quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

San Andreas - Parte 3


Naquele mesmo dia, o pai de Joey, Salvatore Leone, o Don da famiglia, receberia uma importante visita em sua mansão nas colinas de Portland. Salvatore era um senhor de cinquenta e sete anos, já calvo e com um bigode branco. Era o típico siciliano, baixinho e nervoso. Nasceu em Palermo, na Itália, e foi para os Estados Unidos quando era adolescente. Sua família lutou para sobreviver ao ambiente hostil de Liberty City, já que não era uma família imigrante prestigiada. Salvatore tinha um tio completamente autoritário, que foi o Don da família até meados dos anos oitenta, quando houve uma briga interna entre próprios familiares pela liderança dos Leones. Salvatore venceu a disputa, o que o afastou da toda poderosa máfia siciliana da cidade, que o considerava um traidor a partir de então. Após a morte de Sonny Forelli em Vice City por Tommy Vercetti em 1986, os Leones se tornaram a principal famiglia da máfia italiana de Liberty. O irmão de Sonny, Marco Forelli, assumiu a família, mas sem nem metade do poder de outrora. Marco também era bem mais aberto ao diálogo do que seu falecido irmão, o que facilitou a diplomacia entre os Forellis e os Leones. A visita na mansão Leone seria de um dos líderes de outra famiglia de Liberty City que subia posições no ranking de mais notáveis, principalmente após a queda dos Forellis, os Sindaccos.

Johnny Sindacco era um jovem de vinte e três anos. Era filho do Don da família, Paulie Sindacco. Em 1992, os Sindaccos não eram tão grandes em Liberty City como os Leones ou os Forellis, mas tinham uma participação colossal no mundo dos jogos de azar em Las Venturas, a cidade dos cassinos, que ficava em San Andreas. Eles eram donos do Caligula’s Palace, o maior hotel do planeta na época, onde havia um cassino interno que atraía apostadores do mundo inteiro. Nos últimos anos, com o enfraquecimento dos Forellis, os Sindaccos voltaram os olhos para Liberty City, mirando seu crescimento como famiglia da Cosa Nostra. A visita de Johnny Sindacco a Salvatore Leone foi uma surpresa, mas o siciliano não deixou de receber bem o rival. Ele o recebe em seu escritório. O Sindacco faz uma oferta: um compartilhamento da gorda renda do Caligula’s entre os Sindaccos, os Leones e os Forellis. Mas para isso deveria haver um investimento forte por parte de cada família. Assim os laços entre os mafiosos se estreitariam e a família Sindacco teria uma maior significância na cidade.

Então, Johnny, você quer cinco milhões do meu dinheiro? – Salvatore diz olhando a paisagem por uma janela.

Eu quero te ajudar a fazer uma fortuna, senhor Leone. Meu pai quer reunir as organizações... – Johnny diz.

Os Sindaccos e os Leones? Isso é impossível! É impossível desde que seus associados mataram meu sobrinho! – Salvatore se irrita e lembra um episódio acontecido há alguns anos – Ei, você me conhece. Negócios são negócios. As coisas pessoais são idiotice. Eu gostaria de ter uma maneira de superar essas merdas... Do que estávamos falando mesmo?

Err... O senhor estava dizendo que estava vendo... Um jeito de superar isso... – Johnny relembra.

Não, eu disse que eu gostaria. Aí você vem e me pede cinco milhões de dólares. Mas deixa eu entender: eu entro no seu cassino, pego uma terceira fatia junto com a sua organização e os Forellis, e deixo vocês cuidarem do meu investimento para mim? – Salvatore pergunta.

Bingo! – Johnny abre um sorriso.

Ah, sim. Sim. Você deve achar que a minha mãe, que Deus a tenha, fodeu com um idiota ao invés do meu pai... – Salvatore se irrita – Você está chamando minha mãe de idiota que dá pra imbecis?

Não, claro que não, senhor Leone! – Johnny se levanta da cadeira e se assusta com a aproximação dos seguranças dos Leones – Estou apenas fazendo uma oferta! Claramente, o senhor entendeu errado as minhas intenções aqui. Olha, humildemente peço desculpas. Perdão!

Senta aí ou eu mesmo corto sua garganta! – Salvatore grita – Seu chupadorzinho de pau! Desde que Sonny Forelli arrumou um jeito de se matar lá na Florida, você acha que comanda as coisas nessa cidade! Você não demonstra respeito a mim, você insulta minha família! Seu pai? Ele não serviria nem para limpar a minha bunda! Eu comeria um elefante antes de comer sua mãe! Como é ouvir isso?

Senhor Leone, eu acho que o senhor não entendeu... – Johnny tenta dizer, mas é interrompido.

