quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

San Andreas - Parte 4


Em uma localidade remota do deserto de San Andreas, dois soldados da família Sindacco estão fazendo o que foi ordenado pelo Don. Eles haviam matado Mickey, o associado da família que tomava conta do Caligula’s, em Las Venturas, e o levaram até o deserto para o enterrarem.

Como está sua mulher? – Mike, um dos soldados pergunta.

Ela é uma idiota! Desde que nos mudamos aqui para Venturas, tudo que ela quer fazer é gastar, gastar, gastar! Puta que pariu! Eu teria sorte melhor nas mesas dos cassinos... – Aldo, o segundo soldado, diz enquanto cava o buraco em que jogariam Mickey.

Sei... Ei, me ajuda aqui com esse cara! – Mike pede ajuda para jogar o corpo na cova.

Beleza... Mas por que a gente matou o Mickey, afinal? Ele era um cara legal... – Aldo pergunta.

Não sei. Mas tem a ver com dinheiro... – Mike diz.

Como assim? Ele estava reclamando? – Aldo pergunta.

Não, ele era tranquilo. Tranquilo até demais, por isso que foi embora... – Mike diz.

Ah, saquei... – Aldo diz e pega os pés do morto.

Ele estava declarando muito dinheiro, então a gente teve que ter um cara novo... – Mike diz pegando os braços de Mickey – Eu ouvi dizer que os Leones estão emprestando um dinheiro para os chefes...

Os Leones!? – Aldo estranha.

Sim! – Mike diz.

Você está de sacanagem! A gente odeia os Leones! – Aldo ri.

Eu sei! Foi o que eu disse para o Johnny, mas ele falou que precisam do dinheiro... – Mike diz enquanto chuta o corpo para a cova – Buona notte, saco de merda! Então, o Mickey foi passado, temos um cara novo que todo mundo vai explorar, aí quando ele começar a reclamar...

Ah, a gente faz outra cova... – Aldo ri.

Exatamente! – Mike também ri – Você ouviu falar sobre o Bobby ter voltado para o leste?

Não, o que que tem? – Aldo pergunta.

Ele virou viado! Dá para acreditar?  – Mike diz.

Ai minha Mãe Santa, eu já vi de tudo nessa vida... – Aldo faz o sinal da cruz.

Minchia... – Mike xinga em italiano.

Depois de enterrarem Mickey, Aldo e Mike vão para Fort Carson buscar o substituto. Ken Rosenberg esperava em frente ao hospital quando o carro com os Sindaccos chegou para levá-lo a Las Venturas para a iniciação dos trabalhos no Caligula’s. Naquela mesma noite, Johnny Sindacco visita Salvatore Leone novamente.

Nós temos uma vaga em aberto. Fizemos nossa parte no trato... – Johnny se senta na cadeira do escritório.

Então estamos bem. Quer uma bebida? – Salvatore pergunta.

Não, estou bem, obrigado. Então, quem é esse cara que irá comandar o cassino para nós? – Johnny pergunta sobre o cara de Fort Carson.

A gente iria precisar de um verdadeiro idiota. Um cara que pudéssemos explorar. Ele é um advogado que costumava trabalhar para os Forellis na Florida. Fiquei sabendo que ele estava caçando um emprego, que havia acabado de sair de uma reabilitação, algo assim. Vou ligar para ele...  – Salvatore diz.

Ótimo! – Johnny se levanta.

Ei, não vá foder com tudo, garoto! – Salvatore também se levanta e cumprimenta Johnny, fechando o negócio.

Em Los Santos, Tenpenny e Pulaski estão estacionados naquela noite em frente ao batalhão da LSPD aguardando o novo membro da CRASH, Jimmy Hernandez, um jovem mexicano de vinte e quatro anos, alto e com um fino bigode típico de seus conterrâneos. Ele se aproxima da viatura.

Então você é o novato, né? – Pulaski pergunta.

