sábado, 19 de setembro de 2015

Vice City - Parte 2


O avião com Tommy, Harry e Lee pousa no solo de Vice City exatamente às cinco da tarde. Os três desembarcam e vão direto para a entrada do Escobar International Airport, o aeroporto da cidade. Lá havia um carro prata estacionado com um homem magro, de cabelos ruivos e enrolados, de grandes óculos e um comportamento inquieto. Era Ken Rosenberg. Ele vê os três se aproximando e sai de seu carro:

 Ei, ei, caras! Sou o, err, Ken Rosenberg! Ei, ei, ei, ótimo, ei! Eu vou levar vocês para o encontro, ok? Eu já falei com os fornecedores e eles estão com muita vontade de começar uma relação de negócios, então, se tudo der certo, nós devemos, err, nos tratar muito bem, sabe?

Os italianos apenas entram no carro estacionado, todos em silêncio. Aquele advogado era realmente um idiota, como disse Marco Forelli.

 Ok, então, eles são irmãos. Um opera os negócios e o outro voa... – diz Ken enquanto dirige.

O carro com o advogado e os italianos chega às docas ao lado do porto da cidade, onde ficava o salão de tiros de Phil Cassidy. Todos ficam dentro do carro aguardando um helicóptero chegar. Após algumas horas, ainda antes de escurecer, um helicóptero preto se aproxima e pousa no local.

 Ok, são eles no helicóptero. O acordo é esse: eles querem uma negociação franca em um local aberto, beleza? Ok, fiquem ligados! Vamos lá! – Ken avisa aos homens, que saem do carro.

Dentro daquele helicóptero estão duas pessoas da cidade que tinham influência o bastante para negociar com os Forellis de Liberty City. Dois traficantes de alto nível: Lance e Vic Vance.

Voltando dois anos no tempo, Vic e Lance foram para a cidade de Reddick após acabarem com todos os seus inimigos diretos pelo comando do tráfico de drogas em Vice City. Vic não queria mais saber daquele ramo, mas Lance sempre quis continuar, tanto que, mesmo com a insistência do irmão, não se desfez dos últimos vinte quilos de cocaína que conseguiu na cidade antes de os dois partirem juntos. Durante todo o ano de 1985, os negócios de Vic em Vice City foram sendo destruídos ou desmontados pela polícia, que depois dos acontecimentos de 1984, teve um grande reforço providenciado pelo governo americano, tendo em vista o aumento gigantesco do tráfico de drogas, da criminalidade e do domínio de gangues e cartéis latinos na cidade naquele momento. Então, no reveillón de 1986, os irmãos Vance decidiram começar de novo, voltariam a construir seu império através do tráfico. E aqueles vinte quilos que Lance guardou seriam o primeiro passo. E nada melhor para uma volta promissora do que negociar com peixes grandes: a máfia italiana do norte do país.

Lance pilotava o helicóptero, que vinha de Reddick, e Vic estava com duas maletas. Ele sai do helicóptero e anda em direção aos italianos, que também seguravam duas maletas.

 Estão aí? – Tommy pergunta a Vic.

 Cem por cento pura, colombiana tipo A, meu amigo! – Vic responde.

 Deixa eu ver... – Tommy pede.

 As verdinhas? – Vic pede para ver o dinheiro.

 De dez e de vinte. Usadas! – Tommy diz enquanto Harry e Lee abrem as malas com os três milhões.

 Acho que o negócio está fechado, meu amigo, hahaha! – Vic se enche de felicidade.

Mas a felicidade de Vic dura segundos. Atrás de caixotes dentro do galpão de Phil, que estava aberto, três homens fortemente armados se escondem. Todos estão vestindo roupas pretas e capuzes para esconderem o rosto. No momento em que Vic entregaria a cocaína para Tommy, aqueles homens encapuzados abrem fogo contra todos naquela negociação. Os tiros acertam Vic em cheio, assim como Harry e Lee. Embora Vic estivesse usando colete, dois tiros de fuzil acertaram sua cabeça, que ficou completamente desfigurada. Vic morreu na hora. Lance, do helicóptero, vê a cabeça de seu irmão explodindo e a única reação que tem é levantar vôo imediatamente  em direção ao mar. Ele voa de volta para Reddick em estado de choque, não conseguindo perceber direito a dimensão do que acabara de acontecer.

Tommy milagrosamente consegue sair correndo em direção ao carro de Ken. Ele toma vários tiros de raspão e se joga no carro pela janela traseira e grita desesperadamente:

 Vai! Tira a gente daqui! Dirige!


