quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Vice City Stories - Parte 22


Ricardo Díaz era o atual maior inimigo dos irmãos Mendez em Vice City. Era um colombiano de quarenta e dois anos, baixinho, calvo, gordo e com um ridículo bigode fino. Ele usava camisas floridas abertas, mostrando seu peito bem peludo cobrindo uma cruz de prata pendurada a um grosso cordão. Era milionário. Fez sua fortuna com seu cartel na Colômbia e se mudou para Vice City em 1978. Conseguiu sua legalidade subornando funcionários do INS (Immigration and Naturalization Service). Era falador e muito nervoso, provavelmente foram essas características que o levaram ao sucesso no mundo do tráfico. O chamado para ver Vic Vance através de Reni era óbvio: Díaz queria seus maiores inimigos de negócios mortos. Nada melhor do que alguém infiltrado no meio deles.

Vic recebe um telefonema de Reni. Ela diz o endereço de Díaz. Ele morava na maior mansão de Starfish Island. Fora construída a mando dele, portanto ainda havia obras sendo realizadas no exterior. A mansão tinha uma imensa escada central em frente a porta principal em seu lobby, que levava ao escritório de Díaz e a corredores com quartos. Todas as paredes eram revestidas de veludo vermelho. Ao chegar à mansão, Vic é levado ao o escritório do dono. Ele está contando seus dólares em uma máquina de contagem automática enquanto fuma um grande charuto. Vê Vic na porta e abre um largo sorriso:

 Hahaha! Então você é o Vic!

 Sim. E você? Você é o Díaz? – Vic responde.

 Não, eu sou o Papai Noel... – Díaz ironiza – Eu ouvi bastante de você: Mr. Big, o amigão dos Mendez...

 Eu não diria que somos exatamente amigos... – Vic diz.

 Tanto faz. Eu ouvi dizer que você não é muito aberto, amigo, mas dá uma porra de um sorriso! A vida é incrível, olha para mim! Tenho pornografia, tenho drogas, tenho dinheiro. Sou feliz! – Díaz tenta se vangloriar, o que não tira um sorriso de Vic.

 Legal. Bom, eu também. Eu não quero vender drogas, mas não tenho chance por enquanto... – Vic responde.

Lance aparece saindo do banheiro do escritório de Díaz. Ele fica surpreso ao ver Vic, que fica em choque ao vê-lo, mas ambos não falam nada.

 Nossa, Quentin, você não disse que seu irmão era tão chato! – Díaz se refere a Lance como Quentin.

 Vic!? – Lance diz, puxando seu zíper.

 Quentin!? – Vic fica surpreso com o nome falso usado por Lance, mas sua pergunta soa como se ele estivesse surpreso com a presença do irmão ali. Díaz não desconfia.

 Bom te ver, cara. Reni me mandou até aqui. Ricardo e eu temos conversado... – Lance diz, meio inseguro.

 Hehehe! Gostou dela? – Díaz pergunta a Lance. Aparentemente ele havia dado uma puta para Lance se satisfazer no banheiro.

 Hehe, sim, ela é boa... – Lance diz sem graça, mas forçando dureza.

 Ela sabe vários truques para uma garota nova, né? – Díaz diz.

 Lance, você é patético! – Vic se enoja com a conversa e acaba dizendo o nome do irmão, mas Díaz não percebe.

 É isso aí, Quentin! Só levou três minutos! Pegue um cigarro, descanse, hahaha! – Díaz dá gargalhadas.

 Hahaha! Vou pegar mesmo! – Lance também ri.

 Então, vocês vão me ajudar? – Díaz pergunta aos dois.

 Claro, baby! Vamos fazer você virar uma estrela! – Lance grita ao se jogar em um grande sofá.

 Cala a boca, seu idiota! – Vic se irrita com a gritaria do irmão e pergunta a Díaz – Beleza, do que você precisa?

 Gonzalez acha que ele pode mover produtos sem me pagar. Ele deve estar armando alguma coisa! Ele tem escondido algumas coisas pela costa. Talvez os Vances possam pegar o negócio! – Díaz se refere à mercadoria que Gonzalez pediu a Vic para proteger alguns dias antes.

