sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Vice City - Parte 11


Amanheceu e Tommy estava tão desperto quanto poderia estar. Só conseguiu dormir um pouco a tarde, mas apenas o suficiente para acordar algumas horas depois e ficar cansado o resto do dia e noite devido ao sono acumulado. Logo pensou em ir até a lanchonete dos Cabrones, mesmo ainda em dúvida se realmente tinha feito serviços para os haitianos ou não.

 Alberto, uno café, senhor! – Tommy entra na lanchonete e já pede.

 Papa, não sirva nada para essa cobra desprezível! – Umberto se levanta de uma mesa e agarra Tommy pelo pescoço, o jogando na parede – Você é duas caras, Tommy! Você é duas caras ou covarde, seu bebezão! Eles estão rindo de mim!

 Calma, calma! Qual é o problema? – Tommy se livra das mãos de Umberto.

 Eles estão rindo de mim, Tommy! De mim! Umberto Robina! Eles estão fazendo o que querem! – Umberto grita.

 Ninguém faz o que quer, Umberto. Eles só fazem o que você deixa eles fazerem! – Tommy responde seco.

 O que!? – Umberto é surpreendido.

 – Quer que alguém resolva isso? Eu faço, mas isso vai te custar! – Tommy se irrita – Eu sei que nós somos irmãos e tudo, mas estamos falando de negócios.

 Tommy, você é um grande homem. Um homem de negócios, um cavalheiro... – Umberto abraça Tommy, que logo depois limpa a camisa, e cochicha – Esses haitianos, eles tem um carregamento de produtos chegando pelo mar, coisa muito boa. A gente pega isso e acaba com eles. Você pega! E eu fico te vigiando. Como meu irmão, como meu filho!

 Acho que eu iria preferir dinheiro do que ser criado por você, amigo... – Tommy diz e sai da lanchonete.

Não ficou claro para todos se Umberto realmente sabia que Tommy tinha trabalhado para os haitianos. Nem o próprio Tommy tinha certeza. Mas ter deixado claro que tudo aquilo envolvia negócios e outros interesses foi um bom ponto para o italiano, era algo que precisava ser dito naquele ambiente. Umberto logo percebeu que Tommy não era um verdadeiro parceiro externo como Vic Vance uma vez foi aos Cabrones, mas mesmo assim poderia considerá-lo um amigo.

Como já estava habituado aos cubanos, Tommy já sabia que serviços pela água eram da autoridade de Rico, o cara que o levou para fazer o teste de direção na lancha. Ele estaria aguardando em Viceport, próximo ao porto. Tommy chega em alguns minutos e encontra o cubano em um píer com a mesma lancha de outrora:

 Ei, Rico. Belo barco. Você está pronto?

 Si, Tommy. Você vai ter que dar bons tiros hoje, meu barco não fica bonito cheio de buracos, ok? – Rico responde.


Tommy e Rico vão até Starfish Island, onde em um píer de uma mansão está acontecendo o acordo de drogas. De longe, Tommy reconhece duas gangues: os haitianos de Little Haiti com seus barcos e camisetas roxas e, por incrível que pareça, Sharks por toda a extensão da mansão, mesmo após a base deles ter sido arruinada por Tommy e Lance a pedido de Ricardo Díaz. Aparentemente, eles conseguiram invadir outra mansão para usar como base e investir no tráfico novamente. Dentro da lancha que Rico estava guiando, Tommy vê um lança-míssil. É com ele que o acordo recebe as honras dos Cabrones, que tinham um italiano casca-grossa como frente. Tommy lança o míssil em um dos barcos dos haitianos, que explode, lançando os homens em pedaços ao mar. Logo após a explosão, a rajada de tiros dos fuzis de Tommy e Rico avassalam todos os homens naquele píer, sem chance para reagirem. As drogas e as maletas com dinheiro estavam lá, mas era arriscado demais ir buscar, pois ainda havia vários Sharks no quintal da mansão a protegendo e já estavam indo para o píer por causa do barulho de tiros. Rico leva a lancha para o píer da casa vizinha e os dois avançam sobre a mansão dos Sharks eliminando os seguranças restantes com tiros letais, a maioria na cabeça. Rico era um excelente soldado, avançava em ambientes hostis com muita tranquilidade. Tommy apreciou o cubano. Logo eles chegam ao que interessa e roubam tudo envolvido no acordo, cem mil dólares e vinte quilos de um pó branco que não era possível deduzir de que material era feito. Tudo é entregue na Café Robina ainda naquela noite e Tommy recebe um pagamento pela primeira vez por parte de Umberto pelo serviço prestado.