Ah! Você é um bom garoto! Eu? Eu sou um velho idiota! O que eu sei? Nada, realmente. Na verdade, menos que nada... – Salvatore se acalma, volta a sentar em sua poltrona e surpreende – Você vai ter esse dinheiro...

Vou? – Johnny sorri.

Sim, mas apenas se você me der o controle da renda... – Salvatore joga.

Bom, olha só, nós não podemos fazer isso, senhor Leone... – Johnny ri sem graça.

Então eu confirmo! Sua mãe é um travesti filho da puta! – Salvatore continua jogando – Tive uma ideia! Que tal uma terceira pessoa? Um cara independente. Ele comanda o lugar, e, juntos, nós comandamos ele.

Err... Não podemos fazer isso, senhor Leone, já temos nosso cara lá... – Johnny insiste.

Livre-se dele! Me mostre o quanto você quer o envolvimento da minha organização... – Salvatore finaliza sua jogada.

O cara que Johnny possuía tomando conta do cassino era Mickey, um associado dos Sindaccos. Era um homem de confiança da família, mas, para o bem da organização, Johnny aceitou dar cabo dele para Salvatore indicar a nova marionete da união entre as famiglias de Liberty City em Las Venturas.

Muito longe dali, mais especificamente em Fort Carson, uma minúscula cidade no deserto de San Andreas, estava o homem que Salvatore Leone pensava em usar. Ele era Ken Rosenberg, o antigo advogado e parceiro de Tommy Vercetti em Vice City. Ken durou pouco mais de três anos como braço direito de Tommy após a morte de Sonny Forelli no fim de 1986 e a tomada definitiva da cidade. Seu comportamento inconstante e principalmente seu vício em cocaína o levaram ao fundo do poço. Tommy tentou aguentar por consideração ao advogado, mas não conseguiu continuar lidando com Ken e o expulsou definitivamente de sua famiglia no início de 1990. Foram comprados para Ken uma passagem aérea para Las Venturas e um tratamento de dois anos em uma clínica de reabilitação do hospital Fort Carson Medical Center para que ele mudasse sua vida. E assim, Ken Rosenberg passou os próximos dois anos de sua vida. E finalmente havia chegado o dia de sair.

Eu não preciso cheirar! Eu não preciso cheirar! Cocaína é para os fracos! Cocaína é para os fracos! Eu sou forte! Eu sou forte! Vencedores vencem e perdedores beijam a lona! Eu controlo o meu próprio destino! – Ken começa a repetir como um mantra após estar na rua pela primeira vez desde 1990, mas logo alterna momentos de depressão e de alegria – Ah... Eu preciso de um emprego. Fui expulso da advocacia. Mas eu estou no controle. Eu consegui! Estou limpo! Estou mais limpo que privada nova! Eu não preciso cheirar! Haa! Ah... Eu bem que poderia arrumar uma carona. Ah, que merda...

Ken encontra um telefone público e liga para a mansão de Tommy, mas é completamente ignorado e passa toda a tarde e noite tentando falar com seu ex-chefe:

Tommy Vercetti, por favor. Diga a ele que Ken Rosenberg ligou. Ken Rosenberg! Você nunca ouviu falarem de mim? Quem é você? Ken Rosenberg! Rosenberg! Ah, sério? Você falou para ele que eu liguei? Olha só, eu que fiz esse ingrato ser o que é, e agora ele não atende minhas ligações? Coloca ele no telefone agora! Alô? Alô? Porra!

Definitivamente não havia mais espaço para Ken na organização de Tommy Vercetti. O ex-advogado simplesmente não tinha para onde ir. Estava sentado em uma calçada de uma rua deserta tarde da noite em uma cidade no meio de um deserto. Nem voltar ao hospital ele poderia, pois o plano pago que ele tinha havia expirado exatamente naquele dia. Restou a Ken dormir em um gramado de uma casa. Na manhã seguinte, uma enfermeira do hospital o encontrou, o acordou e disse que haviam ligado e procurado por ele no hospital. Ken abriu um sorriso achando que Tommy havia se arrependido, mas logo descobriu que quem requisitava seus serviços era outro italiano: Salvatore Leone.

Outro antigo parceiro de Tommy Vercetti que não tinha mais espaço na organização era Kent Paul. No início de 1987, ele voltou à Vice City e recebeu cem mil dólares de Tommy para tentar melhorar sua carreira de produtor musical, só que desta vez de volta a seu país natal, Inglaterra. Paul havia feito amizade com a banda inglesa The Gurning Chimps em Orlando no fim de 1986 e manteve contato com eles durante todos os seguintes cinco anos. Após vários fracassos de produção, Paul decide investir pesado na banda de seus amigos para tentar alcançar o sucesso que só teve uma vez: em 1986 com a Love Fist em Vice City. O membro da Chimps que Paul era mais amigo era o vocalista Maccer, um jovem loiro de Manchester, com vinte e sete anos e com um grave problema de comportamento, o vício da masturbação.

