quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Vice City - Parte 3


Pela manhã, Tommy volta ao escritório de Ken para começar a traçar planos para recuperar o dinheiro e a droga de Sonny. Tommy já estava calmo, mas Ken Rosenberg ainda estava em chamas, desesperado, não tinha dormido naquela noite.

 “Vá dormir um pouco”, ele diz, hahaha! Eu fiquei sentado nessa cadeira a noite toda com as luzes apagadas tomando café! – Ken andava de um lado para o outro atrás de sua mesa enquanto Tommy olhava a janela – Isso é um desastre. A gente está muito ferrado, cara! Esses gorilas, escuta só, vão voar aqui para o sul e arrancar minha cabeça! É ridículo! Eu não fui para a faculdade de Direito para isso! Ok, que merda a gente vai fazer agora?

 Cala a boca, senta e relaxa... – Tommy diz tranquilamente enquanto se senta e põe os pés na mesa de Ken – Vou te dizer o que vamos fazer. Você vai descobrir quem pegou nossa cocaína. Aí eu mato ele.

 É uma boa ideia, é uma ÓTIMA ideia! Deixa eu pensar, deixa eu pensar, deixa eu pensar...Ah! Tem um coronel aposentado, coronel Juan García Cortez! Foi ele que me ajudou a arrumar esse acordo bem longe dos reis do crime de Vice City, ok? Agora escuta, ele está dando uma festa na baía em seu caríssimo iate. E todos os peixes grandes de Vice City estarão lá, ok? Eu tenho um convite, é claro que tenho um convite, mas não tem chance de eu ir lá, colocar minha cabeça para fora dessa porta, sem chance! Não vai rolar! – Ken começa a se desesperar mais ainda.

 Eu te disse para calar a boca! Estou indo lá! – Tommy se irrita, se levanta e pega o convite da mão de Ken.

 Uou, uou! Ei, eu gosto de 1978 também, mas, sabe, lá não vai ter cerveja e strippers! – Ken ridiculariza a roupa de Tommy, um pouco fora de moda – Digo, sem querer ofender, mas acho que vão ficar olhando para você pelos motivos errados, haha!

 O que tem de errado com a minha roupa? – Tommy não entende.

 Ok, olha aqui, dê uma passada no Rafael’s, diga que eu te mandei. Ele vai te fazer parecer respeitável... – Ken entrega um endereço de uma loja escrito em um papel.

Tommy vai até a loja de roupas finas Rafael’s contra sua vontade, ele gostava daquela camisa azul florida que vestia. Ele teria que se vestir igual os ricaços da cidade para estar perto deles, e aquilo o incomodava. Tommy novamente chama um táxi para ir até a loja, dinheiro não faltava mesmo. A loja não ficava muito longe dali e logo ele já estava com roupas iguais as de Ken: terno aberto de cores vivas e sapatos mocassins. Mas completamente desconfortável. Talvez para desfazer esse desconforto, Tommy decide não voltar para aquele táxi. Ele dispensa o motorista e avista uma bela moto Freeway sendo estacionada naquela rua. Era exatamente aquele tipo de moto robusta que Tommy adorava quando era jovem, antes de ser preso. Decide roubá-la, já fazia quinze anos que não fazia aquilo. E foi tão fácil como era em 1971.

Tommy chega ao Pier 2 da Ocean Bay Marina, onde ficavam todos os grandes iates da cidade. De lá, já vê o maior iate de todos com várias pessoas a bordo e um som alto, a festa era lá. Ele apresenta o convite que Ken o entregou e vai ao terceiro andar do barco, onde todos estavam dançando.

 Buenas noches! – um homem acompanhado de um marinheiro recepciona Tommy, era o coronel Cortez, com seus quase sessenta anos e cabelo grisalho – Entendo que você está aqui em nome do senhor Rosenberg. Espero que os recentes problemas não tenham afetado a saúde dele ou o bem-estar mental, senhor...err...?

 Vercetti! – Tommy responde – Ele só está com um pouco de... agorafobia! Hahaha!

 Haha! Excelente, excelente! E você? – Cortez pergunta.

 Eu só quero minha mercadoria... – Tommy é franco.

 Ah, é uma infeliz sucessão de circunstâncias para todos os envolvidos. Claro que já iniciei minhas próprias linhas de investigação, mas um assunto tão delicado requer tempo. Vamos falar disso mais tarde. Enquanto isso, deixe-me te apresentar minha filha. Mercedes! – Cortez chama sua filha – Caramia, você pode acompanhar nosso convidado enquanto resolvo minhas necessidades obrigatórias?

 Claro, papai... – responde uma jovem e bela latina de cabelos curtos, assim como suas roupas, e andar sensual.

 Por favor, com licença... – Cortez vai para outra área do barco.

 Mercedes? – Tommy pergunta à garota.

 Acostume-se... – responde Mercedes com um olhar provocativo – De qualquer forma, vou te apresentar alguns dos nossos convidados mais interessantes. Aquele ali é nosso deputado Alex Shrub com a recém-estrela do silicone Candy Suxxx...

