segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Vice City - Parte 15


Nos primeiros dias da semana seguinte, Tommy recebeu um novo recado de Kent Paul. A última mensagem do inglês havia sido antes da morte de Díaz, alertando a Tommy sobre o preço que sua cabeça valia pela cidade. Quando viu o recado na secretária eletrônica do telefone de seu escritório, Tommy achou que era apenas mais do mesmo do que geralmente vinha de Kent Paul: “cuidado e lembre-se de mim”, mas a mensagem se mostrou diferente.

Tommy, meu filho, eu tenho uma surpresa para você! Estou aqui em um estúdio de gravação com grandes artistas. Por que você não nos faz uma visita? Você entendeu o que eu quero dizer, né? Até mais...”.

Tommy entendeu. Agora ele era a nova fonte de drogas para seus chegados na cidade. Mas ele aproveita aquela mensagem para levar sua cabeça para outras áreas fora do ranço diário de ter que manter seu império. Foi para isso que tirou Lance do comando das extorsões. Então Tommy logo vai com uma de suas inúmeras motos até o maior estúdio de gravações da cidade, pois com certeza era lá que um cara como Kent Paul estaria. Era o estúdio da V-Rock, uma estação de rádio especializada em Hard Rock e Heavy Metal, no centro da cidade. Lá estava Kent Paul sentado em uma mesa de som com vários jovens tipicamente roqueiros dos anos oitenta, todos com cabelos esvoaçantes, magros, maquiados. Faziam parte de uma grande banda escocesa da época chamada Love Fist, uma banda de Hard Rock que se achava muito melhor do que realmente era. Seus membros eram o vocalista Jezz Torrent, que Tommy já havia visto em seu primeiro dia de Vice City naquela festa no iate do coronel Cortez. Jezz era alto, magro, tinha longos cabelos pretos e sempre estava sem camisa. Ainda havia na banda o guitarrista Percy, praticamente Jezz só que vestindo camisetas, o baixista Willy, que também era bem parecido com Jezz e Percy, e um membro que se destacava por ser diferente: Dick. Dick era o baterista da banda e o único ruivo do grupo. Tinha cabelos longos, sempre usava uma camisa da seleção argentina de futebol, a seleção que ganhou a Copa do Mundo daquele ano disputada no México, eliminando a seleção inglesa, eterna rival de escoceses. Seu ídolo era o maior jogador da época, Maradona. Além de tudo, ainda usava um kilt, aquelas saias masculinas típicas escocesas.

Quando Tommy entrou no estúdio, estava acabando de ser finalizada uma gravação. Jezz dava seu último grito para a música e Kent Paul vibrava:

 Isso aí! Brilhante, simplesmente brilhante! – Paul grita antes de ver Tommy – Ei, Tommy! Feliz por você ter vindo! Já ouviu falar da Love Fist?

 Não, nunca ouvi, mas sempre gostei da música de vocês... – Tommy brinca.

 Deixa eu te apresentar para a banda! Esse aqui é o Percy, Dick, Willy está ali fora com uma japonesa e o que estava na cabine agora é o Jezz! Caras, eu quero que vocês conheçam um grande amigo meu! Esse é o Tommy, temos uma longa história juntos! – Paul se empolga.

 E aí, cara... – Jezz cumprimenta Tommy e olha para Paul – E você, qual é o seu nome mesmo? Hahaha!

 Para com isso, Jezz. Você se lembra! Não fique com esses joguinhos comigo, cara. Sou muito esperto para isso, querido... – Paul fica sem graça.

 Inglês idiota... – Jezz cochicha para Dick, mas todos no estúdio ouvem.

 É o seguinte, Tommy, os caras estão precisando de uma ajuda. Eles não são muito conectados com a cidade aqui, não tem aquela manha de perguntar “como vai seu pai?” antes, sabe? – Paul tenta explicar para Tommy, mas é interrompido por um grito de Jezz.

 A gente precisa de umas drogas, cara! Pegar a velha fúria da Love Fist, tá ligado? – Jezz se irrita, e seus colegas o acompanham.

 Bom, isso aqui é Vice City, cara. Qual é o problema? – Tommy pergunta.

 Sumo do Amor, cara! – Percy diz.

 A gente precisa de Sumo do Amor, cara, tá ligado? – Dick completa.

 Sumo do Amor? – Tommy nunca tinha ouvido falar.

 Sim, duas partes de Boomshine, uma parte de cocaína, cinco sais de fruta e um litro de gasolina... – Jezz explica.

 Você pode ajudar a gente, cara? – Dick pergunta.

 Isso significa muito para nós! – Jezz diz.

 Você pode fazer isso pelos caras, né? – Paul pergunta a Tommy.


Tommy cede por consideração a Kent Paul e pede informações sobre onde conseguir aquele sumo louco. Paul diz que havia um traficante vendendo o Sumo do Amor ali mesmo no centro, embaixo de um grande prédio naquela mesma rua. Tommy vai de moto e logo encontra um traficante parado ao lado da entrada de um grande edifício branco. Ele se aproxima e o homem diz:

 Procurando por alguma coisa especial? Eu tenho o que você precisa.

