quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Vice City - Parte 4


Tommy vai até o escritório de Ken pela manhã. O advogado estava dormindo em seu sofá, de roupa social e tudo. Aparentemente não havia dormido aquela noite, assim como a anterior. Tommy entra com sua chave e vê Ken naquela cena patética e bate a porta com toda a força para acordar seu novo parceiro.

 Ah! Pelo amor de Deus, é você! Jesus, vou precisar de calças novas! – Ken se assusta e se alivia quando vê Tommy, que estava gargalhando – Ei, olha só, aqueles psicopatas do norte ficaram sabendo de tudo e estão vindo para cá! E cadê a merda do dinheiro!?

 Relaxa, relaxa. Ainda não chegamos nessa parte... – Tommy responde.

 Aaah, eu achei que você estava cuidando disso, realmente achei... – Ken se irrita – Agora aqueles guidos dizem que estamos devendo uma a eles!

 Eu que devo uma a eles! – Tommy interrompe.

 Ah, é claro! Eu pareço que posso intimidar um jurado? Não consigo intimidar nem uma criança, e olha que eu já tentei! – Ken se desespera – Olha, ou é isso ou o primo dos Forellis, Giorgio, pega cinco anos por fraude! Você tem que acabar com esses caras!

 Entendi, ajudar os jurados a mudarem de ideia. Não se preocupe... – Tommy diz e já vai saindo.

 Não, não, não, não! Eu já tentei isso e não deu muito certo! Então FAÇA eles mudarem de ideia! – Ken grita.

Giorgio Forelli, que há dois anos tentava matar Phil Collins e seu empresário por não pagarem o que pegaram emprestado, agora tinha sido preso por fraude pela polícia de Vice City. E Ken sabia, como advogado da família na cidade, que se não conseguisse ajudar Giorgio a escapar, sua ligação com os italianos chegaria ao fim, assim como sua vida. Principalmente após estar envolvido na perda da mercadoria e dinheiro de Sonny. Tommy era sua única salvação.

Tommy vai para a rua e logo fica sabendo quem eram os dois jurados naquele caso graças aos milhares de informantes em cada esquina daquela cidade. Ele compra um martelo e vai até o hotel de luxo onde estava o primeiro jurado, Martin Comper, e destroi seu carro a marteladas até o dono aparecer:

 Não acredito que isso está acontecendo!

 Inocente até que se diga o contrário! – Tommy avisa e mostra sua pistola, o que faz o homem correr.

A segunda informação que Tommy tinha era que o segundo jurado, John Travinsky, estava em certo restaurante da cidade. Ele vai até lá e o vê em uma mesa do lado de fora junto a uma mulher que parecia ser uma prostituta. Tommy se aproxima cuidadosamente e tira seu martelo para ameaçar John, mas o jurado vê e corre antes de ser atingido. Ele entra em seu carro e acelera com tudo, mas é atingido por um caminhão que passava na rua. Tommy aproveita e começa a martelar os vidros que sobraram do carro do jurado até ele se desesperar completamente.

 Meu carro! Pára de bater nele! – John se desespera.

 Lembre-se: culpado é a palavra-chave para você! – Tommy ameaça e vai embora, a vida de Ken já havia sido salva.

Ao voltar para o escritório do advogado, Tommy vê que a sala está com visitas. Lá estava Avery Carrington.

 Tommy! Tommy! Algum progresso? Não, não, me diga depois! – Ken se reserva na presença do convidado – Tommy, esse é Avery Carrington. Acho que você o encontrou na festa, né?

 Não pessoalmente... – Tommy aperta as mãos de Avery.

 Opa... – Avery diz.

 Avery tem uma proposta... – Ken diz a Tommy.

 Err... Nós não temos outras coisas para resolver? – Tommy disfarça e cochicha para Ken.

 Eu estou tentando me virar, você não pode me dar um tempo? – Ken responde, irritado – Eu estou ferrado como um arame e se eu for morrer no fim de semana, quero ter certeza de que não vou morrer pobre! Ok?

 Fiquem calmos, vocês dois! – Avery diz – Filho, se você me ajudar, pode ter certeza de que qualquer seboso italiano que te incomodar vai ter um sono longo e cheio de terra.

 Ok, o que posso fazer por você? – Tommy entende que aquela era uma defensiva de Ken contra os Forellis e pergunta a Avery.

 Há uma companhia de entregas que tem um armazém em um terreno excelente. Eles não irão vender. Estão lá feito ratos velhos e gordos, então vamos dedetizar aqueles insetos com fogo! Vá até lá e acabe com aquele ninho de vespas. A segurança vai estar ocupada, então você vai poder entrar de mansinho e acabar com o negócio deles! – Avery diz.

 E você pode parar no Rafael’s para mudar de roupa. Você pode ficar lá por um tempo, mas não tem problema... – Ken se referia ao uniforme da companhia que já tinha conseguido e deixado na loja.

 Tem que ter um protesto... – Tommy já pensa na ação.

 Se der tudo certo, passe no meu escritório alguma hora... – Avery diz.


