terça-feira, 24 de novembro de 2015

Vice City - Parte 10


Depois de procurar em algumas lanchonetes em Little Havana, Tommy encontra uma cheia: a Café Robina. Antes de estacionar, ele recebe uma mensagem de Kent Paul, que dizia: 

“E aí, meu amigo. Aqui é Paul. Acho que tenho uma coisa para você, mas preciso falar com você pessoalmente. Estou relaxando aqui no Malibu. Saiba que você irá me dever um favor ou dois depois disso. Até mais!”. 

Novamente Tommy estava no meio de algo, não podia dar muita atenção aos outros. Então ele sai do carro e se aproxima da porta da lanchonete.

 Si, cara? – pergunta um idoso. Era Alberto Robina, dono da lanchonete.

 Calma, papi. Esse cara é para mim... – Umberto Robina, o líder dos Cabrones, diz – Você! Você é o garoto? É, acho que é!

 Não, acho que eu não sou... – Tommy responde após olhar para os lados.

 Ah é? Vem aqui, machão! Você acha que pode me bater? Acha que pode bancar o idiota pra cima de mim? – Umberto se irrita.

 Não, acho que você já está sendo idiota por nós dois... – Tommy responde acidamente.

 Ei, ele te chamou de babaca, filho! – Alberto diz para Umberto.

 E eu chamo esse cara de garotinha, papi! – Umberto responde – Olha só para ele! Todo bem vestidinho. Que dia é hoje? Dia das moças? Você se diz machão, mas se veste feito uma mulher? Você usa calcinha também?

 O que você tem contra mulheres? Você prefere homens, garotão? – Tommy provoca.

 Eu gosto de mulher! Gosto de todas as mulheres! Eu amo minha mãe, chico! – Umberto fica muito irritado.

 Tudo bem, tudo bem, já entendi. Relaxa... – Tommy se afasta.

 Você sabe dirigir, amigo? – Umberto pergunta.

 Sim... Como uma moça... – Tommy brinca.

 Hahaha! Muito engraçado! Eu gosto de você, garotão! Talvez você possa ajudar! – Umberto muda de humor – Talvez você possa provar que é um homem, hein! Pegue um barco! Me mostre que você tem grandes cojones e não umas chiquitas aí no meio das pernas!

Tommy é levado até um píer próximo à praia e é observado pelos Cabrones enquanto é submetido a um teste de direção com uma lancha.

 Ei, eu sou o  Rico. Você é o cara com grandes cojones? – pergunta um latino.

 Tommy Vercetti. Vamos logo... – Tommy responde.

 Ok, cara. Trate a lancha como uma moça... – Rico diz.

Tommy sobe na lancha e vai acompanhado de Rico, que vai dizendo por onde ele tem que passar para suas habilidades de direção serem testadas. Mesmo ouvindo provocações por todo o caminho, Tommy mostra sua boa direção e acaba impressionando Rico, que com menos de cinco minutos de lancha com Tommy já reconhece sua perícia. Eles voltam para o píer e o cubano diz que passará o resultado do teste para Umberto e que Tommy em breve receberá ligações dos Cabrones. E não demora: no dia seguinte, Tommy já era chamado para o Café Robina. Entretanto, Umberto não estava lá.

 Um cafezito por favor, Alberto... – Tommy pede ao dono da lanchonete.

 No problema, Tommy... – Alberto prepara o café.

 PAPI! UM GRAN PROBLEMA! – Umberto entra gritando na lanchonete, exausto.

 Umberto, meu filho, o que aconteceu? – Alberto se assusta.

 Os haitianos! Eu odeio esses haitianos! – Umberto grita – Eles mexeram comigo pela última vez! Esses... Esses haitianos! Nós vamos pegar eles! Mas precisamos de reforços! Já perdi vários hermanos lá! Amigo, você dirige bem!

 Para uma moça, né? – Tommy brinca.

 Agora não é hora para piadas! Vai, dirige para mim de novo! – Umberto se irrita – Leve meus homens até lá e vamos acabar com esses haitianos! Se eles mexeram comigo, eles mexeram com o maior garotão da cidade!

Tommy entra em um carro dos cubanos e três dos Cabrones vão com ele e indicam o caminho para chegarem aos haitianos:

 Vamos lutar como homens!

