Como estava na frente, René tinha que virar de costas para revidar os tiros de Vic, o que acabou o fazendo cair de seu veículo. Vic se aproximou e deu dois tiros na cabeça do traficante. O serviço estava feito. Ele segue com o quadriciclo de volta até a casa dos Mendez para avisar que Lopez e Contreras já estavam mortos. Ele recebe uma recompensa pelo serviço e volta para casa de carona com um dos seguranças do cartel, já que sua moto ficou estacionada em frente ao hotel, que estava repleto de policiais após o tiroteio em seu interior. Após algumas horas, Vic voltou ao local para buscá-la.

Naquela noite, Vic vai até o escritório de Reni. Lá, ele presencia uma cena um pouco, digamos, constrangedora.

 Você tem sido um menino mau! – diz Frankie, ao dar palmadas com sua prancheta em Reni, que está de bruços.

 Mais alto! – Reni grita.

 Hummmmmmm... Você tem sido uma menina má! – Frankie grita e bate saltitando com mais força na bunda de Reni.

 Mais forte! – Reni grita.

 Ai, me dá um descanso, Reni! – Frankie desiste – Fui para a faculdade de cinema. Sou expert em tudo. Adoro zoar as pessoas. Sou perfeito! Então por que eu tenho que gastar meu tempo batendo em você?

 Pela arte! – Reni responde – Ai, você é tão bourgeois. Doce, mas tão, tão... Comum! Vai. Acabou. Você está demitido!

 Mas, Reni... – Frankie se espanta.

 Mas, Reni! Mas, Reni! “Reni, você é fantástica e eu sou muito medíocre”. Não. VAI! – Reni ironiza seu ajudante, que começa a chorar.

 Querido, você está aqui! Para acender meu coração... – Reni diz ao ver Vic, que assistia a tudo da porta.

 Err... Não exatamente... – Vic responde, sem jeito.

 Eu te amo. Eu amo esse homem! Me beija! – Reni corre para cima de Vic.

 Ei, dá um tempo! – Vic se afasta.

 Vou te dar um tempo se você me der um tempo... – Reni propõe, ainda se jogando em Vic.

 Eu não consigo lidar com isso... – Vic avisa.

 Oh, querido, por favor. Eu preciso da sua ajuda. É um amigo meu, Gonzalez, hihi! Ele está para transportar uma merda aí cheia de coca, hahaha! – Reni diz e ri com Frankie, que já estava melhor.

 Hum... Tá bom... – Vic decide cooperar com Reni.

Reni diz a Vic que Gonzalez, um homem gordo, careca e de bigode, de meia idade, colombiano e um dos grandes traficantes da cidade, está com um barco no píer do centro da cidade, aquele onde Lance foi sequestrado. Ele está precisando de segurança para levar a droga para algum lugar sem ser incomodado. Vic vai ao centro da cidade e no píer vê homens armados, um barco ancorado e o colombiano em uma camisa verde florida, escoltado por dois homens armados com fuzis. Ele se aproxima com cautela e pergunta:

 Você é Gonzalez?

 Ah, você deve ser Victor. Señor, eu preciso levar a mercadoria do meu coronel em segurança para Viceport... – Gonzalez diz.

 Seu coronel? Você é do Exército? – Vic se surpreende.

 Não o seu Exército. Coronel Juan Garcia Cortez, meu chefe! – Gonzalez responde.

 Vou ter isso na cabeça... – Vic garante ao colombiano.

 Pegue meu helicóptero. Meus homens irão te acompanhar... – Gonzalez diz e balança a cabeça em direção ao pequeno helicóptero no píer para seus homens.

Nos anos sessenta, Gonzalez saiu da Colômbia e foi para o Panamá investir no tráfico de drogas. Lá, conheceu o coronel do Exército Panamenho Juan Garcia Cortez. O coronel era um grande traficante na época e fez de Gonzalez seu braço direito. Já no final dos anos setenta, Juan Cortez envia Gonzalez para Vice City para estabelecer contatos na região para que ele possa se estabelecer no tráfico dos Estados Unidos, o grande centro de venda de drogas do planeta. Gonzalez cria conexões com os maiores traficantes da cidade e o coronel fixa sua residência, um belo iate, em um dos píeres de Vice City.

Vic entra no helicóptero de Gonzalez e os dois homens que o acompanham se prendem no trem de pouso para atirarem pelo ar se necessário. Vic levanta voo e o barco começa a ir pelo mar até Viceport, então seria um caminho de aproximadamente dez minutos até o outro lado da orla. Logo que o barco sai, aparecem em torno de sete lanchas em alta velocidade indo em direção a Gonzalez. Elas estavam esperando o barco sair para atacarem. Vic percebe e imediatamente paira o helicóptero a poucos metros da água e os homens de Gonzalez abrem um fogo intenso contra os homens nas lanchas, possivelmente servos de outros traficantes da cidade. Havia homens armados também no barco de Gonzalez fazendo segurança. Foram aproximadamente cinco minutos de forte tiroteio a poucos metros da areia. Algumas lanchas chegaram a explodir ao terem o motor atingido pelas balas. Todos os homens que atacavam o transporte da cocaína foram mortos. O barco de Gonzalez chegou ao porto em segurança, apenas com alguns tiros na lataria. Por sorte, helicópteros com atiradores chegaram atrasados para roubarem a mercadoria. O helicóptero em que Vic estava já estava no chão e o barco já estava dentro de um estaleiro.

 Perdi muitos homens bons hoje. Homens que eu não posso pagar a perda se eu ficar protegendo os interesses do meu coronel nos negócios à frente... – Gonzalez revela.

 Se você precisar de um segurança, você pode ter muito trabalho por minha parte. Pelo preço certo, é claro! – Vic diz.

 Talvez. Mas eu não posso confiar em ninguém antes de descobrir quem falou sobre o nosso transporte para aqueles bandidos hijos de putas! – Gonzalez grita.

O colombiano entrega oitocentos e cinquenta dólares a Vic pelo serviço prestado. Entra em um carro com seus homens e vai embora. Vic novamente havia descoberto uma fonte de renda: um braço direito de um barão das drogas, mas que havia se cansado de ser um braço direito e que queria começar seu próprio império. Valeria a pena confiar em Gonzalez?

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