segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Vice City - Parte 14


Tommy assumiu o controle da mansão de Ricardo Díaz e de todo seu império criminoso, que ia desde acordos de drogas a jogos ilegais e extorsão de comércios, mas ainda tinha que legitimá-lo. Alguns dias de paz chegaram a Vice City, mas não duraram muito. Pensando em realmente tomar conta da cidade, ele chama até a mansão, que não teve nenhum cômodo modificado, para uma reunião seus principais parceiros no novo Império Vercetti: Lance Vance, Avery Carrington e Ken Rosenberg. Os três chegam à mansão às três da tarde de uma sexta-feira e vão ao escritório de Tommy. Ele os recebe e os leva para conhecer o novo imóvel. Andando pelos corredores, os quatros sócios conversam.

 Temos que redecorar esse lugar! Temos que fazer com que pareça mais antigo! – Ken diz, sempre agitado, observando as paredes – Não aguento essa decoração! Tommy, o que você acha? Que tal colocarmos um bar na...

 Você é meu advogado, Rosenberg. Não meu decorador de interiores, entendeu? – Tommy corta e fala com todos – Me escutem, a hora de tomar essa cidade é agora! Está tudo lá esperando por nós!

 Nós precisamos começar a conquistar território... – Lance diz – Deixar Vice City saber que nós somos os novos donos da cidade, tá ligado?

 O que você precisa é de um legítimo cartão de visitas, Tommy, mostrar quem é que manda. Dar a essa cidade o que ela nunca viu... – Avery sugere.

 Temos que começar a usar a força ou já podemos dar um beijo de despedida em todo esse trabalho duro... – Lance completa – Os comerciantes locais sabem que Díaz está morto, e já estão se recusando a pagar por proteção.

 Ah, a gente poderia tentar suborná-los! – Ken diz.

 Suborná-los!? Foda-se suborno! Vou mostrar pra você como deixar eles assustados! – Tommy se irrita – Eu volto em cinco minutos...

Tommy não esperava receber aquela notícia de que os comerciantes estavam fazendo jogo duro para pagar pela proteção – sempre forçada – de qualquer gangue que domina uma cidade. Com Díaz morto, seria óbvio que alguém tomaria o seu lugar e o dinheiro deveria continuar a ser pago ao novo chefe. Se eles estivessem pensando que Vice City seria uma cidade sem dono, estariam muito enganados, era o que pensava Tommy enquanto andava em direção ao seu carro. O melhor lugar para encontrar comerciantes era o shopping, então ele vai até o North Point Mall, em Vice Point, para fazer uma visita surpresa aos comerciantes “abusados”. Naquela tarde, todas as lojas estavam abertas e o movimento do shopping não era muito grande. Tommy leva sua metralhadora em seu carro. Ele entra no shopping. Todas as lojas ali pagavam a Díaz para funcionar, e Tommy sabia disso. Ele simplesmente saca sua metralhadora e atira em todas as vitrines que vê pela frente perto de uma das entradas, desde vitrines de lojas de roupa a cafeterias. Algumas pessoas são baleadas com os tiros.

 Vercetti! Lembrem desse nome! – Tommy grita com toda a força para que todos ouvissem.

Quando os guardas do shopping se aproximam do tiroteio, já não havia mais ninguém atirando. Tommy já estava em seu carro voltando para sua mansão. O recado havia sido passado, os comerciantes com certeza entenderiam. Se continuassem não pagando proteção, suas lojas seriam destruídas e clientes seriam mortos. Ninguém gostaria de entrar em uma loja correndo o risco de ser atingido por um tiro na cabeça. A proteção deveria ser paga. Tommy logo mandaria alguns cubanos que contrataria para trabalhar para ele até as lojas para recolherem o pagamento, sendo a responsabilidade sobre a proteção totalmente de Lance. Com a notícia do ataque ao shopping, toda a cidade entraria nos eixos e saberia de seu novo dono.