Tommy leva os cubanos até Little Haiti, onde eles se juntam a mais membros da gangue para irem de van até onde os haitianos se escondiam. Era um beco que dava acesso a uma fábrica de drogas e tudo era muito bem protegido por soldados haitianos. Um dos cubanos agradece Tommy por ter levado o reforço e pede ajuda para acabar com todos. Tommy adorava uma ação, então leva a van até o beco e sai com seu fuzil para se juntar aos cubanos. O tiroteio começa e no beco há um carro atravessado servindo de proteção para os soldados. Mas os cubanos não eram a maior gangue da cidade por sorte e sim por competência, então logo tratam de lançar granadas na direção dos haitianos. Enquanto as bombas explodiam, outros cubanos matavam haitianos em cima de prédios ao redor com snipers. Era uma operação de limpeza da área para a tomada de um dos maiores pontos da gangue rival. Três cubanos avançam pelo beco e são atingidos por disparos fatais de mais snipers, desta vez de um haitiano no telhado da fábrica.

 Sniper no telhado! Eles lutam como moças! Se protejam! – um dos Cabrones grita enquanto liga para Umberto – Precisamos de reforços da lanchonete! Peguem aquele sniper covarde!

Todos os tiros dos cubanos se concentram no telhado da fábrica. O haitiano despenca de quinze metros de altura, já morto. Os cubanos esperam alguns minutos até um carro com mais cinco deles chegarem. Os haitianos estavam todos entocados na fábrica, portanto deveria haver um bom número de soldados lá dentro. Enquanto os cubanos iam avançando, haitianos apareciam esporadicamente na rua para tentar fazer uma proteção, sem sucesso. Apesar de serem considerados soldados, eram amadores, não possuíam o treinamento de combate que os Cabrones possuíam, portanto logo padeceram. Ainda no combate, um dos cubanos disse a Tommy para roubar uma van que estava no estacionamento da fábrica. Os haitianos deixavam suas drogas lá. Tommy rapidamente corre e entra na van. Ele leva toda a droga para Robina em Little Havana.

Ao fim daquele dia, Tommy recebe uma ligação em seu próprio telefone. Pensou que poderia ser Kent Paul, já bêbado, insistindo para ele ir ao Malibu para a informação grandiosa que receberia, mas não era o inglês e sim uma mulher com um fortíssimo sotaque latino misturado com francês que falava:

 Tommy, vários homens mortos estão falando sobre você, meu querido. Achei que você precisaria de algo para sentir-se melhor. Então a Tia Poulet vai te preparar uma sopa, ok? Venha à minha cozinha alguma hora, ok, Tommy?

A serenidade e o mistério na fala daquela mulher pela primeira vez assustou Tommy em todo aquele período em Vice City. Ele sentiu sua espinha gelar ao fim do recado. Logo associou tudo. Se vários homens mortos falavam sobre ele, deveriam ser os haitianos mortos naquele dia. Ir até essa Tia Poulet misteriosa seria entrar no terreno do inimigo. Tommy não faria isso. Portanto, pegou sua moto, saiu de seu hotel e tinha a intenção de ir ao Malibu encontrar Kent Paul. Mas do segundo que desligou o telefone até o momento em que subiu em sua moto, Tommy não conseguiu se livrar do frio na espinha que aquela mulher tinha lhe passado. E se decidiu. Talvez fosse um grande erro, mas ele iria até a Tia Poulet.


Já em Little Haiti, às onze da noite, Tommy, de capacete pra proteger seu rosto, procura algum haitiano sozinho pelas ruas, pois caso a ligação fosse uma emboscada, seria mais fácil de escapar. Após rodar por alguns minutos, um haitiano é visto sentado em um banco. Tommy se aproxima e tira sua pistola já apontando para o homem e perguntando onde morava a Tia Poulet. O homem pede calma e aponta para um conjunto de casas velhas ao fim da rua.

Tia Poulet era uma idosa de oitenta e seis anos nascida em Port-au-Prince com incrível aparência jovem, não aparentando ter mais do que cinquenta anos. Era a fundadora e matriarca da gangue haitiana de Vice City, que atuava na cidade desde o início dos anos trinta, além do próprio bairro de Little Haiti, que no fim dos anos setenta e oitenta foi dominado pelos Cholos mexicanos até serem erradicados por Vic Vance e os Cabrones em 1984. Tia Poulet era obesa, alta e usava um largo vestido e um pano na cabeça amarelos. Era especialista em poções e vudu, praticamente uma feiticeira.