 Você tem visto minha amada esposa Laura? Não? Bem, infelizmente ela está no Alabama. Essa é Candy! – Shrub, um jovem político, conversa com um homem, acompanhado de uma mulher ruiva com super peitos e biquíni apoiada em seu ombro.

 E ali temos a estrela dos Vice City Mambas, BJ, sempre charmoso... – Mercedes aponta para um grupo de três pessoas conversando.

 Eu bloqueei o cara e depois ele foi parar numa cadeira de rodas, hahaha! – BJ, um jovem atleta negro e musculoso se gaba de seus feitos no futebol americano.

 Haha! Essa é boa! Bem, eu estou procurando boas propriedades... – responde para BJ um velho homem de chapéu de cowboy e bigode, seu nome era Avery Carrington.

 E ali, aquele anfíbio ao lado da piscina é Jezz Torrent, vocalista da Love Fist... – Mercedes mostra outro cara.

 Deixa eu falar para vocês! – um roqueiro com forte sotaque escocês, branquelo, de longos cabelos pretos, maquiagem, bandana vermelha e sem camisa diz para duas garotas que o cercam sentado em uma cadeira de tomar sol – Vocês sabem como jogam pingue-pongue na Tailândia? Deixa eu falar para vocês: eles não usam raquetes, se é que vocês me entendem...

 Impotente... – Mercedes desdenha de Jezz – E o trio conversador ali tem aquela bola de suor com sono que é o braço direito idiota do meu pai, Gonzalez. Os outros dois são Pastor Richards e o pseudo-intelectual diretor de filmes Steve Scott.

 ...a paixão pelas ninfas invasoras, quando um tubarão gigante aparece e arranca os pintos deles! Você nunca viu nada igual, né? – Scott falava sobre seu recente filme para Gonzalez, que estava deitado em uma cadeira igual a de Jezz.

Nesse momento, quem aparece no iate é um pequeno notável da cidade, acompanhado por dois seguranças gigantescos. Era Ricardo Díaz.

 CORONEL! – Díaz grita, chamando a atenção de todos ali – Suas festas são sempre triunfantes, hahaha! Só posso me desculpar pelo meu atraso...

 Ah, de nada, amigo! – Cortez corta as desculpas de Díaz, parecia não fazer muita questão de sua presença – Como você se encontra?

 Nossos negócios estão sendo incomodados. Bárbaros no portão! É tempo de recompensar nossos amigos e liquidar nossos inimigos, amigo! – Díaz diz.

 Quem é o tagarela? – Tommy pergunta a Mercedes.

 Ricardo Díaz, o senhor cocaína! – Mercedes responde.

 MERCEDES! – Díaz vê Mercedes de longe e acena.

 Ah, eu estou levando meu amigo de volta para a cidade! Outra hora, Ricardo! – Mercedes se esquiva e cochicha com Tommy – Vamos sair daqui, me leve ao Pole Position Club!

Tommy e Mercedes voltam para terra firme e vão juntos para o Pole Position com a moto roubada. No caminho, a garota faz várias perguntas:

 Você vai trabalhar para o meu pai?

 Talvez... – Tommy responde.

 Você se importa se eu colocar minha mão no seu colo? – Mercedes investe.

 Talvez... – Tommy repete.

 É tão difícil ter um pai rico e poderoso...Vamos! – Mercedes se lamenta e ao mesmo tempo provoca.


Ao chegar ao clube, Mercedes sai da moto e vai rebolando até a porta de entrada.

 Vejo você pode aí, bonitão... – ela provoca.

 Com certeza vai ver... – Tommy responde.

Ele volta imediatamente ao escritório de Ken. Havia novidades para contar. Com certeza, algum daqueles homens no iate estava por trás do atentado e do roubo da cocaína, era o que pensava Tommy.

 Ah! Espero que você tenha se divertido, porque eu estava perdendo a cabeça de preocupação aqui! O que você descobriu? – pergunta Ken.

 Que há mais criminosos nessa cidade do que na prisão. Precisamos de um contato nas ruas... – Tommy responde.

 Ok, deixa eu pensar, deixa eu pensar, deixa eu pensar... Ah, já sei! Tem um inglês aí, um idiota do ramo musical, que atende pelo nome de Kent Paul. Enfim, esse cara tem o nariz enfiado na maioria das bundas de Vice City! Se alguém sabe desses vinte quilos de cocaína, é esse cara! Ele está sempre no Malibu! – diz Ken.

 Vou fazer uma visita a ele... – Tommy sai do escritório.

 Pega leve! – Ken adverte.

Kent Paul, ou melhor, apenas Paul, era um jovem loiro britânico de vinte e um anos, da cidade de Kent, Inglaterra. Foi para Vice City em 1982 aos dezessete anos para buscar espaço na cena musical da cidade, mas logo seu vício em drogas o levou para perto de todos os traficantes da cidade. Todos. Quatro anos depois, ele já conhecia todas as pessoas que vendiam, compravam, todas as conexões, todos os esquemas do crime organizado dali. Chegou a tal ponto de conhecimento sobre tudo que começou a cobrar para passar informações.