Avery Carrington era um senhor de cinquenta e um anos, natural do Texas, um típico caipira americano. De cabelos e grande bigode já grisalhos, era alto e se vestia no estilo cowboy, sempre com um chapéu. Era um homem de imóveis, assim como seu pai foi. Mas a forma de trabalhar de Avery era através do jogo sujo, sempre ameaçando seus rivais e conseguindo seus terrenos e imóveis da maneira mais fácil e criminosa possível. Ele possuía vários terrenos em construção em Vice City através de sua construtora Avery Construction e seu próximo objetivo era conseguir o terreno da Spand Express, uma das companhias de entregas da cidade. Seu armazém ficava em Washington Beach. Quando Tommy chega ao local, percebe que bem ao lado havia um edifício em construção pela construtora de Avery. O velho queria expandir seu terreno.

Havia um grande tumulto na porta da empresa naquela tarde. Vários trabalhadores estavam possivelmente reclamando das condições de trabalho e do salário. Tommy se juntou a eles, já que tinha ido buscar o uniforme da companhia na Rafael’s. Os seguranças apenas olhavam atrás do portão, era necessário fazê-los o abrirem. E a melhor forma de fazer seguranças trabalharem é criando o caos. Tommy começa a bater em várias pessoas por trás e uma briga coletiva começa. Ele foge até próximo ao portão e, no caminho, todo mundo briga com todo mundo. O tumulto chega até o portão, então os seguranças são obrigados a sair e tentar conter o caos. Eles saem com cassetetes, batendo em todo mundo pela frente. É nesse momento que Tommy entra furtivamente pelo portão e se esconde atrás de uma van da empresa. Ele estava lá para dar prejuízo, então decide explodir as duas vans que possuíam para fazer suas entregas. Como? Ao lado das vans, havia toneis de combustível usados para evitar a perda de tempo parando em postos. Tommy faz um furo em cada tonel com uma faca, o líquido escorre até o chão. Ele toma distância, prende um papel em chamas a uma pedra pontiaguda e a joga em direção aos toneis. A explosão é imensa. As duas vans e metade do armazém são completamente destruídos. O tumulto no local até chega ao fim diante da explosão. Todos ficam caídos olhando a grande labareda que se formou. Menos Tommy. Ele já estava voltando para casa.

Quando estava em sua moto, o grande telefone de Tommy tocou. Ele parou a moto e atendeu.

 Ei, Tommy. É Sonny. Como está o bronzeado? – era Sonny.

 Não estou me bronzeando... – Tommy responde.

 Bem, você ainda não pegou meu dinheiro, então eu me pergunto: o que será que ele está fazendo? Me diga, Tommy, o que você está fazendo? – Sonny parece bem venenoso.

 Estou procurando o dinheiro, Sonny. Não se preocupe... – Tommy diz.

 Me preocupo, Tommy, esse é o meu estilo, porque eu tive que lidar minha vida toda com gente não confiável. Não seja não confiável, Tommy, por favor, faça um favor para nós dois. Estou aguardando notícias... – Sonny desliga.

Tommy fica irritado. Sua vontade era novamente jogar o telefone no chão. Mas antes que pudesse fazer isso, o telefone toca novamente.

 Hola, é o senhor Vercetti? – um latino pergunta.

 Sim... – Tommy responde.

 Aqui é Cortez! Você esteve na minha festa... – era o coronel.

 Sim, me lembro... – Tommy responde.

 Senhor Vercetti, o que aconteceu na sua transação foi um grade e infeliz incidente... – Cortez diz.

 Eu sei... – Tommy diz.

 Quero que você se aproxime de mim. Meu pessoal está fazendo o impossível para chegar perto de saber o que houve. Se quiser falar comigo pessoalmente, você pode me encontrar no meu barco, sim? Boa tarde, señor! – Cortez encerra a ligação.

Tommy sentiu confiança nas palavras do coronel. Sua recepção no iate também foi confiável naquele dia. Ele chega ao seu quarto de hotel e decide ir visitar o latino pela noite. Mas logo quando sairia, novamente o telefone toca. Mas dessa vez não foi o telefone de Tommy, e sim o telefone do chef que Tommy tinha provavelmente matado no dia anterior. Os planos da noite mudariam drasticamente.

 Ei, Leo. Acho que nós temos um comprador para a mercadoria do Díaz. Você tem que dar uma ligada para eles, armar o acordo, tá ligado? – um homem fala.

 Onde você está agora? – Tommy percebe a oportunidade e se passa pelo chef, que já era sabido que se chamava Leo.

 Você está bem, Leo? Sua voz está meio diferente... – o homem estranha.

 Apenas me diga onde você está! – Tommy insiste.

 Quem está aí nessa porra? Coloca o Leo na linha, cara! – o homem se irrita.

 Leo viajou por um tempo, me deixou no lugar dele... – Tommy diz.

 Vai se ferrar, cara! – o homem desliga.

Uma grande informação foi revelada nessa ligação. A ideia de ficar com o telefone do chef foi ótima por parte de Tommy. Com certeza seus contatos iriam ligar, já que ele estava tão bem de vida, como informou Kent Paul. Seu nome era Leo e ele tinha contato com Díaz. Até aí nada demais, pois Díaz era o maior barão do tráfico da cidade, era óbvio que quem tivesse ligações com ele estaria nadando em dinheiro de cocaína. Mas a segunda ligação para Leo chegou poucos minutos depois.

 Vá até o telefone público próximo ao shopping em Washington às vinte e uma horas! – diz uma voz com um sotaque aparentemente russo.

Tommy sentiu que aquele chef tinha sido um tiro certo, uma dica valiosa de Kent Paul. Era necessário investigar suas conexões. Já que tinha tantas, alguma deveria ter ligação com o latrocínio de sua cocaína e dinheiro.

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