segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Vice City Stories - Parte 19


Vic ainda dormia na casa de Lance quando recebeu uma mensagem em seu pager vinda de Gonzalez. Ele queria que Vic o encontrasse no campo de golfe naquela manhã. Em meia hora, Vic já estava o aguardando no local combinado. Gonzalez chega em um daqueles tradicionais carrinhos que levam jogadores do esporte, acompanhado de três empregados.

 Ah, Vic! Espero que você jogue golfe! – Gonzalez diz alto ao chegar.

 Claro, jogo alguma coisa... – Vic responde.

 Eu jogo alguma coisa o tempo todo. Só não conte para minha mulher, hahaha! – Gonzalez está sorridente, bem diferente da última vez que Vic o viu – Vic, eu acho que o jeito que um homem joga golfe diz muito sobre ele.

 Sério? – Vic dá corda.

 Si! Por exemplo, eu confiei no Jesus ali, mas ele me traiu! – Gonzalez mostra para Vic um homem preso a uma boia no meio do lago em que eles estavam em frente – Haha, eu deveria ter desconfiado, ele é um péssimo golfista. Vamos ver se eu gosto do jeito que você joga, hein? E aí, talvez a gente faça negócios...

O jogo era simples: atirar a bolinha em Jesus, o homem que traiu Gonzalez. Enquanto Vic ia jogando bolas, Gonzalez ia revelando:

 Tenho um acordo que será realizado em breve, Vic. As autoridades de vocês estão decididas a apoiar a tentativa do meu coronel de levar a grande “democracia” para o mundo latino.

Neste momento, Vic acerta uma bola bem na plataforma onde o homem estava amarrado. Ao ser ativada pela pressão da bola, uma bomba acoplada à boia explode e mata Jesus, para o deleite de Gonzalez:

 Hahahaha! Boa! Esse babaca! Ninguém me vende! Boa jogada, Vic!

 Obrigado! – Vic responde.

 Receba isso como um pagamento pelo seu serviço. Entrarei em contato... – Gonzalez tira do bolso mil dólares, entrega a Vic e rapidamente vai para o carrinho em que chegou para que seus homens o tirem dali. Aquele havia sido o dinheiro mais fácil que Vic recebeu desde que saiu do Exército.

Quando estava saindo do campo de golfe, Vic viu que havia uma mensagem de Lance em seu pager que dizia: “Tenha cuidado, mano! O papo nas ruas é que Martínez não está mais sob custódia dos federais!”. Aquilo significaria que o sargento poderia agir pelo tempo em que ficou impossibilitado por sempre ter um policial em sua cola. E Vic era um dos alvos que com certeza Martínez iria atrás, com sangue nos olhos. Vic decide ir até Lance para saber mais sobre essa novidade. Ao chegar à casa de Lance, ele vê o irmão animado no telefone.

 Haha! É isso aí, eu sou Lance T. Vance, baby! “T” de tulipas tailandesas, haha! Ótimo! Mas agora eu tenho que ir! Beleza! Até mais!

 Então, quem era aí? – Vic pergunta.

 Ah, mano, era só o nosso contador. Ele está melhorando nosso nível, limpando o dinheiro! – Lance responde.

 E você chama o contador de “baby”? – Vic desconfia.

 É, ué! Eu sou um cara amigável. E “baby” é uma gíria, saca? Eu não amo o cara. Não sou desse tipo... – Lance explica.

 Beleza, beleza... – Vic se contenta.

 De qualquer modo, a gente tem coisas importantes para se preocupar. Tem gente se beneficiando com o bagulho! Os Mendez estão ficando loucos, e eu disse a eles que a gente resolveria... – Lance diz.

 Aah, essa é a última coisa que eu preciso, acima de qualquer outra coisa... – Vic suspira, sabendo que teria que enfrentar mais guerra.

 Como assim? O que aconteceu? – Lance fica surpreso.

 Ah, cara... É a Louise! – Vic revela – Eu achei que a gente teria alguma coisa, mas a gente não se vê, a gente não pode...

 Sei... Sabe, cara, relacionamentos podem ser difíceis. Acredite em mim, eu sei... Uhum, é isso aí... – Lance tenta confortar o irmão, ao mesmo tempo em que parece incomodado com algo, mas logo trata de mudar de assunto, elevando a voz para animar Vic – Mas, vamos lá, cara! A gente tem alguns ladrões para pegar! E você pode descontar suas frustrações sexuais neles! Vamos lá, vamos detonar!

– É isso aí! – Vic abraça o irmão.

 Você sabe que eu te amo, mano! – Lance diz, mas Vic não dá muita bola e sai da sala.

 Então, quem está roubando o bagulho? – Vic pergunta saindo da casa.

 O que? Ah, err, os... – Lance se enrola para explicar a situação para o irmão – Os... Motoqueiros!

 Tem certeza? – Vic percebe.

 Sim, claro que eu tenho! – Lance grita.

 Não parece... – Vic provoca.

 Bem, então acho que vou ter que provar para você! – Lance se irrita e se aproxima do helicóptero que estava em seu heliponto – Você voa e eu detono, hahaha!

Lance se prende ao banco do helicóptero e deixa a porta aberta para atirar. Ele carrega um fuzil consigo. Vic levanta voo e vai até onde Lance indica: Starfish Island. Estava acontecendo um desfile de motoqueiros pela ilha milionária. Quando se aproximam, Lance diz:

 Já consigo ver um monte desses filhos da puta feiosos lá embaixo. Chega mais perto, vou detonar umas cabeças!

