quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Vice City - Parte 13


Outra mensagem chega para Tommy naquela noite, era de Cortez. Os dois não se viam havia algumas semanas, mas a mensagem pedia a Tommy para comparecer até o iate do coronel com urgência: 

“Tommy! Thomás, aqui é Cortez. Olha, os franceses estão me dando todos os tipos de problemas, amigo. Hipócritas desgraçados! Passam centenas de anos roubando dos pobres e me chamam de ladrão! Preciso da sua ajuda o mais rápido possível, amigo. Por favor, se apresse. Tommy, eu preciso de você, ok? Eu odeio esses franceses desgraçados!”.

Tommy se apressa e vai até o píer.

 Circunstâncias forçam uma retirada às pressas, amigo... – diz Cortez ao ver Tommy se aproximando do iate.

 Qual é o problema? – Tommy pergunta.

 Ah, os franceses querem a tecnologia de mísseis de volta e depois daquele último incidente, acho que é melhor procurar por portos mais seguros... – Cortez lembra a morte de Pierre La Ponce.

 Não seria mais seguro voar? – Tommy sugere.

 Eu seria morto antes de chegar ao aeroporto. Além disso, preciso levar minha mercadoria para fora do país... – Cortez diz.

 Precisa de outra arma? – Tommy oferece ajuda.

 Você, meu amigo, vale por dez armas, hahaha! – Cortez afirma.

O iate de Cortez parte do píer lentamente com todos no último andar, inclusive Tommy, que estaria ali para fazer uma segurança contra prováveis ataques que viriam a qualquer momento. E que vieram assim que o motor do barco foi ligado. Dois carros pretos chegam ao píer em alta velocidade e de dentro saem oito homens de terno e gravata, todos armados e à procura do coronel. Provavelmente eram agentes franceses. Tommy os avista ainda no píer e avisa aos marujos do coronel para os eliminarem. Do iate vem uma rajada de tiros na direção dos homens no píer, cinco são alvejados e três pulam na água desesperadamente. Eles não contavam com o reforço de Tommy na segurança do iate e nem que o coronel estivesse deixando a cidade. Mas quem estava atrás de Cortez estava prevenido. Enquanto passava pelo canal de Vice City com seu iate, o coronel vê a passagem embaixo de uma ponte ser bloqueada por vários barcos menores com homens armados, que começam a atirar contra o iate. Um dos marujos tira um lança-míssil de dentro de uma caixa e começa a atirar contra os barcos para limpar o caminho, fazendo vários homens voarem e seus pedaços caírem no mar. É nessa hora que um helicóptero se aproxima. Também estava lotado de agentes querendo parar Cortez. Tommy rapidamente vira seu fuzil para o helicóptero e começa a atirar, assim como os outros marujos. O helicóptero logo cai no mar e seus tripulantes não são mais vistos. Mas logo atrás vinha um Hunter, um helicóptero de combate muito mais resistente. Na troca de tiros, alguns marujos de Cortez morrem. Mas ainda havia a solução naquele iate. Quando vêem o marujo colocando o míssil para atirar contra o Hunter, os agentes pulam para o mar. O helicóptero é atingido em cheio e explode. Mas os franceses não haviam morrido.

 Tommy, estamos sendo invadidos pelos franceses! – grita Cortez.

Os tripulantes do Hunter sobem no iate armados com pistolas reservas. Os marujos e Tommy descem pelos andares do iate com cuidado, mas aniquilam com facilidade os franceses molhados, afinal tiros de pistola não se comparavam a rajadas de fuzis. Três franceses morrem no segundo andar do barco.

O caminho estava livre. O iate de Cortez atravessa o canal sem mais problemas e chega próximo ao mar aberto de Vice City. Cortez e Tommy conversam no convés:

 Thomas, você me protegeu e me serviu bem. Mas agora tem que nos deixar, antes que cheguemos ao mar aberto. Vou te dar minha lancha particular... – Cortez mostra uma lancha vermelha caríssima que o iate carregava em sua popa – Fique com ela, meu amigo, como símbolo da minha gratidão.

 Obrigado, coronel! – Tommy agradece.

 Mais um pedido. Enquanto eu estiver fora, você poderia ficar de olho em Mercedes para mim? – Cortez pergunta.

 Acho que ela pode cuidar de si mesma, mas claro, vou ficar de olho... – Tommy promete.

 Gracias, amigo. Hasta luego! – Cortez aperta a mão de Tommy.

 Adiós, amigo! – Tommy corresponde.

Cortez segue com seu iate para o sul, provavelmente voltaria para sua terra natal, o Panamá. Lá deveria ter mais poder para se defender de possíveis retaliações do governo francês, pois praticamente era dono do país. Tommy assume a lancha e volta para a praia. A deixa ancorada próximo ao farol de Washington Beach, visível do quarto de seu hotel. Mas ela não ficaria lá por muito tempo, pois Tommy tinha planos de acabar com Díaz e tomar sua mansão. Assim, sua nova lancha teria um píer bem mais seguro para ficar.

Durante aquela noite, Kent Paul havia alertado Tommy sobre sua situação na cidade com uma mensagem que dizia:

 “Beleza, Tommy. Aqui é Paul. Ouvi um pessoal dizendo que você tem sido um menino mau. Alguém se ofendeu por você começar a agir como o grandão do nada com esses golpes. Bem, não diga que eu não avisei. Se gabar é coisa de filho da puta, filho. De qualquer jeito, eu ouvi que sua cabeça está valendo um certo preço e que alguém está indo te pegar, então tome cuidado, e lembre-se de mim, irmão!”.

Tommy só ouviu a mensagem quando chegou em seu hotel. Era óbvio para ele quem queria sua cabeça: Díaz e seus homens. Sharks também poderiam estar atrás dele, mas, sem a força que perderam quando traíram Díaz, eles não incomodariam.


