domingo, 18 de outubro de 2015

Vice City - Parte 6


Tommy, após ter explodido um prédio em construção, sai de cena por alguns dias. Com Avery fora da cidade e Ken escondido em seu escritório, ele não tinha muitos contatos recentes, inclusive para Leo Teal. Mas o coronel Cortez queria a presença de Tommy em seu barco, como dito naquela ligação. É para lá que vai Tommy em uma noite de sábado.

 Senhor Vercetti! – Cortez acena sentado em uma cadeira quando vê Tommy.

 Coronel! – Tommy se aproxima.

 Obrigado por vir. Por favor, sente-se. Lagosta? – Cortez oferece o prato de sua mesa.

 Não, obrigado... – Tommy diz enquanto se senta.

 Ah... Sinto vergonha em dizer que uma das causas do nosso problema mútuo parece ter relação com a língua solta de um homem que eu confiava. Venho aguentando Gonzalez há anos, mas agora sua incompetência passou dos limites. É direito seu matar Gonzalez... – Cortez provavelmente havia descoberto o que Gonzalez vinha fazendo com ele há anos, desviando suas mercadorias e cooperando com Ricardo Díaz desde 1984, o que era uma grande traição.

 Ele participou daquilo? O que é importante para mim é o dinheiro... – Tommy diz.

 Por essa gentileza eu irei recompensá-lo. Depois encontramos seu dinheiro juntos. Ele vai estar em sua cobertura, meio bêbado, provavelmente. Use isto... – Cortez diz enquanto um de seus garçons coloca uma serra elétrica na mesa.

Tommy aceita fazer o trabalho para Cortez, pois Gonzalez já estava timidamente como suspeito por ser muito rico para ser apenas um braço direito do coronel, era o que Tommy pensava desde que viu o colombiano na festa do iate. A cobertura de Gonzalez ficava em um prédio ao lado do Malibu Club. Tommy levou a serra elétrica em um carro que ganhou de presente do coronel naquela noite como a recompensa prometida pela “gentileza”. Para entrar no apartamento de Gonzalez, Tommy comprou um laço e amarrou na serra, dizendo para os seguranças do colombiano que era um presente por parte de Cortez. Gonzalez estava na piscina conversando com um amigo quando Vercetti puxa o laço e a corda da serra ao mesmo tempo e grita:

 Vou calar essa sua boca grande!

 Ei, ele tem uma serra! – Gonzalez se espanta e começa a correr.

 Pare de correr, seu gordo escroto! – Tommy vai atrás com a serra ligada, o que afugenta quem estava por perto.

 Fique longe de mim, seu pobre idiota! – Gonzalez grita – Meu Deus, desperdicei minha vida e minha beleza!

 Fique parado e você não vai sentir dor! – Tommy continua gritando.

 Te pago o dobro, Tommy, o dobro! – Gonzalez tenta pela última vez, já cansado de correr.

 Pode parar de gritar, ninguém se importa, gordão! – Tommy alcança Gonzalez.

A serra entra nas costas de Gonzalez, que imediatamente cai de joelhos, já morto, dentro de seu banheiro. Tommy deixa a serra lá e tira sua pistola para sair da cobertura. Mas não havia mais nenhum segurança de Gonzalez lá. Provavelmente acharam que aquele era um ataque massivo do coronel, que sabiam que não teriam nenhuma chance. Tommy volta para seu hotel em seu novo carro.

Logo pela manhã volta ao iate de Cortez. O coronel estava descansando em uma espreguiçadeira, com um largo sorriso pelo trabalho de Tommy com o traidor, rodeado por seguranças e garçons, com algo exótico em uma mesa ao lado.

 Tommy! Venha, junte-se a mim! Isso aqui está delicioso! Aceita nariz de tapir? – Cortez oferece um pedaço de uma cabeça inteira de tapir, uma espécie de anta da América do Sul.

 Ah! Uh! Não, não! – Tommy recusa com nojo.

 Tommy, você é como uma brisa dos pampas que me livrou do fedor da corrupção, embora eu tenha que parecer detestar sua passagem e continuar com os negócios, como normalmente... – Cortez diz.

 Isso não me aproxima nem um pouco do meu dinheiro! – Tommy está impaciente, ainda em pé.

 Tommy, meu amigo, você não está mais em Liberty. Aqui nós fazemos as coisas de um jeito diferente. Vou continuar com meus inquéritos, mas, enquanto isso, tenho um valioso acordo para fechar... – Cortez acalma seu novo parceiro.

 Um favor para um amigo, Cortez? – Tommy pergunta.

 Você é um bom amigo, Tommy! Eu sabia que você não iria me desapontar... – Cortez se levanta – Preciso que você encontre um mensageiro que conseguiu uma valiosa tecnologia para mim...


O encontro deveria acontecer no Washington Mall, o shopping center de Ocean Beach, ali próximo, e o mensageiro seria um homem francês. Tommy vai até o shopping no lugar marcado por Cortez para o encontro: no segundo andar, em frente à escada rolante central. Lá estava um homem tipicamente francês, como camisa listrada, boina, bigode e óculos escuros. Quando viu Tommy parado em sua frente, o francês começou a falar com seu fortíssimo sotaque:

 A chuva... Está muito úmido essa época do ano!

