domingo, 17 de janeiro de 2016

Vice City - Parte 18


De volta à sua rotina normal, Tommy assume novamente o posto de chefe de uma organização gigantesca. Volta a aprovar e desaprovar acordos por drogas que chegavam à cidade, dar comandos para que problemas variados se resolvessem. Mas algo inesperado também volta: as ligações para Leo Teal. Era uma noite de terça-feira quando ele recebeu uma ligação o avisando para ir até o telefone público do aeroporto imediatamente. Se antes Tommy fazia aqueles serviços para ter pistas sobre quem roubou a grana dos Forellis, agora ele aproveitaria para descobrir quem estava por trás daquelas ligações, quem era aquele russo e qual era sua organização criminosa.

Ao chegar ao aeroporto, Tommy se lembra do dia em que chegou a Vice City. Mal imaginava que voltaria ali praticamente como dono da cidade poucos meses depois. Ele aguarda até um horário redondo e o telefone público do saguão toca.

 É hora de fritar peixes maiores, senhor Teal. Há um rifle escondido entre as plantas à sua direita... – o russo diz – Observe a mulher que está na varanda acima das mesas de check-in. Ela caminhará pelo povo e perguntará as horas a uma pessoa. Você deve matar esta pessoa, pegar a mala que estará com ela e levar para o local descrito embaixo do telefone.

A ligação termina e Tommy olha rapidamente para uma mulher olhando para ele na varanda do segundo andar do saguão. Ela era morena, usava óculos, cabelo preso e roupa social. Não era nada bom ter uma segunda pessoa envolvida vendo as características do “Leo Teal” que Tommy se passava, pois o verdadeiro tinha características físicas totalmente diferentes. Qualquer contato da mulher com a organização arruinaria os planos de Tommy. Ela não sobreviveria com “aquele” Leo Teal ali.

Tommy vai até o vaso decorativo com várias plantas grandes ao seu lado e encontra uma sniper cheia de balas. A mulher vê Tommy se posicionar para atirar escondido entre os arbustos e desce do segundo andar por uma das escadas rolantes. Ela vai em direção a um homem idoso de terno que estava acompanhado por um mais novo, possivelmente seu segurança. Parecia ser um homem poderoso. Tommy logo entende a ideia da mulher para a aproximação, talvez fosse o único gênero sexual autorizado a se aproximar. A mulher se aproxima sensualmente do idoso e lhe pergunta as horas. O homem saca seu relógio de pulso caríssimo e a responde. Era a confirmação. Tommy rapidamente mira na cabeça do idoso e atira. A bala faz o crânio explodir. A mulher logo sai correndo em direção à rua, mas é alvejada pelas costas pelo segurança do homem com cinco tiros, que provavelmente achou que os tiros haviam vindo dela. Mais um problema resolvido, Tommy pensou. O segundo tiro da sniper teve como destino a cabeça do segurança. A explosão de miolos foi a mesma da anterior. Nesse momento, o aeroporto já estava em caos, com uma correria e desespero gigantescos. Tommy deixa a sniper nas plantas e se aproxima calmamente dos corpos mortos no aeroporto. Até aquele momento, poucos segundos depois, nenhum policial ou segurança havia chegado até o centro do tiroteio. Tommy pega a maleta do idoso e sai tranquilamente em direção ao seu carro. Ele tinha um endereço descrito para seguir em um papel que estava junto ao telefone público. E o caminho levava até a Ammu-Nation do centro da cidade, aquela em frente ao esconderijo dos Sharks. Pelo destino final da maleta, ficou nas entrelinhas que o idoso morto teria alguma relação com armas, sendo assim de interesse do russo possivelmente alguma arma ou documento naquela mala.

Saindo do aeroporto com seu carro, por Tommy passavam numerosas viaturas policiais no sentido contrário. Provavelmente câmeras de segurança teriam gravado a ação de Tommy, mas ele não se preocupou, pois toda a polícia da cidade sabia quem ele era e o procurava. Além disso, o único crime que poderiam acusá-lo de cometer era de furto da maleta, pois Tommy verificou que o local que ele se posicionou para atirar era um ponto-cego, nenhuma câmera de segurança filmava aquele exato espaço. Mas com certeza o russo teria acesso às imagens e veria que não era Leo Teal fazendo suas missões. Relacionando com a conta bancária parada do cozinheiro, sem a retirada dos pagamentos pelos trabalhos realizados, seria fácil deduzir que Tommy Vercetti fazia todo o trabalho.