Ao voltar para sua mansão, Tommy comunica a seus sócios que o problema já havia sido resolvido e os dispensa por aquele dia. Antes de ir embora, Avery tem uma conversa com Tommy.

 Filho, acho que eu tenho que te dar alguns conselhos... – Avery diz.

 Sim, Avery, o que está te preocupando? – Tommy pergunta.

 Há muitas oportunidades nessa cidade se você realmente domina um bom território, tá me entendendo? – Avery pergunta.

 Acho que sim... – Tommy responde.

 Só queria te dizer para ficar de olhos abertos, aí talvez você encontre a oportunidade perfeita para fazer negócios. Te encontro depois! – Avery se despede.

 Até mais, Avery... – Tommy volta para seu escritório.

O que Avery claramente quis dizer era para Tommy investir em sua construtora através de seus negócios sujos de compra de terrenos. Com o apoio de Tommy Vercetti, sua empresa, a Avery Construction, atingiria patamares inimagináveis de lucros. Tommy entendeu que teria que lidar com esse tipo de pedidos a todo momento, mas Avery era um bom sujeito, não haveria motivos para não ajudá-lo.

Ao contrário de Díaz, Tommy acordava cedo para resolver o que precisava ser resolvido, assim como foi disciplinado em seus quinze anos na cadeia. Então no dia seguinte, às oito da manhã, ele já estava de pé em sua mansão. Para sua surpresa, Lance também já estava lá, no bar, tomando um drinque com dois soldados: Juan, um dos cubanos recrutados dos Cabrones, e Mike, ex-soldado de Díaz que se juntou a Tommy depois de seu chefe morrer.  Todos estavam cabisbaixos.

 Qual é o problema? – Tommy se aproxima.

 Um bar está se recusando a pagar. Estão reclamando que já são protegidos por uma gangue local. Mas não se preocupe, Tommy, eu posso resolver isso... – Lance explica.

 VOCÊ CHAMA ISSO DE RESOLVER!? – Tommy se irrita e grita, assustando a todos, e aponta para os dois soldados – Vocês dois, levantem a bunda daí! Vamos!


Tommy não acordava cedo para ver seu encarregado das extorsões dizer que estava resolvendo problemas ficando bêbado às oito da manhã de um sábado. Ele entra em seu carro com seus soldados os chamando de inúteis, realmente estava bem nervoso. Mike diz que o bar que causava problemas era o Front Page Café, um bar que ficava na Ocean Drive, ao lado do hotel que Tommy morava antes de assumir a mansão, o Ocean View Hotel. Em alguns minutos, Tommy chega ao bar, que tinha alguns clientes tomando café da manhã na área aberta que ficava em frente. Lá estavam dois seguranças da DBP Security. Tommy entendeu. Provavelmente alguns trabalhadores da empresa deveriam estar fazendo um serviço extra de extorsão, como era muito comum, ainda mais na maior empresa do ramo do país. Tommy, Mike e Juan rendem os seguranças e pegam suas armas. Juan os mantém sob a mira de uma pistola enquanto Tommy e Mike querem falar com o gerente. Logo um senhor de meia idade e terno e gravata se apresenta como dono.

 Sua proteção precisa de um pouco mais de proteção... – Tommy diz.

 Ah, que merda, de novo, não! Eu não preciso dessas merdas! – o homem reclama – Esses idiotas são da DBP Security ali da rua de trás. Vocês que resolvam com eles!

 Vou te ver de novo logo... – Tommy ameaça.

 Tá, tá, tanto faz... – o homem desdenha.