 Olá? Olá? – Tommy entra na primeira casa do conjunto, que está com a porta aberta e tudo escuro.

 Entre, meu querido, e descanse sua alma... – Tia Poulet acende as luzes enquanto prepara um chá em um fogão velho – Você deve ser o grande homem mau que meu vovô sempre fala. Ele me diz coisas sobre você, sabe, quando ele me visita, e também sobre os outros que aguardam por você. Nós estamos mortos há muito tempo, mas você, eu não queria estar na sua pele, hahaha!

 Eu recebi uma mensagem para vir aqui... – Tommy diz confuso enquanto aceita o chá que a velha oferece.

 Você ouve eles? Eles estão chamando seu nome, garoto, devem querer muito a sua presença, você não acha? – Poulet diz – Agora você irá fazer um favor para a Tia Poulet, hein, talvez ela te ajude. Talvez ela te dê um pequeno amuleto Juju depois de tudo. Dar a você uma magia para meter medo nos homens da lei, hein?

 Olha, isso tudo está bem... Me dar o que!? Acho que eu bati na porta errada... – Tommy não percebe, mas está completamente alterado pelo chá que está tomando, que, na verdade, era uma poção, o fazendo falar arrastando as palavras.

 Shhh, me faça essas coisas, Tommy... – Tia Poulet se levanta, põe a mão na cabeça de Tommy e lhe fala aos ouvidos – Os cubanos nojentos, orgulhosos e convencidos estão fazendo meus adoráveis garotos haitianos baterem cabeça. Agora eles disseram para a polícia onde eu estou guardando meus pós. Eles acham que são drogas, são estúpidos. Agora seja um bom garoto, Tommy, e vá buscar os pós para a Tia Poulet...

 – Sim, claro, claro... – Tommy está enfeitiçado pelo chá misterioso que tomou.

Ao sair da casa velha, Tommy se sente estranhíssimo. Não conseguia pensar no que estava fazendo. Apenas tinha várias intuições pipocando em sua cabeça. E essas intuições lhe diziam locais onde havia sacolas escondidas. Tommy sobe em sua moto e segue em um caminho fixo, sua mente o guiava. Ele anda por algumas ruas e se aproxima de um pequeno prédio com uma escada de acesso ao telhado. Lá havia uma sacola com várias cápsulas que continham pós de várias cores. Mas assim que Tommy pega a sacola, um policial aparece no telhado do prédio ao lado mandando Tommy não se mexer. Mas ele sai correndo e desce as escadas em direção à rua, indo a um novo caminho que sua mente lhe dizia para seguir, esquecendo sua moto ao lado do prédio. Nesse momento, inúmeras viaturas de polícia começam a perseguir Tommy, que fugia a pé. Ele pula muros de casas velhas e alcança outra sacola com cápsulas. E aí mais uma visão aparece para Tommy lhe dizendo onde mais uma sacola estaria e que dessa vez era bem mais longe. Tommy percorre o bairro por cinco minutos com viaturas e até um helicóptero da polícia em sua cola e encontra a terceira sacola. Com as três sacolas na mão, ele decide voltar para a casa da Tia Poulet. Mas quando abre a porta da casa para entregar os pós da velha, tudo fica escuro para Tommy e um som agudo lhe perfura os ouvidos. Quando o som passa, Tommy abre os olhos e está deitado em sua cama no quarto de hotel que morava. Ele demora alguns segundos tentando compreender o que estava acontecendo. Sem sucesso. Uma forte dor atrás da cabeça o atinge quando ele se levanta. Ele estava do outro lado da cidade sendo perseguido pela polícia e, num piscar de olhos, estava em seu hotel. Quando olha pela janela, vê sua moto estacionada em frente à praia, exatamente no mesmo lugar que sempre a estacionava. A forte dor de cabeça e uma inexplicável fadiga corporal levam Tommy novamente à cama. Mas ele não dormiu aquela noite. Será que tudo tinha sido um sonho?

Nenhum comentário:

Postar um comentário