Se o último contato do russo havia demorado em chegar, o próximo veio apenas um dia depois. O mesmo protocolo seria seguido: Tommy deveria ir até outro telefone público, desta vez seria o telefone próximo a uma grande sorveteria chamada The Cherry Popper Ice-cream Company, que ficava em Little Havanna, em frente à praia. Tommy desconfia das intenções da ligação, pois com certeza saberiam que não seria Leo Teal no local e sim o maior gangster da cidade. Portanto, Tommy chama alguns de seus homens para fazer uma segurança à distância caso algo de ruim fosse tentado. Às nove da noite em ponto, o telefone público toca e Tommy está lá para atender.

 Há um valioso acordo acontecendo no terraço da sorveteria The Cherry Popper Ice-cream Company. Mate todos os envolvidos, roube a mercadoria e leve até o heliponto do aeroporto. Há um portão à sua esquerda que leva até os fundos da sorveteria... – diz o russo.

Tommy desconfiou mais ainda, pois o nome de Leo Teal não foi citado nessas ligações pela primeira vez. Logo chamou seus soldados para entrarem na fábrica e acabarem com o acordo feito, mas com um propósito certo. Descobrir quem era o russo daquelas ligações.

Logo na entrada do portão dos fundos da sorveteria há seguranças, que quando veem Tommy e seus soldados começam a abrir fogo. Os soldados de Tommy, a maioria Cabrones, avançam com táticas de guerra, pois o novo dono da cidade não teria soldados de rua e sim um exército treinado pelos melhores profissionais que o dinheiro poderia comprar. Todos os seguranças que estavam na parte de trás da sorveteria vão caindo com os vários tiros disparados e a coluna de soldados avançando. De baixo, Tommy vê que há um helicóptero no terraço do prédio, local onde estaria acontecendo o acordo. Mas curiosamente não há nenhuma movimentação do helicóptero após os tiros começarem, o que seria óbvio, pois quem estivesse negociando lá em cima ficaria acuado e não teria para onde fugir, apenas se pulasse do prédio. Naquele momento, Tommy teve certeza de que aquilo era realmente uma emboscada.

Todos avançam pelas escadas que levam ao topo do prédio com todo o cuidado para caso quem estivesse lá contasse com seguranças ou estivessem propriamente armados. Mas estranhamente Tommy chega ao topo do prédio e não vê ninguém, apenas uma mala deixada entre duas chaminés gigantescas ao lado do helicóptero. Era exatamente a maleta que o russo queria, mas Tommy não caiu na armadilha. Atrás das chaminés estavam vários homens armados apenas esperando a aproximação de Tommy para pegar aquela maleta. Mas eles foram surpreendidos pelo cerco militar que os soldados Cabrones fizeram por trás, os rodeando e atirando, mas os deixando vivos. Por enquanto.

Tommy aguarda todas as armas serem retiradas daqueles homens e se aproxima. Pergunta para o primeiro quem havia mandado eles para lá. O homem diz que não sabia. E morre com um tiro na testa. Foi um exemplo para os outros três homens restantes. As súplicas por misericórdia começam e se ouve a pergunta mais uma vez sobre o nome do homem que mandou aqueles quatro homens para matarem Tommy Vercetti. Um dos homens diz que falaria o que sabia. E era uma história importantíssima.