 O que? – Tommy não entende.

 Ah! Comentários? – o francês pergunta.

 Olha só, Cortez me mandou. Me entregue a merda dos chips! – Tommy pede.

 Ah! De acordo... – o francês se aproxima.

 Parado, seu porco imperialista americano! – vários homens uniformizados gritam apontando fuzis para Tommy do telhado do shopping – Isso é propriedade do governo francês! Está tudo acabado!

 Seu idiota americano! Eles te seguiram até aqui! – o francês desce a escada rolante correndo, mas estranhamente os agentes secretos não atiram.

Tommy imediatamente aproveita o momento e pula do segundo andar. Os franceses atiram, mas não o acertam. Ele sai do shopping e vê o francês subindo em uma moto segurando uma maleta. Uma perseguição se inicia pela cidade com Tommy seguindo aquele francês misterioso. Após alguns minutos, o francês tem sua moto jogada contra a parede e desmaia. Tommy recolhe a maleta e joga o francês, muito machucado, em seu carro. Ele não levaria os chips e o francês para o coronel sem antes interrogá-lo, pois achou curioso aquela emboscada e o fato dos policiais franceses não atirarem naquele homem. E também por toda aquela situação se parecer com o que aconteceu com o próprio Tommy há algumas semanas. Após algumas horas, o francês é levado por Tommy até um subúrbio da cidade onde havia acabado de comprar uma afastada casa barata, apenas para usá-la como cativeiro. O francês é acordado por um balde de água na cara. Tommy está com uma grande faca nas mãos e pergunta ao francês quem ele era e o que fazia em Vice City. A resposta é imediata.

Seu nome era Pierre La Ponce, um ex-agente da GIGN (Groupe d’Intervention de la Gendarmerie Nationale), um grupo de operações secretas do exército francês. Ele foi contratado por Juan Cortez para entregar aqueles chips tecnológicos para mísseis por um altíssimo valor, mas não sabia o propósito. Ao ser perguntado por que os policiais não atiraram nele, Pierre disse que era refém do GIGN, pois a agência de inteligência do governo francês, o DGSE (Direction Générale de la Sécurité Extérieure) havia descoberto a traição do ex-agente e o transformou em um agente duplo. Se Pierre conseguisse fazer o governo francês capturar Juan Cortez, ele teria sua pena praticamente anulada. Mas se falhasse, seria levado ao corredor da morte pelo grupo. Pierre diz a Tommy que seria questão de tempo até encontrarem os dois, pois nele havia um chip de rastreamento dentro de seu corpo. Ele pede para Tommy entregar o material ao coronel, mas que para isso teria que ser morto antes por um tiro fatal, pois se fosse capturado pelo GIGN novamente, sofreria torturas para dizer o que havia acontecido ali e mesmo assim seria morto. Tommy agradece o trabalho de Pierre em nome de Cortez e não hesita em atirar na testa do francês, que cai morto no chão. Ao entregar a maleta com os chips a Cortez e lhe contar o que aconteceu, Tommy vê uma profunda tristeza e preocupação nos olhos do coronel. Pierre realmente deveria ser um homem de confiança de Cortez, assim como Tommy.

Quando voltava para seu hotel naquela tarde, o telefone de Leo Teal, que Tommy sempre levava consigo, finalmente tocou novamente. Foi atendido desesperadamente. A pessoa da ligação era a mesma que ligou na última vez, o mesmo homem com sotaque russo. Ele apenas diz para Teal, no caso, Tommy, ir até o telefone público de Vice Point, em frente ao WK Chariot Hotel, às cinco da tarde. Tommy é pontual e o telefone toca.

 Meus cumprimentos por um trabalho bem feito, senhor Teal. Meu cliente ficou muito satisfeito. Eu tenho mais trabalhos para você usar suas mãos. Seu próximo trabalho está anexo embaixo do telefone... – o russo diz.

Tommy já havia visto um papel com anotações antes de atender. Nele estava escrito o nome de “Senhora Dawson”, junto com uma foto tirada de longe. Era uma jovem mulher loira e bonita, aparentemente muito rica. No papel, havia a ordem de executá-la, mas fazendo com que parecesse um acidente de carro. Ela sairia da loja de joias Jewler’s, que ficava a dois quarteirões dali, a qualquer momento. Provavelmente o mandante do crime seria o próprio marido, portanto, algum “senhor Dawson”. Tommy guardou esse nome e foi em direção à joalheria. Logo a mulher saiu da loja com sacolas de compras e entrou em seu carro. Em alguns minutos, o carro conversível da senhora Dawson era atingido pelo carro de Tommy, o que a fez bater em uma árvore e bater violentamente a cabeça no para-brisa. Tommy aproxima seu carro para checar se a batida foi fatal e vê que a mulher estava imóvel e de olhos abertos, sem reação. Claramente estava morta. Mais um trabalho havia sido feito, supostamente, por Leo Teal e mais informações haviam sido passadas sobre pessoas ligadas a ele e ao russo daquelas ligações.  

Um comentário:

  1. Muito legal cara deve dar trabalho fazer isso continue assim

    ResponderExcluir