Tommy entrega o dinheiro ao ver o homem tirando as garrafas de uma bolsa. Mas o traficante era um pilantra, ele pega o dinheiro e sai correndo. Com certeza se ele soubesse quem era o seu cliente, ele não teria feito aquilo. Tommy dá uma risada, tira sua pistola e atira três vezes nas costas do homem que corria para chegar na calçada e alcançar seu carro. Ele cai já morto e o dinheiro de Tommy se espalha. Tanto o dinheiro quanto as garrafas são recolhidos, colocados dentro da bolsa e levados para o estúdio para o consumo desesperado dos escoceses. Assim que Tommy chega ao estúdio, Paul aparece na porta, pega a bolsa e diz a Tommy:

 Cara, os caras poderiam tomar isso com uma companhia, se é que você me entende...

 Conheço a garota certa... – Tommy diz.

A casa de Mercedes, filha de Cortez, não ficava muito longe dali. Depois que seu pai foi embora para o Panamá, ela estava livre para ser o que queria ser: a maior prostituta da cidade. Cortez pediu a Tommy para ficar de olho em sua menina, e ele estava mesmo. Estava pensando em ajudá-la ao alcançar seu objetivo profissional. Tommy vai até a casa de Mercedes e buzina com sua moto. Ela aparece na janela.

 Ei, Mercedes! – Tommy diz.

 Oi, Tommy! Como você está? – Mercedes fica feliz em ver o italiano.

 Muito bem! Olha só, você curte Love Fist? – Tommy pergunta com um duplo sentido sutil.

 Ok... – Mercedes entende na hora – Mas esse vai ser um favor que vou esperar retorno...

Ela se arruma um pouco e Tommy a leva até o estúdio para passar algumas horas com a Love Fist. O que eles fizeram sob o efeito do Sumo do Amor naquela noite será sempre uma incógnita.

Na tarde seguinte, Tommy volta ao estúdio. Seus negócios estavam andando bem com o afastamento de Lance, portanto ele poderia andar pela cidade com outros interesses. Assim que chega, Kent Paul já o recebe desesperadamente, todos parecem preocupados.

 Tommy, cara! Que bom te ver! – Paul se levanta da cadeira em que estava sentado.

 O que está acontecendo? – Tommy pergunta.

 Vibrações ruins, Tommy... – Jezz diz.

 É isso aí, eu não estou brincando, isso é bagulho pesado. Pesado, tá ligado? – Percy anda de um lado para o outro.

 Tem um cara aí que a gente mal conhece, mas que conhece muito a gente... – Jezz explica e aponta para Paul – Tipo esse cara aqui. Sabe tudo sobre a gente! Sabe que o Willy gosta de usar as calcinhas das mulheres dele! Sabe que o Percy gosta de Duran Duran!

 Cala a boca, seu idiota! Só porque Jezz come putas! É como um foguete do amor, tá ligado? – Percy reclama.

 Cala a boca! – Dick também reclama.

 É isso aí, a coisa do foguete do amor, pode crer! Mas escutem, esse cara aí... – Jezz dizia, mas é interrompido por Kent Paul.

 É isso aí, esse cara quer todos da Love Fist mortos! – Paul diz – Mortos, Tommy! A Love Fist acabada! Você sabe o que todos dizem, que os bons morrem jovens, mas, Tommy, você tem que salvar a Love Fist!

 A gente tem uma sessão de autógrafos em duas horas e eu acho... – Jezz dizia, mas é interrompido por Kent Paul de novo.

 É, é, é isso aí! Os caras estão achando que o maluco vai tentar fazer alguma merda lá! – Paul diz.

Tommy pede a todos para se acalmarem e começa a bolar um plano de segurança. Com quarenta minutos de conversa, tudo já estava pensado. Às quatro da tarde, Tommy vai até o estacionamento do prédio da V-Rock com a chave da limousine que levaria a banda até a loja Rock City, uma das maiores lojas de música da cidade, que ficava ali mesmo no centro. Mas a Love Fist não desce do prédio. Tommy primeiro iria até a loja com a limousine e se houvesse algum ataque de algum maluco contra o carro, ele saberia se virar. A frente da loja estava lotada, vários fãs gritaram quando viram a limousine se aproximando. Várias mulheres começam a gritar, mulheres com roupas curtíssimas tentam se aproximar do carro, que é cercado por alguns seguranças do evento. Mas Tommy logo percebe que uma dessas mulheres era bem estranha, parecia um travesti alto, quadrado e muito feio. Não deu tempo de avisar, pois aquilo era o maluco que queria a Love Fist morta, provavelmente mais um fã daqueles doentes pelo que venera. O homem tira uma pistola da saia e atira na cabeça de um dos seguranças gritando:

 Vou ver a Love Fist queimar! A Love Fist arruinou a minha vida!

O homem já estava pronto para atirar contra os vidros escuros da limousine achando que a banda estava ali, quando Tommy rapidamente pegou sua metralhadora, abriu o vidro da janela ao seu lado e disparou uma rajada de tiros. O psicopata se assustou e saiu correndo em direção a um carro que estava estacionado logo ao lado. Tommy continua com a rajada de tiros, que acerta por trás o ombro do homem logo antes de ele entrar em seu carro. O carro arranca e Tommy vai atrás com a limousine, mas claramente percebe que a ferida no ombro não estava deixando o fanático dirigir corretamente, ainda mais em uma perseguição. Poucas curvas depois, o psicopata atravessa um cruzamento e é atingido em cheio por um caminhão de lixo que fazia a coleta diária. O carro do homem é jogado contra um poste e ele fica preso às ferragens agonizando. Tommy sai da limousine e se aproxima com cuidado. Ao perceber a agonia do homem, ele decide livrar aquele maluco da dor com uma morte rápida e sem dor. Aperta o gatilho de sua metralhadora, que estava dentro da boca de quem nunca mais iria incomodar a Love Fist.

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