domingo, 13 de dezembro de 2015

Vice City - Parte 12


Depois de dois dias aguardando Lance sair do hospital, Tommy vai a uma hamburgueria no centro da cidade à noite. Enquanto comia seu sanduíche e tomava seu refrigerante, um homem negro esbarra na mesa de Tommy, pede desculpas e vai até o balcão. Tommy fica irritado, mas aquilo não era nada demais. Pelo menos era o que ele achava. Ao final de seu lanche, Tommy começa a se sentir estranho, algo estava errado. Não parecia ser uma má digestão e sim algo afetando sua mente. Rapidamente ele olha seu refrigerante e vê um resto de pó branco no fundo do copo, mas naquele momento já estava fora de si. O homem negro que esbarrou em Tommy estava na mesa ao lado. Ao ver que o italiano já estava sob efeito da droga que jogou no refrigerante quando esbarrou na mesa, ele diz em alto e bom som o nome de Tia Poulet repetidas vezes. Tommy olha fixo para o homem, se levanta e vai embora. O destino: Little Haiti.

Tommy chega à casa de Tia Poulet, que estava sozinha, sentada em sua sala.

 Ah, me desculpe. Acho que entrei na casa errada... – Tommy diz.

 Não, você deve é entrar, descansar suas pernas e tomar um pouco de chá... – Tia Poulet responde colocando um chá em uma xícara – Você tem alguma coisa aí para mim, Tommy?

 Sim... – Tommy percebe que tem um pacote branco na mão, não tendo ideia de como aquilo foi parar ali, e entrega – Esse lugar parece familiar para mim. Um cheiro de infância, um dejavu...

 Tommy, agora vou sussurrar um pequeno trabalho para você. Ouça bem, ok? – Tia Poulet diz.

 Você me lembra alguém que eu... eu... – Tommy está muito confuso.

 Os cubanos tem barcos rápidos que eles usam para cruzar os mares com drogas. É o ganha-pão deles. Meu sobrinho tem fabricado pequenas bombas voadoras para acabar com eles. Mande aqueles barcos para o caixão... – Tia Poulet ordena.

 Obrigado pelo chá... – Tommy bebe a xícara inteira e sai.

Fora da casa, um haitiano diz a Tommy que a van que ele realizaria o serviço estava na praia e aberta. Lá dentro ele saberia o que fazer. Então Tommy vê a van da Top Fun parada, entra e vê toda uma parafernália para guiar pequenos protótipos de avião que carregavam bombas. Seria o mesmo serviço que fez para Avery Carrington na destruição daquele edifício, só que dessa vez com aviões em vez de helicópteros. Como já estava habituado com aquele tipo de situação, Tommy logo tira os protótipos da traseira, acopla as bombas e começa a guiá-los de dentro da van. Um monitor mostra a visão frontal de cada avião através de câmeras. Os cubanos estavam com suas lanchas no píer de uma das mansões de Starfish Island, provavelmente fechando algum acordo de drogas. Tommy controle o avião até chegar bem em cima de onde estavam todos reunidos e solta a bomba. Instantaneamente todos no acordo morrem com a explosão. Restou a Tommy apenas trazer de volta o avião para colocar mais bombas acopladas e soltá-las nas lanchas dos Cabrones, o que foi feito sem ninguém para atrapalhar.

Ainda sob efeito de drogas haitianas, Tommy volta até a casa de Tia Poulet. Já era madrugada. Ao entrar e ver a casa toda escura, com apenas uma luz entrando por uma janela, ele grita:

 Olá, estou procurando por alguém aqui...

 Você parece estar com fome, Tommy... – Tia Poulet sai das sombras.

 Eu te conheço? – Tommy aparentemente não reconhece a velha, talvez por efeito das drogas.

 Agora cale a boca! Só mais uma coisa e eu deixo você ir, Tommy... – Tia Poulet diz – Meus garotos foram para a guerra com os cubanos, mas sem armas envolvidas. Huum, mas os cubanos tem uma surpresinha chegando. Enquanto eles lutam nas ruas, você pega esse rifle e mata eles no meio da confusão. Ninguém irá te ver, ninguém irá te ouvir. Tommy, se você fizer isso para mim, não ficará mais preso à minha presença.

 Tudo bem, tia... – Tommy pega uma sniper em cima de uma mesa e vai para a rua matar cubanos.


A briga estava acontecendo a poucas ruas de onde Tommy estava. Haitianos e cubanos lutavam na mão em um gramado de Little Haiti. Tommy sobe até o terraço de um prédio por uma escada nos fundos. Atrás de um outdoor ele se esconde e começa a mirar nos cubanos, muitos deles conhecidos do Café Robina, mas não eram reconhecidos naquele momento. Todos eles foram mortos, inclusive alguns haitianos também.

Logo após o último cubano ser morto, Tommy se vê em seu quarto de hotel com o sol incomodando suas vistas e com uma imensa dor de cabeça, a mesma de antes quando pensou ter visitado a velha haitiana. Era a segunda vez que Tommy não entendia nada e não sabia se o que tinha vivido era sonho ou realidade. Em seu, no mínimo sonho, Tommy havia acabado de eliminar praticamente metade dos soldados dos Cabrones, e se alguém tivesse o visto atirando, ele era um homem morto. Umberto nunca iria perdoar uma traição.