Ao sair da lanchonete, Tommy se lembrou de uma coisa quando viu o letreiro com o nome do estabelecimento. Antes de entrar nela pela primeira vez, recebeu um recado de Kent Paul, que dizia ter uma informação valiosa. Depois de uma semana, Tommy finalmente resolve ir ao Malibu Club encontrar o inglês para ver o que era essa tal “informação valiosa”. Ao chegar ao clube, Tommy vê Paul no bar, que o vê e logo vai a seu encontro:

 E aí, meu amigo. Eu vou salvar sua namoradinha, cara!

 De que merda você está falando? – Tommy pergunta.

 Você conhece aquele safado do Díaz, o rei do pó. Ele pegou o seu parceiro Lance. Dizem que seu amigo quis passar por cima dele, mas não pulou alto o suficiente, se é que você me entende... – Paul revela.

 PARA ONDE LEVARAM ELE!? – Tommy agarra Paul pelo colarinho e joga na parede – FALE EM INGLÊS CLARO!

 Ah! Calma! Levaram ele para o ferro velho do outro lado da cidade! – Paul diz entre gritos de dor até Tommy o soltar e ir embora – Porra! Seu louco!

Tommy vai imediatamente até o ferro velho de Little Haiti. Só havia aquele naquele lado da cidade. Enquanto se aproximava do local, ele se lembrou da última vez que falou com Lance, e que não foi nada amigável. Lance deveria ter se sentido abandonado e tomou a decisão de tentar matar Díaz sozinho, já que Tommy não teria tempo para tentar impedi-lo. E como Kent Paul já sabia daquela informação há uma semana, seria um milagre Lance ainda estar vivo naquele ferro velho.

Lá chegando, Tommy vê que havia uma barreira na porta com um carro atravessado e homens armados. Aquilo era um bom sinal, pois significava que estavam protegendo alguma coisa lá dentro. Não iriam proteger Lance morto. Tommy então acelera seu carro, se abaixa e invade a barreira em altíssima velocidade. Os tiros dos seguranças de Díaz acertam os vidros do carro antes da batida. Com o impacto, o carro de Tommy explode, fazendo o segundo carro explodir juntamente com os seguranças. Tommy também havia explodido? Não, pois antes do impacto ele se jogou do carro segurando seu fuzil. Ficar machucado era mais interessante do que morrer. Tommy avança pelo ferro velho e elimina os homens armados de Díaz que se aproximavam do portão para ver o que havia acontecido. O caminho aparentemente ficou livre. De longe, Tommy vê um galpão aberto e lá estava Lance amarrado e desacordado em uma cadeira. Só havia um segurança com ele e estava pronto para atirar na cabeça do traidor já que todo mundo havia morrido. Mas Tommy dá um tiro certeiro no braço do homem, que larga a arma e grita de dor até o próprio Tommy aliviar sua agonia com um tiro na testa. Lance acorda com os gritos e Tommy o desamarra, mas o italiano não estava nada feliz:

 Meu cuidadoso plano foi para a casa do caralho graças a você, muito obrigado! Você me fodeu direitinho, Lance!

 Ele matou meu irmão! O que você achou que eu faria? Cortasse a grama dele? – Lance, irritado, quase não tem forças pra falar.

 A gente vai ter que eliminar aquele idiota do Díaz antes que ele tente matar a gente! – Tommy diz – Você está bem para usar uma arma?

 Claro, eu acho... Bom te ver também... – Lance ironiza.

 Vamos embora daqui! – Tommy diz ao entregar uma pistola que guardava para Lance.

Eles encontram um carro com a chave na ignição no ferro velho e Tommy leva Lance ao hospital do centro da cidade, o Schuman Health Care Center.

 Fique melhor, se apronte e me encontre na ponte de Starfish Island, ok? – Tommy diz.

 Ok, pode deixar... – Lance diz e vai caminhando para o hospital.

A hora de Ricardo Díaz havia chegado.

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