terça-feira, 6 de outubro de 2015

Vice City - Parte 5


Exatamente às 20:55 daquela noite, Tommy chegou ao telefone público próximo ao shopping e que ficava em frente ao posto de gasolina do bairro. Aguardou cinco minutos e o telefone tocou. Era o mesmo homem com sotaque russo do outro lado da linha:

 Senhor Teal, sua ajuda na erradicação daqueles forasteiros foi inestimável para os negócios. Eu tenho mais trabalhos para você, agora com mais contato. Sua nova missão está embaixo do telefone.

Havia um papel com um recado escrito sendo apoiado por uma pequena pedra ali naquele telefone, que dizia: “Carl Pearson, entregador de pizza. Mate-o antes que termine suas entregas!”. Antes de realizar o serviço, o que faria aquele homem continuar entrando em contato, Tommy parou para raciocinar.

Ele estava sem acreditar no que acabara de ouvir: aquele chef, Leo, Teal, ou Leo Teal, realmente deveria estar envolvido no ataque aos italianos, ou “forasteiros”, como o russo se referiu. A ramificação do ocorrido estava sendo feita aos poucos. Havia o chef Leo Teal, o russo misterioso e possivelmente Ricardo Díaz como possíveis caminhos para seguir. Uma aproximação a um dos três era necessária, mas Teal já estava morto. O russo parecia ser muito astuto e precavido com sua segurança e identidade, não deveria confiar em um italiano naquele momento. Ricardo Díaz era quem poderia ser o atalho para as informações, até porque um pequeno contato já tinha sido feito, embora visualmente, no iate de Cortez. A rota começou a ser traçada por Tommy. Mas naquele momento o mais importante era fazer o serviço para o russo.

Pela ligação ter sido em um local tão específico, Tommy deduziu que o entregador trabalharia na Well Stacked Pizza, a maior cadeia de pizzarias da cidade, que tinha uma loja ali ao lado. Tommy vai até a pizzaria e pergunta por “Carl”. Um funcionário aponta para um homem que estava se preparando para sair com sua moto. Tommy agradece e sobe em sua própria moto, aguardando Carl sair. Poucos minutos depois, a moto de Carl é emparelhada pela moto de Tommy. Apesar de ter a pistola que Lance o deu, Tommy não atira, afinal tinha sido o último a procurar pelo entregador antes de sua morte, o que seria extremamente suspeito. O que acontece é um acidente forçado. Tommy joga sua moto, muito mais pesada, em cima da pequena moto de Carl. O entregador cai na pista contrária e tem seu crânio esmagado por um carro que vinha. Serviço feito, ninguém para culpar. Tommy foi perfeito. Agora era aguardar mais contatos para os trabalhos do finado Leo Teal.

No dia seguinte, Tommy decide visitar Avery. Talvez trabalhando para ele, poderia conseguir mais informações sobre os grandes milionários da cidade. Tommy vai até a construtora do cowboy e é recebido pelo próprio dentro de uma limousine.

 Entra e senta aí, filho. Porra, meu pai sempre me dizia para nunca olharmos a boca de um cavalo dado de presente, nunca reclamarmos de algo de graça, e ele nunca reclamou. Quer um gole do velho Kentucky? – Avery oferece whisky.

 Não, obrigado... – Tommy recusa.

 Um pensador de cabeça limpa. Gosto disso! – Avery diz – Olha só, o negócio de imóveis não é só assinaturas de contratos com lucros altos. É terra, sujeira! E eu quero essa sujeira! Você está comigo, filho?

 Com certeza... – Tommy se interessa.

 Eu preciso que um desgraçado corajoso dê uma terra para mim, e você me parece uma ótima pessoa para persuadí-lo... – Avery diz.

 Persuasão é o meu forte! – Tommy responde.