Sim! Mas já trabalho nas ruas há três anos. Eu percebi que só existe um tipo de crime em Los Santos: crimes de gangues. Foi por isso que eu entrei para a CRASH! – Hernandez se anima.

Entra no carro, garoto... – Pulaski diz, sem paciência.

Os novos três colegas fazem patrulha por East Los Santos. Hernandez aproveita para contar suas experiências, mas os dois veteranos não estavam nem um pouco a fim de ouvir.

Fui chamado para um caso de briga em uma casa uma vez. Tinha um cara jovem, não devia ter mais do que vinte anos, batendo na mulher dele. Aí pensei que seria fácil, né? Nenhum homem bate em mulher. Mas acabei descobrindo que essa mulher ficava o dia inteiro na rua usando droga e deixava o filho deles quase morrendo de fome. Aí, o que eu faço? Eu poderia levar esse cara e deixar a mãe viciada com a criancinha, ou poderia deixar o cara batendo na mulher. Essas coisas são difíceis... – Hernandez abre o coração no banco de trás.

Violência doméstica!? – Tenpenny ri.

Sim! Coisa séria, cara! – Hernandez diz.

Ah sim, claro! Pulaski, encosta aí... – Tenpenny diz irritado – Cara, eu lido com traficantes, matadores de gangues e psicóticos. Todos cheios de dinheiro. Nenhum deles tem medo de matar eu, você, ou nossas famílias se eles acharem necessário. Então isso aqui é um pouco mais sério do que uma briga em uma casa, meu chapa! 

Eu não quis dizer isso! É só que... – Hernandez tenta se explicar.

Não estou interessado no que você quis dizer! – Tenpenny vira-se para o banco de trás – O que você quis dizer é que encontrou uma mulher viciada em uma situação delicada. Agora como eu vou confiar em você se você é tão facilmente confundido?

Olha só, eu sou um bom policial! – Hernandez se defende.

Isso não se trata de ser um bom policial, Pepe... – Tenpenny volta a olhar para sua janela.

Se trata de proteger as ruas dos selvagens filhos da puta que existem por aí! – Pulaski completa.

Eu sei! – Hernandez diz.

Então você faz o que for preciso? – Tenpenny pergunta.

Sim, tudo o que for preciso! – Hernandez afirma.

Porque isso aqui é um jogo de porcentagens, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, trezentos e sessenta e cinco dias por ano. A gente está tentando ferrar o máximo de bandidos que a gente conseguir... – Tenpenny diz.

Sim, eu sei... – Hernandez diz.

– Isso significa deixar que alguns bandidos se safem... – Tenpenny completa.

E algumas vezes significa fazer coisas de que você não se orgulha, porque você é forte e inteligente o suficiente para entender o contexto da coisa... – Pulaski diz.

Olha, eu sei! – Hernandez repetia pela terceira vez.

Você não sabe de porra nenhuma! Sai do carro, ese! – Tenpenny se cansa do latino, que é deixado no meio do bairro de Willowfield às dez da noite.

Dois dias depois, Salvatore Leone viaja até Las Venturas para conhecer seu novo cassino. Ele vai até o escritório do prédio e lá estava Ken Rosenberg sentado relaxadamente com os pés em cima da mesa, assim como fazia com seu ex-chefe Vercetti.

Está confortável aí? Hein? – Salvatore ironicamente pergunta a Ken assim que abre a porta, acompanhado por Mike.

Não, não! Eu estava só... errr... Sentindo o lugar! – Ken se desespera.

Então é assim que funciona? Você já fica sentado aqui aproveitando o dia. Eu tenho cinco milhões dados aos Sindaccos, e você não faz nada a respeito disso? – Salvatore pressiona Ken.

Não, nada não! Eu falei com o Johnny! Ele explicou tudo!  – Ken ri sem graça.

Ah, você falou com o Johnny? – Salvatore ironiza – Você falou com ele, hein? Você deu uma chupada nele também, seu lixo filho da puta? Você é meu empregado, não dele! Eu tenho uma ótima ideia de como terminar isso aqui, seu Judas! Seu rato!