Tommy já tinha estado na DBP antes, quando matou Dick Tanner a mando do russo que pedia favores a Leo Teal. Os seguranças do bar são levados até a frente da empresa para servirem como moeda de troca com os envolvidos no esquema. Tommy estaciona o carro em frente ao portão e chama os envolvidos com o Front Page Café. Três homens armados aparecem. Juan fica atrás dos seguranças apontado a pistola para a cabeça deles. Tommy sugere o fim do esquema no bar em troca da vida dos empregados. Porém os homens da DBP provavelmente não davam a mínima para os seguranças pegos, deveriam ser peças menores do esquema. Eles abrem fogo contra Juan e os próprios colegas, matando os três. Tommy e Mike imediatamente atiram de volta, também matando os três. Juan é colocado dentro do carro baleado na cabeça e é levado ao hospital a toda velocidade por Tommy, mas morre antes de chegar. Restou levá-lo de volta à mansão e preparar um velório digno de um dos Cabrones. Pelo menos ele havia morrido por uma causa: o dono do Front Page Café ligou para soldados de Tommy e avisou que a proteção era deles.

Quase tudo deu errado naquele fim de semana. Tommy sentiu como seria sua nova vida, uma vida de muito poder. E também muitos problemas. Perdas como aquela seriam frequentes. Várias gangues da cidade tomaram coragem com a morte de Díaz e começaram a fazer trabalhos por aí. Talvez fosse hora de deixar os serviços de proteção com alguém com maior responsabilidade do que Lance para que o novo momento de Tommy fosse mais tranquilo. Mike era o melhor homem para o trabalho. Ele tinha a experiência de ter sido um braço direito de Díaz e com certeza faria um bom trabalho. No velório de Juan, Tommy comunica a Mike e Lance sobre a troca de comando. O motivo seria não ter esse tipo de problema e estresses para o chefe do cartel, no caso, Tommy, que usaria seu tempo para investir em outras áreas rentáveis. Mike ficou feliz com o reconhecimento e agradeceu beijando a mão de seu novo patrão. Lance abaixou a cabeça e se afastou sem dizer nenhuma palavra.

Na noite de domingo, Lance ligou para Tommy.

 Tommy, nós precisamos conversar sobre umas coisas... – Lance diz, meio irritado.

 Qual é o problema, Lance? – Tommy pergunta.

 É você, meu amigo, estou sentindo que você não está me dando uma fatia justa. E mais que isso, você está me envergonhando na frente dos caras. Não aceito isso! – Lance diz.

 Lance, não é assim. Você anda cometendo erros... – Tommy tenta contornar a situação.

 Tommy, eu não sou seu mensageiro, nem seu soldado! – Lance fica nervoso.

 Lance, não fala merda! Nós não temos nenhum problema! Se eu fizer merda, você pode reclamar comigo a hora que quiser também! – Tommy também se irrita.

 Tommy, eu fiz tudo por você e você me trata como um imbecil. Não faça isso! – Lance continua.

 Lance, eu não vou te trair ou te esfaquear pelas costas, ok? – Tommy tenta manter a calma – Fica calmo, tudo que está acontecendo já é foda demais sem você discutindo relação comigo. Confia em mim! Você tá me ouvindo? Tá me ouvindo?

 Estou ouvindo, Tommy, mas não vou aguentar isso por muito tempo... – Lance diz depois de um longo silêncio.

 Lance, não faça isso. Agora eu estou te avisando... – Tommy começa a ficar irritado novamente – Tá me ouvindo? Relaxa aí, tira uns dias de férias, ok? Eu falo com você depois.

Essa ligação preocupou Tommy. Ele não poderia perder Lance, mas ao mesmo tempo não poderia continuar deixando sua irresponsabilidade atrapalhar os negócios. Alguns dias de férias realmente poderiam fazer bem a ele. Mas se Tommy conhecesse melhor a história do seu sócio e soubesse o que ele fez dois anos antes quando Vic o dispensou, não faria aquilo com uma pessoa com tal temperamento. Para Lance se tornar inimigo de quem o ignora era muito fácil. E já dizia o ditado: “Mantenha seus amigos por perto, mas seus inimigos mais perto ainda”.

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