quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

San Andreas - Parte 5


Na manhã seguinte, às seis horas, CJ embarcava em um voo para Los Santos no Francis International Airport, em Liberty City. Levou apenas uma pequena mala consigo, pensava em passar pelo menos alguns dias na cidade para o funeral de sua mãe e para rever seus antigos amigos e familiares do bairro. A viagem dura oito horas e é marcada pela tristeza. CJ chega ao Los Santos International Airport pouco depois das duas da tarde. Entra em um dos táxis do aeroporto e diz o nome de sua rua, Grove Street.

Na noite anterior, enquanto enterravam o corpo de Pendelbury em Palomino Creek, uma cidade do interior, os policiais da CRASH recebem uma ligação do membro da Grove que contrataram contando as novidades. Ele diz que infelizmente o ataque não matou Sweet, matou Beverly Johnson, sua mãe. E que, por causa disso, CJ provavelmente estaria na cidade para o enterro, que seria na tarde do dia seguinte. Tenpenny fica irritado pela falha e ameaça o Grove de morte mais uma vez. Mas um novo alvo surge em sua cabeça. E não seria um alvo para matar, e sim para ser usado para o sucesso da CRASH.

Enquanto CJ estava no táxi, ele passa pela Playa Del Seville, onde seu irmão Brian morreu e ele próprio fugiu, causando toda a briga que culminou em seus cinco anos do outro lado do país, longe de sua família e sua gangue. Ele olha para o exato ponto na areia onde seu irmão foi alvejado e o banco em que ele mesmo estava sentado naquele dia 4 de janeiro de 1987. Uma vontade de voltar no tempo vem imediatamente. Com a experiência que havia adquirido em Liberty City, CJ com certeza não teria a mesma reação ao ver seu irmão sendo atacado. Mas não havia mais nada a se fazer. Passado era passado.

Quando estava a um quarteirão de sua casa, o táxi de CJ é parado por uma viatura da polícia. Ele olha para trás e vê dois policiais saírem do carro apontando suas pistolas. Era a CRASH.

Passageiro, mostre suas mãos! – Tenpenny diz com o alto-falante do carro, o que faz CJ sair do táxi com as mãos para cima e andar em direção à viatura de costas – Parado! De joelhos! Agora deitado! Isso aí!

Hernandez algema CJ deitado e pega duzentos dólares de seu bolso.

Eu fico com isso, Hernandez... – Tenpenny pega o dinheiro.

Ei, isso aí é a minha grana, cara! É dinheiro! – CJ reclama.

Isso é dinheiro de droga! – Tenpenny diz.

Meu dinheiro, cara! – CJ diz.

Não se preocupe com isso, eu te pago depois... – Pulaski diz enquanto levanta CJ e vira sua cabeça para seu chefe.

Bem vindo à sua casa, Carl! Feliz por estar de volta? – Tenpenny ri – Você não se esqueceu de nós, não é, garoto?

Claro que não, Oficial Tenpenny. Eu estava me perguntando por que vocês estavam demorando tanto... – CJ conhecia Tenpenny das ruas desde antes da CRASH ser formada.

Entra no carro... – Tenpenny diz.

Calma aí, cara! Porra! – CJ reclama do jeito grosseiro que Hernandez o leva até a viatura.

Cuidado com a cabeça... – Tenpenny bate a cabeça de CJ na lataria da viatura enquanto o coloca dentro do carro – Opa, foi mal...

Hahaha! Vaza daqui, seu seboso escroto! Mexicano estúpido! – Pulaski grita com o taxista, mas recebe uma encarada de Hernandez, que também era mexicano – Ah, ei, desculpa...

Minha mala! Cara, minha mala! – CJ grita ao ver o táxi indo embora com suas roupas.

A viatura da CRASH leva CJ para dar um passeio. Mas pela pior região possível para o Grove: a região mais pesada dos Ballas.

Como você tem estado, Carl? Como está sua maravilhosa família? – Tenpenny ironiza.

Estou aqui para enterrar minha mãe. Você sabe disso... – CJ diz.

É, acho que sei... – Tenpenny diz – Mas com o que mais você tem andado mexendo, Carl?

Nada. Eu moro em Liberty City agora. Estou limpo. Na moral... – CJ mente.