Em 1992, Kent Paul finalmente comemora a aquisição dos direitos da gravadora para ser o produtor e empresário dos Chimps em uma turnê pelos Estados Unidos. Seria a primeira vez que Paul voltaria ao país desde 1987. Ele estava junto com Maccer em um estúdio da cidade de Salford, quando recebeu uma ligação o avisando da autorização.

 – Consegui a assinatura! Agora eu sou o orgulhoso e legalizado empresário da Gurning Chimps! Você é meu, menino Maccer! Você é meu! – Paul comemora – Me custou cinquenta mil para colocarem vocês no contrato! É tipo uma corrida de cavalo ou uma vagabunda, você tem que apostar pesado! Mas é retorno garantido! A hora é agora, meu filho, agora!

Muito foda, cara! Sensacional! Me dá um abraço! – Maccer pula de uma caixa de som, comemorando, e abre os braços.

Vem cá! – Paul abraça Maccer.

Eu te amo, parceiro! Eu te amo! Nunca me senti assim antes! – Maccer abraça Paul com bastante intensidade.

Fantástico, filho! Um pouco de emoção não faz mal a ninguém... – Paul começa a se incomodar com o abraço demorado do músico – Err... Ótimo, agora me solta. Você está suando!

– Nossa, isso tudo é muito foda! Está me dando vontade de bater uma! – Maccer grita.

Quantas já foram hoje? – Paul já estava acostumado.

Dezenove! Vai, cara, bate uma também! – Maccer se anima – Você tem alguma droga aí, Pablo?

Não... – Paul diz e Maccer se afasta, permitindo o produtor falar para si mesmo – Cinquenta mil por esse idiota nortista...

América! América! Puta que pariu, mal posso esperar! – Maccer se anima novamente pela viagem que aconteceria nas próximas semanas.

No centro de Los Santos, Tenpenny trabalhava sua pesada influência para fazer os caminhos para o seu sossego se abrirem. E para isso, ordenava seu novo “amigo” da Grove Street pelo celular a fazer algo que ele havia planejado nos últimos dias. Algo que acabaria de vez com os restos de gangue que a Grove Street Families havia se tornado.

Escuta aqui, filho, foda-se você, foda-se seus princípios, foda-se seus amigos! Quem fica no meu caminho se fode! Você foi pago, você aceitou o dinheiro! Estou tentando arrumar sua vida para sempre, moleque, e você está agindo inadequadamente! Você não serve mais para mim, garoto! Talvez eu devesse matar você em vez dele! – Tenpenny começa a se irritar e finge uma pressão ao Grove gritando com seu colega – Eddie, organize um esquadrão para matar.

Sem problema! – Pulaski grita para que o Grove escute.

Você ouviu isso? Está sentindo? – Tenpenny volta ao celular – Você vai acordar com a sua cabeça a quinze metros do seu corpo, filho! Faça o que a gente combinou! Você acha que pode passar a perna em mim? Acha? Eu acho que não! Então faça! Essa semana!

Tudo certo, chapa? – Pulaski pergunta ao ver seu colega desligar.

Chapa!? Eu sou seu superior e não se esqueça dessa merda! – Tenpenny se irrita – Mas sim, tudo certo...

Então ele vai fazer mesmo? – Pulaski se surpreende.

Eu não disse que estava tudo certo!? – Tenpenny entra na viatura.

Vamos buscar o garoto agora? – Pulaski muda de assunto e fala sobre o novo policial da CRASH.

Sim, vamos iniciar esse merdinha na organização! – Tenpenny diz.

Naquela semana, começou a haver uma movimentação estranha nas frequentes ruas desertas de Ganton daquele ano. Parecia que o fluxo de informações sobre a rotina da Grove estava ultrapassando os limites do bairro, chegando até gangues rivais e, consequentemente, à CRASH. O plano de Tenpenny estava para acontecer e, se desse certo, seria o fim definitivo do verde em East Los Santos.

4 comentários:

  1. Ei cara, como é que você produz esses textos? Pega base de alguma coisa original?

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  2. Sim, todo esse início é baseado em um video lançado pela Rockstar chamado "The Introduction", onde a origem de vários temas da história de San Andreas são abordados. É só procurar no Youtube.

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  3. Muito Bom,Nunca Vi Alguém Com Criatividade Como Você(s).
    Uma Pergunta,Vão Fazer a História do GTA's da Geração 2D(GTA 1,GTA London 69,ETC..),e Da Geração HD(GTA IV,GTA Episodes From Liberty City..)?

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    1. Obrigado. Isso será decidido no futuro, seria outro projeto. Mas pode rolar um dia sim.

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