Por favor, senhor! Eu achei que o trabalho fosse para fazer isso! – Ken se defende.

Ah, você achou que o trabalho era assim? Mike, feche a porta! – Salvatore pede, tira uma pistola de seu fino terno e aponta para a cabeça de Ken – Eu sou o trabalho! Eu e o meu dinheiro! E eu o quero de volta, e quero de volta rápido! Qualquer coisa que a porra do Johnny Sindacco falar com você, eu quero saber! Você vai arrumar um jeito de pegar meu dinheiro e rápido! Entendido?

Sim! Entendido! Entendido! – Ken diz apavorado com a cabeça baixa.

Anime-se! Divirta-se aqui! Isso aqui é um cassino, não um mosteiro! – Salvatore ri – Porra, eu me divirto mais dando uma cagada do que aqui! Vai, pega uma bebida para mim! E sorria, seu verme!

Ken definitivamente sente saudades dos tempos de Tommy Vercetti. Percebeu naquele momento que Las Venturas seria o inferno para ele. Qualquer passo em falso que desse, morreria da pior forma possível, mas não imaginava que já estava marcado para morrer em alguns meses, devido a um revezamento necessário de idiotas como marionetes da máfia na cidade.

Em Los Santos, Tenpenny, Pulaski e Hernandez finalmente capturam Ralph Pendelbury em um dia que ele patrulhava sozinho em uma viatura. Eles pagam a um pedestre para pedir ajuda a Pendelbury em determinado ponto da área que ele patrulharia aquela tarde, sempre seguido de perto pela viatura da CRASH. Assim que Pendelbury estaciona, Tenpenny e Pulaski colocam suas armas na cabeça do traidor, o algemam e levam até uma área remota perto do aeroporto da cidade. Lá, os corruptos dão uma surra no delator.

Quem você vai chamar agora? – Pulaski grita enquanto chuta várias vezes o policial no chão.

Eddie, calma aí, cara... – Tenpenny impede o colega.

Esse idiota ainda está respirando! – Pulaski diz, cansado.

Isso é bom... – Tenpenny diz e dá uma pistola para o novato – Hernandez, finalize ele.

Qual é, por favor, não me faça fazer isso! – Hernandez se assusta.

Como é que é!? – Tenpenny diz.

Não posso! – Hernandez diz.

Ei, eu achei que você tinha entendido... – Tenpenny ri.

Porra, ele é um policial, seu doente! – Hernandez grita.

Não, não é mais... – Pulaski ri vendo Pendelbury se rastejando no chão.

A gente já conversou sobre isso. São porcentagens! – Tenpenny diz.

Eu sei! – Hernandez fica confuso.

Então, de que lado você está? Do meu ou do dele? – Tenpenny pergunta.

Do seu, Frank! Do seu! – Hernandez se desespera.

Então seja um homem, caralho! Se você não matar ele, eu mato você! – Tenpenny ameaça e coloca a pistola na mão de Hernandez.

Vai, faz isso aí logo! Aperta o gatilho! – Pulaski incentiva.

Hernandez, após olhar fixamente para a cara de Frank Tenpenny por alguns segundos, atira na cabeça de Ralph Pendelbury, matando o policial na hora. Finalmente ele estava batizado para entrar na CRASH. Não teve escolhas, afinal, tudo se tratava de porcentagens.

Naquela mesma noite, o plano de Tenpenny sobre a Grove Street Families foi posto em prática. Às oito da noite, um Sabre verde saiu de uma garagem do centro da cidade. Estava ocupado por quatro homens negros. Quatro Ballas, mas sem as vestimentas roxas. Eles fazem o caminho por East Los Santos até chegarem à entrada de Ganton, bairro dos Groves. Ali sempre havia seguranças armados para evitar invasões, mas como o carro era verde, como todos os carros dos membros da gangue do bairro, o Sabre facilmente passou por essa barreira. Até que chega à Grove Street exatamente às oito e meia.