A rajada de tiros do fuzil atinge vários motoqueiros, os outros aceleram.

 É isso aí! Corram, suas mocinhas! – Lance grita – Eu sou muito bom e sou mau!

Os motoqueiros aceleram com tudo até chegarem a uma casa onde havia vários deles, ao lado de um grande hotel em construção. Eles invadem a construção para se defender. Atiram de volta contra o helicóptero dos irmãos Vance do teto da construção e também possuem fuzis. O helicóptero começa a balançar com os tiros recebidos na hélice. Vic não consegue manter o controle e diz:

 Fomos atingidos!

 AAAH, MERDA! – Lance se solta do cinto de segurança com as chacoalhadas e despenca do helicóptero.

 LAAAAAAAAAAANCE! – Vic se desespera ao não ver mais seu irmão no helicóptero.

O helicóptero começa a girar com muita força e uma labareda aparece na hélice. Vic se vê obrigado a pular também. Mas ele não pularia para a morte. Com sua habilidade ao controlar helicópteros, Vic se aproxima do teto do hotel e se joga no chão de uma altura razoável. O helicóptero cai no prédio, mas desaba. Ele explode quando bate no solo. Vic só fica com uma submetralhadora que carregava preso a sua cintura. E é com ela que ele vai limpando caminho pela construção, que tinha alguns motoqueiros por dentro. Descendo vários andares, Vic começa a ouvir uma risada bem familiar e inconfundível. Ele sente um alívio imediato ao saber que o irmão não estava morto, que devia ter caído em algum material que amorteceu a queda no teto do prédio.

 Lance, você está aí? – Vic grita.

 Ei, Vic! Olha o que eu encontrei! – Lance responde e aparece pilotando uma moto dos motoqueiros dentro da construção.

 Você está vivo, haha! Achei que você tinha morrido! – Vic sorri.

 Não, cara! Eu caí em cima de alguns motoqueiros macios. Agora tenho uma nova moto, é isso aí! – Lance brinca.

 Isso tanto faz! Agora cadê a cocaína roubada? – Vic se volta para o principal motivo da aventura.

 Ah... Sim... Eles já devem ter vendido. Desgraçados! Te vejo depois, mano! – Lance claramente inventa uma desculpa e sai acelerando sua moto em direção a uma rampa que dava para uma janela aberta. Lance irresponsavelmente deixa seu irmão sozinho na construção, que ainda poderia ter motoqueiros.

 Eu não sei por que me preocupo algumas vezes... – Vic suspira, já acostumado com a imbecilidade do irmão. Por sorte, havia outra moto deixada pelos motoqueiros na construção. Vic faz o mesmo que o irmão minutos antes.

O pager de Vic toca e lá está uma mensagem de Armando: “Nosso ‘produto’ ainda está sumido. Não foda com a gente, Vic. Resolva essa situação”. Provavelmente ter levado toda a polícia de Vice City para o quintal dos Mendez irritou Armando e o fez gastar uma pequena quantia para se livrar da situação. Vic havia perdido totalmente o medo dos colombianos. Se eles jogavam sujo, então receberiam um jogo sujo também.

Vic vai até Reni. Ela está dirigindo um de seus filmes exóticos em um dos estúdios da Interglobal reclamando sobre a incapacidade de seus atores de fazerem o que ela queria, o que era uma rotina em sua vida.

 Reni. Você tem alguns contatos para mim? – Vic interrompe os lamentos de Reni.

 Querido, compradores de enormes quantidades de cocaína nascem em árvores? – Reni está irritada e gritando – Talvez na sua cidade, mas na minha não!

 Ok. Então por que você continua me chamando para vir aqui? Olha só, eu estou nisso para ganhar dinheiro! Pelo meu irmão! Eu não tenho tempo para perder! – Vic também se irrita.

 Querido, isso é lindo! Um dia irei fazer um filme sobre isso! – Reni se acalma e acalenta Vic – Dois irmãos, um é um cachorro e o outro é um intelectual. O amor brota entre um homem... E um porco. Três cisnes morrem. Fim. Genial!

 Ah, tanto faz... – diz Vic ao ver a empolgação de Reni e Frankie, que já quase chora – Mas enquanto isso eu tenho negócios para administrar. E preciso ganhar dinheiro!

 Mas, querido, espere! Se é dinheiro que você precisa, talvez você possa respirar vida nessa bagunça toda! Alguém queime o script! Vamos fazer arte, pessoal! – Reni grita e pede para Vic participar de uma cena de perseguição que ela quer filmar.

Vic acaba aceitando o papel, pois não conseguiria nenhuma informação relevante aquela tarde. Ganhar um dinheiro por encenar poderia salvar o dia. A cena seria filmada por helicóptero e Vic teria que fazer um caminho de jetski pelo mar. Tudo foi feito rapidamente. Vic desceu por um píer atrás dos estúdios e andou com o jetski enquanto Reni falava pelo helicóptero com seu megafone por aproximadamente meia hora. Ao final da ação, ele recebeu oitocentos e cinquenta dólares e foi embora.

No caminho para casa, Vic ouve a notícia de que os peritos da polícia foram até a construção em que ele e Lance haviam matado motoqueiros naquela manhã e que nenhum vestígio de droga foi encontrado no local. Aquilo era estranho, pois Lance havia garantido que lá havia droga roubada pouco antes dos irmãos chegarem. Qual seria o motivo de Lance ter mentido?

Um comentário:

  1. Muito obrigado pelo capítulo, já estou ansioso pelo próximo! rs. Continue assim, bro!

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