Todos ali trabalhavam para um homem que ninguém sabia o verdadeiro nome e nem face. Todos o conheciam como Black, ou Sr. Black, como ele exigia que fosse chamado. Era um homem que investia em contratações de matadores para realizarem assassinatos que o ajudavam em seus negócios, cujo ramo também era desconhecido. Já Leo Teal era o maior matador da cidade, fazia serviços para todas as gangues e impérios de Vice City desde os anos sessenta, mas sempre trabalhando em um restaurante como cozinheiro para despistar a polícia sobre seus lucros. Em determinado momento dos anos oitenta, Black chegou à cidade e contratou Leo Teal para realizar serviços. Junto com Teal sempre andava Eugene, dono do restaurante em que ele trabalhava, sendo também seu namorado, os dois mantinham uma relação amorosa e profissional no mundo do crime. Havia também um homem conhecido como Moweesha, a terceira peça de um triângulo amoroso gay entre assassinos de aluguel. Até que Leo Teal foi morto e tanto Eugene quanto Moweesha fugiram da cidade temendo serem os próximos alvos.

Tommy logo fez uma associação rápida. No atentado que matou Vic Vance, Harry e Lee, havia exatamente três atiradores. Muito provavelmente eram Teal, Eugene e Moweesha. A cabeça de Tommy se confunde. Será que o responsável pelas mortes e roubos das drogas não havia sido Díaz e sim o tal Black? Essa seria a dúvida que Tommy teria de agora em diante. Ele comunica ao chefe de seus soldados para colocar todos os esforços para descobrirem quem era o homem conhecido como Black. E também ordena a execução dos três matadores capturados restantes. Cada um recebe um tiro na boca.

O que havia acontecido ali era muito significante para a trajetória de Tommy. Pela primeira vez, passava por sua cabeça que a morte de Díaz poderia ter sido por algo que ele não fez. Mas ninguém se importaria. Talvez fosse o momento de chamar Lance de volta e contar tudo o que havia sido descoberto, mas seria muito arriscado, tudo estava correndo muito bem sem ele.

Quando Tommy e sua tropa descem do prédio da sorveteria, em uma das saídas para os fundos está uma senhora idosa muito mal encarada e aparentemente sem se assustar com os corpos em seu quintal. Ela tinha aproximadamente um metro e meio de altura e usava uma bengala. Tommy se aproxima e entra na sorveteria, que já estava fechada. O nome da senhora era Maude Hanson.

 Quem é você? – Maude pergunta.

 Seu novo chefe... – Tommy diz.

 Você é agora ou já foi uma criança? – Maude pergunta novamente com uma frieza assustadora.

 Do que você está falando? – Tommy não entende.

 VOCÊ JÁ FOI UMA CRIANÇA? – Maude grita e curva seu corpo para trás.

 Sim! Calma! Você é louca? – Tommy se assusta.

 Eu sabia! Uma criança! – Maude começa a bater com a bengala no saco de Tommy – Uma criancinha suja, fedorenta, catarrenta, teimosa, melequenta e chorona! Um bebê! Um bebezinho feio, horrível e nojento! A mamãe não te ama, sua merdinha!

 Calma! – Tommy se irrita.

 Eu odeio bebês e odeio crianças! Elas são sujas, fedorentas, catarrentas, teimosas, melequentas e choronas! – Maude diz.

 Já chega! Você é louca!? – Tommy estoura – Você faz sorvete, ok? Isso é justamente para crianças! Que tipo de psicopata você é? Quero entender isso! Por que fazer crianças felizes se você odeia todas?

 Ah, seu idiota fedorento, catarrento... – Maude já estava repetindo, mas é interrompida por Tommy.

 Cala a boca! – Tommy não aguenta mais.

 Seu moleque! O sorvete é uma fachada! Nós distribuímos outros produtos, não-lácteos... – Maude diz e começa a pirar sozinha, mostrando claramente que era uma possível psicopata – E se eu vejo um garoto, faço bom uso dele. Não faço, bebezinhos? Sim, faço sim. Mamãe não ama vocês. Ela ODEIA vocês!

Tommy se afasta daquela louca e dá a ela um cheque com um valor mais do que suficiente para comprar aquela sorveteria de fachada. Lá eram vendidas drogas em carros de sorvete. Seria uma ótima forma alternativa para as drogas do Vercetti Cartel serem distribuídas pela cidade. Tommy deixa um de seus soldados ciente de que seria o responsável pela manutenção da sorveteria. E vai embora com um novo helicóptero, uma nova dúvida e com uma nova propriedade. 

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