O plano de Tenpenny era simples: ele queria Sweet morto. A Grove era a única gangue da região que não se envolvia no tráfico de drogas pesadas, que eram as mais caras e as que mais se vendia. Eles ocupavam um bairro inteiro, que poderia estar sendo usado no tráfico. Para a CRASH, quanto mais pontos de venda de drogas houvesse em East Los Santos, mais dinheiro os traficantes teriam para trocar por facilitação da polícia, a famosa propina, ou como conhecemos melhor, o arrego. Com o líder Sweet morto, a gangue ficaria na mão de OGs que não zelavam pela continuidade e princípios da Grove como o Johnson fazia, significando o fim da gangue e o sucesso para o policial corrupto.

Tenpenny recebeu informações precisas de membros da Grove sobre a rotina de Sweet. Todo dia às oito e meia da noite, ele estava na casa de Beverly, sua mãe, junto com sua irmã Kendl, de vinte anos, todos assistindo o programa favorito da família, o jornal noturno WCTR News. Mas enquanto o Sabre verde se aproximava da Grove Street, Sweet foi até a cozinha da casa para pegar uma cerveja para ele e sua irmã. O congelador estava vazio. Sweet se lembrou que não havia levado as cervejas que havia comprado naquela tarde para a casa de sua mãe, todas as garrafas estavam na geladeira de sua casa, que ficava ao lado. Ele chama Kendl para o ajudar a buscar as garrafas. Os dois irmãos saem e Beverly fica sozinha na sala de sua casa, que ficava de frente para a rua, assistindo ao jornal.

Enquanto abriam o congelador, Sweet e Kendl ouvem uma rajada de tiros de metralhadora bem em frente à casa. O Sabre verde havia passado pela casa onde Sweet estaria naquele horário e metralhado toda parede frontal, que era a parede da sala onde Beverly estava. O carro rapidamente vai embora. Sweet sai de sua casa e vê a casa de sua mãe completamente metralhada.

Não! Que merda! Caralho! Mamãe! Mamãe! – Sweet vai correndo para a casa da mãe e a vê morta na poltrona, cheia de perfurações de bala e com um olhar fixo para o chão.

Não! Não! Não! – Kendl ouve os gritos do irmão e tenta entrar na casa, mas é impedida.

Não, garota! – Sweet abraça a irmã tentando não deixá-la ver aquela cena horrível.

Mamãe! – Kendl chora desesperadamente.

Vários membros da gangue, que moravam nas casas vizinhas, saem de casa para ver o que havia acontecido. O clima de tristeza toma conta da rua, que ficou em completo e absoluto silêncio. Kendl senta na escada da casa da mãe e fica lá por horas, com a mão na cabeça, imóvel. Parecia não acreditar. Sweet liga para a ambulância, mesmo sabendo que nada poderia trazer sua mãe de volta. E também liga para outra pessoa. Alguém que ele não falava havia cinco anos. Seu irmão CJ.

Alô? – CJ atende seu celular enquanto dirigia um carro que havia acabado de roubar em Liberty City.

Carl, é seu irmão Sweet... – Sweet diz.

E aí, Sweet! O que você quer? – CJ se surpreende ao ouvir o irmão.

Acho que é melhor você voltar para casa. É a mamãe. Ela morreu, mano... – Sweet diz ao lado de Kendl.

CJ encosta o carro na hora. Ele não esperava ouvir aquela notícia devastadora. Não fala nada. Apenas desliga o celular, abaixa a cabeça em negação. Em alguns minutos, decide que iria ao funeral de sua mãe. Ele liga para Joey avisando o que aconteceu. O Leone entende perfeitamente, afinal tinha o mesmo apego à família que o empregado. Enfim, após cinco anos na costa leste, era hora de CJ voltar para casa.

2 comentários:

  1. Esse final foi demais cara!! As palavras do CJ no começo do jogo, cara, genial!!

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  2. Bateu uma nostalgia a última frase

    "After five years on the east coast, it was time to go home"

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