Lance recebe alta do hospital na tarde seguinte. Ele havia ficado muito fraco e perdido muito peso nos dias em que ficou confinado no cativeiro de Díaz, mas com quase uma semana de repouso, recuperou sua forma física. E estava disposto a acabar com o colombiano assim como Tommy estava. Como haviam combinado, ambos se encontram em frente à mansão de Díaz, escondidos, claro. Não só Tommy, mas também Lance era procurado a todo custo pela cidade.

 Consegui umas armas, estão aqui... – Lance abre o porta-malas de seu carro.

 Puta que pariu! De onde você tirou isso tudo? – Tommy se assusta com a artilharia.

 Estava guardando para algum dia ruim... – Lance brinca e entrega uma M4 para Tommy – Você gosta?

 Hahaha, sim, eu gosto! – Tommy se empolga.

Ricardo Díaz estava sentado em uma poltrona de seu escritório. Ele percebeu algo em seus vários monitores mostrando imagens de câmeras de segurança. Quando viu Tommy e Lance entrando em seu quintal, se levantou e pegou uma metralhadora para se defender. Ele sabia que o troco havia chegado.

 Esse lugar vai estar cheio de idiotas. Tome cuidado... – Tommy avisa a Lance enquanto eles se aproximam dos fundos da mansão.

 Não se preocupe, Tommy. Vou te cobrir! – Lance garante.

Os seguranças da mansão recebem o aviso de que podiam acabar com os intrusos e logo vão em peso para os fundos da casa. Munidos de fuzis poderosíssimos, Tommy e Lance trabalham em equipe, um cobrindo o outro, e vão limpando o caminho a cada segurança que entra na frente para tentar impedi-los. Muitos seguranças também ficam dentro da mansão para proteger Díaz. Enquanto Lance dava rajadas de tiros em homens que caiam mortos na imensa piscina da casa, Tommy avançava para a porta de entrada.

 Díaz deve estar lá dentro! – Tommy grita para chamar Lance.

Os dois adentram a casa e chegam ao início de uma grande escadaria interna giratória que levava aos vários andares da mansão. O teto dessa escadaria era de vidro, portanto o sol da tarde penetrava o ambiente. Tommy percebe pelas sombras projetadas pelos corpos dos seguranças a localização deles e mira os disparos de seu fuzil e do de Lance para o piso onde cada segurança estava, os atingindo de baixo pra cima, derrubando todos que faziam a proteção da casa por ali. Eles sobem a escadaria e chegam ao interior da mansão.

 Tommy, posso ficar com algum quarto com vista para o mar? – Lance se empolga.

Após derrubarem mais alguns seguranças na escadaria central da mansão, que levava ao escritório de Díaz, Tommy e Lance ficam cara a cara com o barão do tráfico novamente, o colombiano no alto e cada um em uma ponta da escada.

 Díaz! Vim tomar o seu império! – Tommy grita com toda força e fúria.

 Tommy, você me traiu, seu idiota! Eu vou te matar! – Díaz começa a disparar com sua metralhadora em direção a Tommy.

Os dois se jogam para o chão e rolam para trás da escada. Díaz estava por conta própria, todos os seus seguranças já estavam mortos. Mas ele não se entregava. Atirava sem parar, destruindo sua própria mansão, assim como fazia com qualquer bem que possuía.

 Tomem, seus filhos da puta assassinos! – Díaz berrava enquanto atirava.

Inexplicavelmente, Díaz estava atirando apenas em Tommy. Lance tinha ficado sob seu domínio por vários dias e não foi morto. Talvez ele tenha sido apenas uma isca para a conquista da morte de Tommy, que com certeza era muito mais perigoso para os negócios. Mas Díaz deveria ter pensado que Lance tinha motivos muito maiores para se vingar, afinal para ele quem tinha ordenado que fossem executados todos os presentes no acordo de drogas dos Forellis com os Vances tinha sido o maior traficante da cidade. E Vic Vance foi morto naquele final de tarde. Perder drogas, dinheiro e dois capangas como Tommy havia perdido não era nada se comparado a perder um irmão e parceiro de negócios. Como não pensou nisso e focou seus tiros apenas para o italiano, Díaz foi atingido no ombro direito por um tiro de Lance, deixou sua metralhadora cair e desabou ao chão entre gritos de dor.

 Seus imbecis estúpidos! – Díaz berra se arrastando pelo chão tentando recuperar sua arma – Minha linda casa, olha o que vocês fizeram com ela!

 Isso é pelo meu irmão! – Lance sobe as escadas e chuta Díaz antes que ele chegasse à metralhadora.

 Eu confiei em você, Tommy! – Díaz aponta e olha nos fundos dos olhos de Tommy, que olha para Lance com uma gelada cara de desdém – Eu poderia ter te transformado em um homem de verdade!

 Diga boa noite, Sr. Díaz... – Lance aponta sua arma juntamente com Tommy para a cara de Díaz e diz.

O tiro atinge a testa de Díaz, que morre com uma expressão de decepção gravada em sua face. Tudo que conquistou tinha sido em vão. Sua morte, ironicamente, tinha sido motivada por vingança de algo que ele não era responsável. Lance se sentiu aliviado e vingado pela morte de Vic e Tommy aliviado por finalmente ter dinheiro e droga suficiente para pagar a Sonny Forelli o que era devido. O império de Díaz agora era de Vercetti.

O homem que comandava Vice City estava morto e agora outro homem estava em seu lugar. Mas seu nome não era Tommy Vercetti. Era Sonny Forelli. Tudo havia saído como planejado na mesa do Marco’s Bistro em Liberty City e estava na hora da viagem à Vice City ser marcada.

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