Ken arranca com o carro e logo sai de Viceport. A viagem até seu escritório, em Vice Beach, é marcada pelo completo silêncio, tanto de Ken, que dirigia de olhos arregalados e com a garganta seca, quanto de Tommy, que estava pensativo, deitado no banco traseiro. Para quebrar o clima péssimo, Ken liga o rádio do carro e a música “Wow” de Kate Bush começa a tocar. A cada refrão da música, que dizia “Wow, wow, wow, unbeliavable!”, Tommy concordava. Era inacreditável o que tinha acontecido naquele início de noite. Tudo parecia estar caminhando para um ótimo recomeço na vida de Tommy Vercetti e uma grande conquista da família Forelli, mas o destino não quis que fosse assim. Ou melhor, alguém não quis que fosse assim.

 Coloco minha cabeça para fora da janela por um segundo e o destino caga nela... – Ken finalmente fala quando estaciona seu carro ao lado de seu escritório.

 Vá dormir um pouco... – Tommy diz, ainda deitado.

 O que você vai fazer? – Ken pergunta.

 Passo aqui no seu escritório amanhã e começamos a resolver essa merda... – Tommy diz ao sair do carro.

O escritório de Ken Rosenberg era o K. Rosenberg & Co., uma pequena sala com móveis de madeira que ficava dentro do simples Hotel Harrison. Tommy olha o lugar e percebe que, por mais que Ken Rosenberg se envolvesse com a máfia, ele não teve capacidade suficiente para ter bens, como um escritório que não ficasse em um velho prédio com arquitetura latina. O hotel de Tommy já estava reservado, ele ficaria no Ocean Beach Hotel, que ficava na orla de Washington Beach. Ele vai para lá de táxi, deita na cama de seu quarto e decide ligar para Sonny Forelli para explicar o que tinha acontecido. O telefone chama uma vez e pára. Alguém tinha atendido, mas não falava nada.

 Alô, Sonny... – Tommy diz.

 Tommy! Tommy, há quanto tempo! – Sonny saúda seu velho parceiro.

 É... – Tommy não sabe o que dizer.

 Eu sei, eu sei! Você está sobrecarregado pela emoção... Quinze anos, parece que foi ontem! – Sonny diz.

 Acho que isso é uma questão de perspectiva... – Tommy discorda.

 Ei, cumprir pena pela família não é fácil, mas ela cuida de todos que pertencem a ela, ok? – Sonny fica um pouco irritado – Então, como foi o acordo? Você já está sentado no ouro branco?

 Olha só, Sonny. Nós fomos pegos! O acordo foi uma emboscada! Harry e Lee morreram! – Tommy senta na cama.

 É melhor você estar brincando comigo, Tommy! Me diga que você está com o dinheiro! – Sonny se irrita.

 Não, Sonny... Eu não estou com o dinheiro... – Tommy diz.

 Aquele era meu dinheiro, Tommy! MEU DINHEIRO! – Sonny bate o telefone na mesa de reunião do Marco’s Bistro, onde estava – Acho bom você não estar tentando me ferrar, Tommy, porque você sabe que eu não sou um homem fácil de ser ferrado!

 Calma, Sonny! Você tem minha garantia de que eu vou pegar seu dinheiro de volta e as drogas! E que eu vou pegar todos os desgraçados que foram responsáveis por isso! – Tommy responde.

 Ei, eu já sei disso. Você não é idiota, Tommy. Mas eu te aviso que eu também não sou... Se eu fosse qualquer outra pessoa, você já estaria MORTO! Mas como é você, como nós temos história, eu vou deixar você resolver isso... – Sonny diz, já mais calmo.

 Sonny, você tem minha palavra! – Tommy garante.

 Entro em contato... – Sonny diz e desliga o telefone.

Tommy joga o telefone do hotel no chão de tanta raiva que estava sentindo naquela noite. Tudo que tinha planejado durante toda a tarde naquele vôo não valeu de nada, alguém tinha que estragar tudo. Mas o que ele não sabia era que enquanto falava por telefone com Sonny, toda a droga e o dinheiro do acordo que tinha acontecido quatro horas antes daquela ligação já estavam dentro do Marco’s Bistro, em Liberty City. A emboscada para Tommy foi armada pelo próprio Sonny. Tudo fazia parte do plano que tramou naquele mesmo local um dia antes da libertação de Tommy. O ex-presidiário sobreviveria propositalmente ao ataque e teria a obrigação de ir atrás de quem tinha impedido o acordo de acontecer e roubado o dinheiro e as drogas. Com certeza, Tommy iria atrás de grandes barões do tráfico da cidade, eles seriam os primeiros suspeitos. E com a grande capacidade assassina de seu ex-soldado, Sonny confiou que Tommy abriria o caminho para a família Forelli se tornar dona de Vice City, sem inimigos para se preocuparem. Se Tommy Vercetti sobreviveria após a chegada de Sonny Forelli a Vice City? Só o tempo pode responder.

Um comentário:

  1. Muito bom, cara! Li alguns diálogos aqui e me lembrei das cutscenes do jogo hee muito bom mesmo!

    ResponderExcluir