 Tudo bem. Vamos, imbecil! – Vic aceita e chama Lance, que estava cheirando cocaína na mesa de centro.

Ao chegar ao carro de Lance, Vic diz:

 Vice City é uma cidade imensa. Essa merda pode estar em qualquer lugar...

 Esse Gonzalez... Você reconheceria os homens dele? – Lance pergunta.

 Talvez... – Vic responde.

 Ótimo! Porque se eu estivesse em uma cidade grande com algumas horas para passar, eu iria ficar doidão com um mano, ou me deitar com uma mina! E eu sei onde os “forasteiros” fazem as duas coisas... – Lance tem um momento de lucidez impressionante e vai em direção ao Pole Position, um clube de striptease em Ocean Beach.

No caminho, Vic se lembra que Lance estava na casa de Díaz antes dele e pergunta:

 Você acha que podemos confiar em Díaz?

 Meu amigo Díaz é um homem de negócios! – Lance responde.

 Ótimo! Isso é um “não” então... – Vic ironiza novamente.

Lance e Vic chegam ao clube e estacionam o carro na rua lateral, com uma boa visão da entrada. Estavam próximos da casa de Lance, inclusive.

 Fique com os olhos atentos! – Lance diz a Vic – Se você reconhecer algum cara do Gonzalez, me fala!

 Isso é idiotice! Não tem como nós... – Vic já ia desdenhando da ideia de Lance quando vê um carro que já havia visto antes parar em frente ao clube e um homem saindo lá de dentro entrar – Eu não acredito! É um dos caras dele ali!

 Cara, eu sou bom, hahaha! Às vezes eu me assusto comigo mesmo! – Lance se gaba – Aposto que ele nos levará direto para a mercadoria. Vamos ficar na cola dele!

 Como você sabia que ele estaria aqui? – Vic pergunta enquanto Lance começa a seguir o carro dos homens de Gonzalez.

 Todo mundo que é de fora da cidade vem para cá querendo ficar chapado e fazer sexo. Comigo foi assim... – Lance diz.

O carro estaciona em um píer em frente a um parque de diversões e o homem que saiu do clube sobe em um jetski e vai em direção ao alto-mar. Por sorte, ali era a rua do apartamento que Vic havia comprado há muito tempo, e ele também tinha um jetski na garagem. Lance e Vic rapidamente levam o jetski de Vic para a água e uma nova perseguição começa, dessa vez com Vic sozinho. Novamente ele fica distante do homem para que não levantasse suspeitas. Vic segue o homem até uma plataforma cheia de casas de madeira que ficava flutuando no meio do oceano. Ao chegar perto, Vic percebe que era possível ver a mansão de Lance, finalmente entendendo o motivo de seu irmão ter comprado ali.

O homem estaciona seu jetski em um dos píeres da plataforma e vai em direção a uma das casas. Vic esconde seu jetski atrás de uma dessas casas e de lá vê uma imensa lancha ligada e lotada de pacotes de drogas, deveria haver quase meia tonelada de pó ali. Vic olha ao redor e vê apenas um segurança vigiando a área em uma varanda. No momento em que ele vira as costas, Vic sai correndo e pula na lancha e acelera. Ao ouvir o barulho, o segurança abre fogo contra Vic, que se abaixa e pisa o mais fundo que pode no acelerador. Ele consegue sair da plataforma, felizmente sem ser perseguido, pois aparentemente o lugar estava vazio. Vic segue reto pelo mar até Starfish Island, onde havia um píer atrás da mansão de Díaz. Um dos homens de Díaz recebe a droga. O pagamento do serviço era de mil e quinhentos dólares. Mas, além de tudo, Vic se sentia vingado por Gonzalez ter tido tamanha falta de confiança com ele. A guerra entre Gonzalez e Vic Vance estava declarada.

Ao voltar do roubo de mercadoria, Vic vai novamente ao escritório de Díaz. O traficante estava recebendo dois funcionários para experimentar sua cocaína pura, verificando o que estavam vendendo em seu nome.

 Ah, Vic! Graças a Deus, finalmente alguém que não está perdido! – Díaz se anima ao ver seu novo parceiro.

 Ei, Díaz... – Vic o cumprimenta novamente.