 Ótimo! Ele vai estar no country club, no campo de golfe. Eles não permitem armas, então os seguranças dele não vão dar uma de justiceiros. Vá até lá e detone todo mundo! Aqui, eu tenho uma carteirinha de sócio para você, mas você vai precisar de roupas mais adequadas... – Avery diz.


Tommy vai até a loja Jocksport e compra roupas de golfista: uma calça vermelha xadrez, sapatos especiais, camisa polo e um taco de golfe. Chega ao Leaf Links e deixa sua pistola na entrada. Lá dentro, só vê uma pessoa andando com seguranças. Obviamente, aquele era o alvo. Ele estava praticando sua mira em uma estrutura de madeira reservada para esse tipo de ação. Tommy vai para baixo de onde o homem estava e puxa sua perna com seu taco de golfe, o fazendo cair da estrutura de dois metros.

 Quem é esse cara? Peguem ele! Matem esse psicopata! – o homem grita ao cair no chão.

Mas já era tarde demais. Até seus seguranças descerem da estrutura, Tommy já tinha quebrado o pescoço do milionário e fugido em um dos carrinhos de golfe do clube. Trabalhar com Avery poderia render boas informações, um bom dinheiro, mas com certeza seria perigoso. Mas aquilo não era nenhum problema para um cara criado no mundo do crime.

Tommy voltou à construtora de Avery para mais serviços. O cowboy estava apressado e, assim que viu seu novo parceiro, já o chamou até o porta-malas de sua limousine e mostrou uma planta de um edifício:

 Dá uma olhada aqui, filho! Estou com um problema e creio que você pode resolvê-lo!

 Eu não sou construtor... – Tommy brinca.

 Não, eu estava pensando mais nas suas habilidades como destruidor... – Avery diz – Esse aqui é o projeto planejado e é daquele imóvel ali da frente.

 Você está tentando dizer que esse prédio de escritórios meio que está no caminho... – Tommy diz.

 Você aprende rápido! – Avery fica feliz – Eu vou sair da cidade por um tempo. Se esse projeto de escritórios tivesse, de repente, irrecuperáveis problemas estruturais...

 Com uma mente civilizada, você se veria obrigado a entrar no jogo e salvar o rejuvenescimento desta importante área da cidade! – Tommy interrompe.

 Aonde arrumo mais caras como você? – Avery se encanta.

Tommy recebe um manual de instruções de algo chamado TOPFUN e uma chave de carro. O plano de destruição seria complexo, claro, como qualquer ato sujo naquele ramo de negócios. Ele vai até a lateral da construção e acha uma van com o nome do produto do manual. Abre o carro com a chave e vê que lá havia helicópteros de brinquedo equipados com câmeras e imãs, dinamites, e um monitor junto com um controle remoto. Tommy logo entendeu. Ele se lembrou de alguém dizendo a ele que aquilo havia virado moda no crime organizado da cidade. Até usaram aquela tecnologia para acabar com o grande império de drogas de dois latinos de Vice City em 1984. Tommy olhou a planta do prédio e viu pontos marcados com um X, era lá que deveria levar as bombas através dos brinquedos voadores. E assim fez. As dinamites foram alinhadas no chão e o primeiro helicóptero as levou e deixou direto nos locais estratégicos. Como era noite, havia apenas guardas em cabines nas entradas do terreno, eles não viram os brinquedos voando pelo edifício em construção. Pelo monitor da van, Tommy podia ver que os locais marcados com X eram locais onde haviam barris. Provavelmente eram barris de gasolina, o que significava que algum funcionário tinha os colocado lá por um certo valor.  Os barris ficavam sempre nos cantos das paredes, onde ficavam as estruturas mais pesadas. Detonando elas, o prédio viria abaixo. Então, Tommy fez o serviço. Após colocar todas as bombas em seus devidos lugares, viu um botão ao lado do volante com um papel grudado escrito “BOOM”. A noite de Vice City virou dia para todos. Menos para Tommy Vercetti, que foi dormir após mais um longo dia de trabalho. 

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