quarta-feira, 29 de julho de 2015

Vice City Stories - Parte 18


Ao chegar à casa dos Mendez em uma terça-feira pela manhã, Vic encontra Armando preocupado, andando pela sala. Ele nunca havia demonstrado esse tipo de sentimento para Vic, que, espertamente, sacou que a aproximação definitivamente havia dado certo. Ao ver Vic, Armando diz:

 Uou! Graças a Deus você está aqui!

 O que está acontecendo? – Vic pergunta.

 Tenho más notícias, amigo. Você tem um grande problema para resolver. Diego está preocupadíssimo! – Armando diz.

 Peraí um minuto, do que você está falando? – Vic pergunta, confuso.

 A polícia pegou um pouco da nossa mercadoria. Mas é com você que estamos preocupados... – Armando diz.

 Por que? – Vic pergunta suspirando, já esperando uma merda fodida como resposta.

 Veja bem, nós somos utilitários. O melhor para o maior número. E há dois de nós, e apenas um de você. Então Diego sugeriu que disséssemos para a polícia que a cocaína era sua... – Armando diz.

 O que!? Ah, hahaha! Muito inteligente por parte de vocês! – Vic ironicamente ri.

 E, infelizmente, eu tenho essa papelada mostrando o seu envolvimento no projeto. A menos que possamos resolver essa pequena distração... – Armando diz, também ironicamente.

 E como você sugere que resolvemos isso? – Vic já está puto, mas não perde a calma.

 Você rouba a cocaína de volta para nós... – Armando diz – Ainda está sendo analisada pela perícia. Você deve roubar antes que levem para a delegacia.

 Puta que pariu... – Vic diz para si mesmo, bem baixo.

 Obrigado, Vic. Gosto muito de nossas conversas. Te acho bem inspirador! – Armando diz, após respirar fundo, como se estivesse se purificando.

 Obrigado. Lá vamos nós de novo... – Vic diz.

 Divirta-se! – Armando grita.

A intenção de Armando de foder os irmãos Vance já havia ficado clara para Vic. E ele sabia que seria assim. Foi ingênuo de pensar que Armando confiaria nele em algum momento. Era óbvio que ele não estava em nada preocupado com seu empregado, talvez até tenha armado isso para que Vic desaparecesse preso ou morto. Mas voltar com a cocaína seria a resposta perfeita de Vic, até porque era necessário naquele momento.

Vic vai até o porto da cidade, onde drogas e armas apreendidas pela polícia eram analisadas. Lá chegando, é informado por um empregado dos Mendez que o aguardava que havia alguns contêineres apreendidos no local e que a droga estava lá. Ao lado do homem, havia um helicóptero com um cabo preso a um grande imã magnético, feito exatamente para carregar objetos pesados pelos ares. A missão de Vic era cinematográfica: roubar o contêiner com a cocaína pelo ar. Ele levanta voo sem suspeitas e rapidamente chega ao contêiner. Vic era excelente para pilotar helicópteros. Aprendeu com pilotos profissionais nos tempos de Exército. Ele passa na altura certa e o magnetismo do imã suga o material metálico do contêiner. Em poucos minutos, Vic já estava deixando o contêiner em um ponto marcado em Little Haiti. Tudo foi tão rápido que nem deu tempo para a polícia reagir. Mas fazer tudo não seria tão fácil. O empregado de Mendez entra em contato com Vic e diz que a polícia estava deslocando outro contêiner com as drogas em um caminhão em direção ao porto. Vic agora teria que pegar o contêiner do caminhão em movimento, o que, obviamente, chamaria muita atenção. Mas não havia escolha, a droga não poderia ser entregue à delegacia e ser totalmente relacionada ao nome de Victor Vance. Vic vai com o helicóptero para a orla da praia de Viceport e rouba novamente o contêiner, o levando para o mesmo lugar, dessa vez com a polícia na cola. A mercadoria é deixada no lugar marcado e quando Vic já se preparava para pousar o helicóptero e arrumar um jeito de fugir da polícia que estava chegando, o empregado de Mendez novamente entra em contato. Dessa vez, para dizer que motoqueiros estavam perseguindo seu carro e que era para o helicóptero pegá-lo. Vic percebeu nesse momento que aquilo muito provavelmente já estava programado para, em alguma dessas situações, acontecer o pior. Um plano de vingança surge. Vic pegaria o carro com o helicóptero e deixaria no quintal da mansão dos Mendez, levando a polícia toda para lá. Ele encontra a perseguição perto da casa de Lance, em Washington Beach, resgata o homem elevando seu carro e o leva até Prawn Island. Deixa o carro no estacionamento da mansão. A polícia toda cerca a casa. Era vez dos Mendez se virarem. Vic leva o helicóptero até um estacionamento em cima de um prédio. Lá pousa, desce e rouba um carro estacionado, quebrando o vidro lateral. Ele desce o estacionamento com o carro com os vidros todos abertos para não perceberem e sai tranquilamente, a polícia ainda não havia chegado ao prédio. Vic vai com o carro até um novo apartamento que havia comprado recentemente. Por lá fica por alguns dias até a poeira abaixar. A relação com os irmãos Mendez, por pior que já fosse, azedou de vez.