 Deixa eu provar... – Díaz novamente cheira mais uma parte do pó em cima da mesa, onde seus funcionários aguardavam sua reação, e rejeita – Se eu quisesse cheirar leite, eu chuparia uma vaca, porra! Idiota! Não corte tanto assim!

 O que você está fazendo? – Vic pergunta.

 Estou jogando dos dois lados. Vou fazer um pequeno acordo com a DEA, passo uns duzentos quilos dessa cocaína que você e Quentin roubaram de Gonzalez. De troco, eles me darão boas armas, não esse brinquedo! – Díaz aponta um revólver para todos na sala e atira na parede, para o desespero geral.

 Ok... – Vic percebe que deverá se acostumar com o temperamento do colombiano.

 Hahaha! Mas primeiro estamos separando a cocaína, eles pegam esses duzentos quilos e eu fico com o resto, comprende? Mas nós temos que fazer a mistura correta. Deixa eu ver de novo... – Díaz mistura inglês com espanhol e novamente prova o pó que estavam preparando e dessa vez quase entra em transe com a droga, mas logo volta o foco ao trabalho – Ah! Perfeito... Beleza! Ensacolem isso e carreguem o carro para Vic. Mas deixem um pouco para mim, estou precisando...

Vic espera alguns minutos e quando sai da mansão já há uma van carregada de drogas o aguardando. Dentro havia um dos homens de Díaz que estava no escritório. Ele iria dizer o caminho para a entrega ser feita.

 O chefe me mandou ir junto para evitar de você decidir levar embora essa mercadoria... – o homem revela a Vic.

O encontro seria no centro da cidade, em um estacionamento atrás de um comércio. Lá já estava um carro com quatro homens de Díaz fortemente armados, que aguardavam a van.

 Bem na hora, señor. A DEA vai chegar em alguns minutos com nossas armas! – um dos homens diz a Vic.

Vic ainda olhava este homem falar quando a cabeça dele explodiu em sua frente. O homem havia tomado um tiro de sniper e teve morte instantânea. Vic olhou para cima e virou vários atiradores nos terraços dos prédios em volta ao estacionamento. Aparentemente era uma armadilha da DEA. Ele se joga atrás da van, enquanto os homens de Díaz tentavam revidar os tiros, sem sucesso. Dois homens foram atingidos, sobrando apenas um. Um dos homens de Díaz, antes de morrer, reconheceu um dos atiradores e gritou que eram homens de Gonzalez. A resposta ao roubo veio extremamente rápido, pensou Vic. Com a DEA chegando em poucos minutos, o acordo seria arruinado. Então, Vic tinha que fazer alguma coisa. Ele entra na van e puxa uma sniper que estava na parte de trás. De dentro da cabine, consegue acertar dois dos atiradores de Gonzalez. Isso já os assusta e os fazem ir embora. Vic e o homem que sobrou, Enrico, tratam de limpar a área para os agentes da DEA não se assustarem com o ambiente. Eles colocam os corpos dos homens mortos dentro do carro em que eles chegaram e o estacionam em cima da poça de sangue que se formou.

Em alguns minutos, chega um caminhão e uma caminhonete com vários homens com coletes da DEA. Enrico comanda o acordo, que é feito. Os agentes da DEA ficam com a van cheia de drogas e entregam o caminhão cheio de armas. Rapidamente todos saem dali. Vic dirige o caminhão de volta até a mansão de Díaz, com alguns infortúnios pelo caminho, mas nada que atrapalhasse o fechamento do acordo. Ele recebe mil e setecentos dólares de Díaz e o convite de voltar para mais trabalho. O comportamento de Vic no acordo agradou muito a Díaz, que o viu como um bom homem para se ter ao lado.

Logo o pager de Vic toca e lá está uma mensagem de Gonzalez: “Vic, meu velho amigo... Eu apreciaria uma pequena ajuda sua uma última vez. Por favor! Por favor!”. Claramente aquilo era uma armadilha. Talvez Gonzalez tenha achado que Vic não saberia que não eram agentes da DEA nos telhados dos prédios ao redor do acordo e sim seus homens. Mas Vic ficou curioso em descobrir o que Gonzalez falaria para ele. Marcou de se encontrar ainda naquela noite. Com Vic, iria um exército de prontidão.

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