Mas Tommy Vercetti não era homem de pagar para conseguir informações. Se ele conseguia intimidar inimigos aos vinte anos em 1971, imagine agora com trinta e cinco. Ele foi até o Malibu Club e perguntou por Kent Paul a um segurança. Logo viu quem procurava no bar. Percebeu que aquele cara também estava no iate de Cortez mais cedo.

 De onde você é? Tenho procurado um passarinho como você por eras, amor... – Paul tenta dar em cima de uma mulher no bar – Kent Paul, amor. Sim, sou o maior daqui. Resolvo tudo, vou te tratar bem, tudo que você quiser eu vou te dar, garota. Não se preocupe com nada, amor...

– Vaza, docinho... – Tommy se aproxima e diz para a mulher.

 Ei, ei, ei, ei! – Paul se irrita ao ver a mulher indo embora.

 Você é Kent Paul? Sou amigo do Rosenberg... – Tommy se apresenta.

 Rosenberg? Rosenberg... Ah, aquele doente caçador de ambulâncias! Aquele cara pode fazer um homem inocente ir direto para o corredor da morte, hahaha! Dá outro drinque, amigo! – Paul faz piada e pede outra bebida ao barman.

 Todo mundo é comediante aqui... – Tommy diz para si mesmo – Olha só, eu perdi vinte quilos e muito dinheiro.

 Drogas, cara!? Isso é coisa de imbecis! – Paul interrompe.

 O que você sabe sobre isso? – Tommy empurra e derruba Paul.

 Ei, ei! Eu já ia falar! Há um chef estranho que trabalha na cozinha de um hotel na Ocean Drive! Ele tem estado bem satisfeito consigo mesmo ultimamente. Você poderia dar uma olhada nele... – Paul diz ainda caído no chão.

 Eu vou. E estarei te observando... – Tommy avisa e vai embora.

 É isso aí, vai andando mesmo, seu imbecil! Vou te quebrar todo! – Paul diz quando Tommy já estava longe e volta para o bar – Me dá um drinque! E cadê aquela puta?

Tommy vai até a galeria que ficava atrás dos vários hoteis da Ocean Drive. Era por lá que os ingredientes das comidas eram entregues nas cozinhas. Assim que chega, ele já vê um chef fumando do lado de fora e falando ao telefone. O homem se incomoda com a aproximação de Tommy:

 Ei, o que você está olhando?

 É melhor você começar a falar! – Tommy ameaça.

 Ei, venha fazer, seu otário! – o chef responde e parte para cima de Tommy.

Uma luta braçal começa, aquele chef era um homem baixo e gordo, mas aparentemente muito sólido. Seus chutes incomodavam Tommy, mas não a ponto de fazerem algum estrago. Com a experiência em brigas que adquiriu na prisão, Tommy rapidamente nocauteia o gordinho e pega seu telefone. É quando um homem negro aparece naquela galeria e provoca Tommy:

 Bom trabalho, durão. Bateu nele até desmaiar. Isso vai fazer ele falar bastante agora...

 Você quer apanhar também? – Tommy se irrita.

 Ei, calma. Eu quero o que você quer, irmão... – o homem responde.

 Ah, é? E o que é? – Tommy pergunta.

 Sua grana. E a senhorita branca do meu irmão morto. Infelizmente, você acabou de silenciar nosso contato... – o homem diz.

 Acidentes acontecem. Vaza! – Tommy ainda está irritado.

 Ei, ei! Não precisar dar uma de “Guerreiro Solitário” para cima de mim! Pelo que eu vejo, somos dois hombres numa cidade estranha. Precisamos vigiar as costas um do outro... – o homem responde.

 Minhas costas estão bem, irmão! – Tommy abre os braços demonstrando tranquilidade.

 Tem certeza disso? – o homem diz ao ver vários cozinheiros armados com grandes facas saindo da cozinha do chef e joga uma pistola para Tommy – Aqui, pega isso! Vem comigo!

Tommy sai correndo atrás daquele homem que não conhecia. Eles vão até a Ocean Drive, onde há um carrão estacionado, um Infernus branco. O homem entra e abre a porta para Tommy entrar. Ele acelera e começa a falar.

 Uma coisa que você precisa saber sobre essa cidade: você tem que andar armado. Tem uma loja de armas aqui perto... – ele passa em frente a uma Ammu-Nation e mostra o melhor local para comprar armas para Tommy.

Tommy pede para aquele homem o deixar em seu hotel. Ele rapidamente dirige até lá e diz que iria procurar pistas e que estaria observando o “italiano”. E vai embora. Tommy entra em seu hotel e relembra do que aquele homem falou. Seu irmão havia morrido. É claro: aquele era o irmão do traficante que havia morrido na emboscada. Então, aquele era Lance Vance.

3 comentários:

  1. Muito bom, cara! É legal ler a história e lembrar cenas do jogo hee muito bom

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  2. Não tem como não lembrar do Tommy falando "Maybe" pra Mercedes... XD

    Trabalho muito bom... To ansioso pra chegar no San Andreas!!

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    1. Muito obrigado, Kevin. O San Andreas já está na parte 15 no site atualmente, caso se refira ao andamento do projeto.

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