No escritório de Reni, há uma reunião. Ela está recebendo um homem gordo, calvo, peludo e com um forte cavanhaque. Este homem era inglês, um empresário do ramo artístico. Algo normal no escritório da diretora de cinema. Os dois estão sentados sozinhos falando sobre alguém.

 Ele não sabe? – pergunta Reni.

 Não. E vamos manter isso desta forma! – diz o empresário, com seu forte sotaque inglês.

 Claro, ele é um artista. A pressão poderia matá-lo. Bem, eu interpreto muito bem sabendo que alguma pessoa quer me encher de buracos de tiro, mas eu sou única, querido... – diz Reni, que se anima ao ver Vic entrando no escritório – Querido!

 Ei, Reni! Oi, err... – Vic responde e olha para o homem que não conhecia.

 Querido, esse é o querido: querido, querido! – Reni apresenta os dois e investe na sua sensualidade esquisita, se debruçando sobre a mesa – Wunderbar! Agora que todo mundo se conhece, quem quer participar de um “grupinho”?

 Err, meu nome é Vic! – diz Vic ao homem, ignorando as loucuras de Reni.

 Tudo bem? Barry, camarada! – o homem aperta a mão de Vic. O nome dele é Barry Mickelthwaite.

 Meu querido, o querido precisa de um favor... – Reni diz a Vic.

 Sim, eu preciso que você dirija para mim e para um dos meus clientes por aí. Um grande artista. Poderia cantar com os passarinhos nas árvores. Você vai adorá-lo! – Barry completa.

 Eu sou meio caro para um serviço de motorista de limousine... – Vic corta.

 Bem, o rock n’ roll é um mercado sujo, pintão... – Barry diz.

 Como é? – Vic se surpreende com o adjetivo, comum na Inglaterra.

 Bem, um cara aí me deu três milhões, mas agora ele quer de volta. Um babaca! – Barry explica – E ele está ameaçando matar meu cara se eu não pagar.

 Ok, eu irei te ajudar, mas isso vai custar caro... – Vic diz.

 Sim, sim, tá bom! Meu Deus, que horas são? A gente tem que ir ver o meu garoto! Você vai gostar dele... – Barry diz após olhar o relógio.

Vic se despede de Reni e vai ao pátio com Barry. Lá, o inglês explica ao entrar em seu carro:

 Tenho uma limousine especial encomendada. Vamos buscá-la e pegar o garoto.

 Limousine especial? – Vic pergunta.

 À prova de balas! Não posso dar chances, cara! Esse cara significa negócios... – Barry responde.

Barry leva Vic até um campo de golfe particular chamado Leaf Links, que ficava em uma pequena ilha no meio de Vice City. A limousine blindada já estava lá, estacionada. Já de dentro dela, os dois veem um helicóptero se aproximando e pousando no gramado. De dentro do helicóptero sai um homem de pouco mais de trinta anos, de longos cabelos, com uma roupa bem simples para um grande artista da época. Ele vê a limousine e caminha até ela. Mas a emboscada estava armada. Dois carros chegam ao local derrapando na grama e deles saem vários homens armados, mirando para o artista recém-chegado à cidade.