E é exatamente Umberto que liga para Tommy o chamando até a lanchonete, coisa que nunca havia feito. Aparentemente sua fala estava desapontada, por ter perdido muito de seu exército naquela noite, mas tranquila em relação a Tommy, parecia não haver suspeitas. Tommy se previne e vai armado até com granadas para o Café Robina naquela manhã. A lanchonete estava lotada e Umberto tentava se manter animado investindo em mulheres que tomavam café no balcão.

 Ei, senhoritas. Sabe o que eu vou fazer? Vou matar um haitiano! E depois? Depois vou fazer amor como um homem! Sabe como é, chica? Assim! – Umberto grita e faz movimentos sexuais para as mulheres, provavelmente prostitutas, que tomavam café.

 Que nojo! – uma das mulheres joga café nas calças de Umberto e se levanta para ir embora com sua amiga – Idiota!

 Ei, baby! Eu não tocaria em vocês nem com um pau de três metros! Umberto Robina gosta de damas e não de cabritas de saia! – Umberto se irrita com as prostitutas, que passam por Tommy na entrada, e ao ver o italiano se alegra – Tommy! Tommy! Eu te amo, eu te amo! Vamos lá!

 Ir aonde? Não posso tomar um café primeiro? – Tommy pergunta.

 Não há tempo para café! Além disso, acabei de tomar um! – Umberto mostra as calças molhadas – A gente tem que pegar aqueles haitianos! Tommy, como você mata uma cobra? Você morde a bunda dela! Hahahaha!

 Se você falou, está falado, Umberto... – Tommy diz.

 Tommy, consiga para nós um carro dos haitianos. Quando conseguir, volta aqui e pegue meu garoto Pepe e leve ele até os haitianos. Aí vocês vão até a fábrica dos haitianos e usem o solvente deles como explosivos. Boom! Adeus! – Umberto explica o plano.

 E você, Umberto? – Tommy pergunta ao ver o cubano indo para os fundos da lanchonete.

 Errr... Eu vou ficar lá atrás e vigiar a lanchonete com o papa! Ele não está muito bem, sabe? – Umberto dá uma desculpa esfarrapada para o seu já conhecido medo de estar na ação.

Tommy vai até Little Haiti e rouba um Voodoo estacionado, o carro que a gangue dos haitianos usavam para rodar em seu bairro. Vai até seu hotel deixar suas granadas, que não precisariam ser utilizadas, e volta para Little Havana e busca Pepe, que diz para Tommy ir encontrar mais cubanos que estavam com outros Voodoos, entre eles Rico, que depois dos ataques às lanchas dos cubanos por Tommy e pela falta de soldados, foi obrigado a se juntar aos ataques terrestres dos Cabrones. Em Little Haiti, Tommy encontra Rico e outros cubanos dentro de dois Voodoos.

 Hola, amigos! – diz Rico – Oy, a fábrica está do outro lado do quarteirão, amigo! Bueno, haitianos putas! Muerte! Vamos!

 Vamos! – Tommy responde.

 Siga os meus compadres! – o outro cubano no terceiro Voodoo diz.

Os Voodoos saem em fila para a entrada da fábrica do haitianos. Os cubanos se passariam por eles com seus carros para terem entrada liberada no portão. Os carros se alinham e o porteiro da fábrica nem se dá o trabalho de olhar quem estava dirigindo. Se eram Voodoos ele liberava a entrada, algo já percebido há dias pelos Cabrones. Os dois primeiros Voodoos entram e já se preparam para estacionar. Já o último carro, o que Tommy dirigia, passa pelo portão e Pepe atira com uma arma com silenciador no porteiro haitiano, então o portão fica aberto, algo essencial para o plano de fuga. Os Cabrones saem do carro e entram na fábrica, vazia por ser antes das nove da manhã e rendem e matam os poucos haitianos ali. Pepe leva as bombas para dentro da fábrica e instala todas em locais calculados para a explosão fazer com que toda a estrutura ceda e a fábrica desabe. Ele aciona três bombas com um timer de quarenta e cinco segundos. Logo todos os cubanos entram em seus carros e saem rapidamente da fábrica passando pelo portão aberto. Antes de deixarem a rua da fábrica, ouvem a enorme explosão, que a deixou completamente em ruínas. Todos voltam ao Café Robina para comemorar, mas Umberto não estava lá. Alberto dá dez mil dólares a Tommy pelo serviço muito bem executado e promete que Umberto logo entraria em contato. O que acontece naquela tarde:

 Tommy! Umberto Robina!

 Ei! Como está a lanchonete? – Tommy pergunta.

 Maravilhosa! Incrível, Tommy, incrível! Sem covardes, Tommy, apenas homens de verdade. E mulheres maravilhosas! De qualquer forma, quero te dizer que para mim e para o papi, você é um cubano! Você provou para todos, cara! Você tem grandes cojones! – Umberto agradece pelos serviços.

 Muito obrigado, Umberto! Ninguém nunca me disse isso após eu sair da cadeia! Te vejo por aí! – Tommy brinca.

No final do dia havia uma mensagem em seu telefone e era de Tia Poulet, que dizia: 

“Tommy, Tommy, porque você continua voltando aqui? Estou te dizendo que não queremos você aqui por perto de novo!”.

Tommy teve três certezas: de que o que fez para os haitianos foi real, de que não teria mais que se envolver com a guerra latina da cidade e que não poderia, em hipótese alguma, mesmo com a gangue haitiana quase totalmente eliminada, se aproximar de Little Haiti. 

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