 Puta que pariu! O desgraçado mandou seu exército para matar o meu talento! – Barry grita, abrindo a porta da limousine para se jogar no chão.

O helicóptero em que o artista estava é alvejado por tiros de metralhadora e explode rapidamente. O piloto morre carbonizado imediatamente. A explosão leva o artista ao chão e ele se arrasta até atrás da limousine, onde já estava Barry. Vic pega sua metralhadora e reage. Ele fecha o vidro da limousine e deixa somente o cano de sua arma para fora. Sua rajada de tiros vai eliminando os homens armados, que estavam um ao lado do outro, provavelmente não esperando reação armada. Os seis homens desabam atirando para cima após serem atingidos. Vic abre a porta da limousine e se aproxima deles dando a rajada de misericórdia. Após tudo se acalmar, os dois ingleses levantam do chão. O artista diz, irritado, para o empresário:

 Olha, Barry. Quando aceitei tocar em Vice City, eu não esperava que esse fosse meu último ato!

 Não tem nenhum problema, cara! É só um babaca tentando aparecer! – Barry responde gritando.

 Ei! Você não é o...? – Vic reconhece o artista.

 Phil, cara. Phil Collins! – o artista inglês é Phil Collins, um dos maiores nomes do rock de todos os tempos.

 Vamos fazer essa apresentação em outro lugar, né? Vamos embora! – Barry grita.

Todos entram na limousine e vão em direção ao hotel onde Phil ficaria em Vice City. No caminho, ele quer saber o que aconteceu.

 Giorgio quer o dinheiro de volta! – Barry grita, impaciente.

 Que dinheiro? Barry, quem são esses doentes? – Phil não entende.

 Fique com sua cabeça abaixada, Phil! – Barry só grita.

 Pelo amor de Deus, Barry! O que foi que você fez dessa vez? – Phil insiste.

 Eu juro pela vida da minha esposa ou pela sepultura da minha mãe! Eu não sei por que ele está fazendo isso! – Barry responde, ainda gritando.

 Nós não deveríamos chamar a polícia? – Phil sugere.

 Isso aqui é Vice City, cara, por favor! Terra de bandidos! Isso não é nada... – Barry finalmente para de gritar.

 Quem é esse Giorgio que você deve dinheiro? – Phil pergunta.

 Ah, é só um fã! – Barry despista – Ele me emprestou, quer dizer, me DEU um dinheiro...

 Barry, você está se metendo com mafiosos!? – Phil fica surpreso e nervoso.

 Não, cara! Eu juro! Pela sua vida! – Barry volta a gritar.

 Era isso que eu estava preocupado! Você é um verdadeiro imbecil! – Phil suspira em negação – Eu deveria era ter te deixado empresariando aquele cachorrinho falante! Qual era o nome dele? Puddles?

O homem que Barry havia pedido dinheiro emprestado era Giorgio Forelli, um dos caporegime da Forelli Family, a famiglia mais poderosa da máfia italiana de Liberty City, ao norte do país. Giorgio, além de comandar os soldados da família, era agiota e trabalhava apenas com grandes quantidades de dinheiro. Na maioria das vezes, seus clientes não conseguiam pagar o que pediam. A vida era o preço. Mexer com famílias da Cosa Nostra era algo evitado até pelos grandes barões das drogas de Vice City. O fato da máfia italiana historicamente não se relacionar com drogas também evitava conflitos.

Vic estava só escutando enquanto dirigia. Ele chega ao imenso Marina Sands Hotel, um dos hotéis mais luxuosos da cidade, localizado em Ocean Beach, e deixa a limousine no estacionamento subterrâneo. Phil e Barry entregam mil dólares a Vic e sobem para a suíte pelo elevador. Vic deixa o hotel a pé e vai dormir na mansão de Lance, que ficava a apenas alguns quarteirões dali. Antes de dormir, Vic ficou tentando descobrir a origem do nome Giorgio e chegou a conclusão de que deveria ser italiano. Logo associou criminosos com nomes italianos a grandes problemas pelo que havia vivido naquele dia. Ele já tinha ouvido falar dos italianos de Liberty City enquanto estava no Exército. Vic adormeceu pensando naquilo. No outro dia, já havia esquecido. Um grave erro.

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