Não, você nunca esteve limpo, Carl... – Tenpenny ri.

O que a gente tem aqui? – Pulaski pega uma arma no porta-luvas.

Isso é uma arma, Oficial Pulaski, que foi usada para eliminar um policial há menos de dez minutos atrás... – Tenpenny inventa e pressiona CJ – Oficial Pendelbury. Um bom homem, devo dizer. Você trabalha rápido, negão!

Você sabe que eu acabei de sair do avião! – CJ diz.

Que bom que te encontramos e recuperamos a arma do assassinato... – Pulaski diz.

Essa arma não é minha! – CJ grita.

Não me enrole, Carl! – Tenpenny também grita.

Isso mesmo, não enrole ele, Carl! – Pulaski é o terceiro a gritar.

Que porra vocês querem de mim dessa vez? – CJ pergunta.

Quando quisermos algo de você, iremos te encontrar. Enquanto isso, tente não matar mais nenhum oficial da lei, hahaha! – Tenpenny ri por ter achado um otário para pôr a culpa pela morte de Pendelbury.

Vocês não podem me deixar aqui! Isso aqui é território dos Ballas! – CJ grita.

Aqui é o carro cinquenta e oito! O que!? Oficial Pendelbury foi encontrado!? Estamos indo para lá agora! – Pulaski forja surpresa com a notícia que vem do rádio da viatura.

Achei que você havia falado que era inocente, Carl! Que não era mais gangster... – Tenpenny diz enquanto Hernandez tira a algema, abre a porta e empurra CJ para a rua – Te vejo por aí como uma rosquinha, Carl! Hahahahaha! Viu isso, Hernandez? Hahahaha!

CJ é jogado da viatura em um beco no meio do bairro de Jefferson, um dos locais onde os Ballas eram mais dominantes desde a época em que fugiu da cidade. Ele se levanta, limpa a poeira de sua calça jeans e camiseta branca que cobriam seu corpo magro.

Que merda! Lá vamos nós de novo. Pior lugar do mundo: território dos Rollin’ Heights Ballas. Eu não represento a Grove Street há cinco anos, mas os Ballas não estão nem aí... – CJ diz enquanto caminha pelo beco.

Era extremamente necessário se proteger ali naquela região. Havia Ballas em todas as esquinas. CJ dava sorte por não estar vestindo verde naquele início de tarde e pela maioria dos Ballas de rua terem entrado na gangue após sua ida para o leste. Ele analisava uma forma de fugir dali, quando vê uma bicicleta em uma casa ao lado do beco. CJ rapidamente começa a pedalar na direção de Ganton, passando por todas aquelas ruas que ele não via há anos, vendo todo um filme de sua infância e adolescência em sua cabeça. Nada havia mudado por ali. East Los Santos continuava a mesma, cheia de casas velhas, traficantes em esquinas, paredes pichadas com os nomes das gangues que comandavam os bairros.

CJ finalmente chega a Ganton. Ele fala com os seguranças, que o reconhecem e liberam a passagem. Até que chega à Grove Street:

Grove Street. Minha casa. Pelo menos era até antes de eu foder com tudo...

Ao chegar ao fim da rua, onde ficava a casa de sua mãe, CJ percebe os buracos na parede frontal. Ali ele ficou sabendo que sua mãe não havia simplesmente morrido, ela havia sido assassinada. Todas as casas ao lado estavam fechadas. Apenas a casa dos Johnsons estava aberta. CJ entra e um furacão de imagens e lembranças passa por sua cabeça. A voz de sua mãe apartando brigas entre os quatro irmãos ainda enquanto crianças e adolescentes é totalmente nítida. Beverly era sempre carinhosa e prestativa com seus filhos. Entre toda a bagunça da sala, ele acha uma foto de sua mãe em um porta-retratos. Toda a culpa do mundo por não ter tido contato com ela nos últimos cinco anos cai nos ombros de CJ, que se sente tonto. Ele se senta em uma cadeira, coloca o porta-retratos em cima da mesa e começa a acariciar a foto de sua amada mãe.

Na cozinha da casa, estava Big Smoke, por algum motivo desconhecido e estranho. Ao ouvir que alguém havia entrado na casa, ele se esconde e pega um taco de baseball. Ele achava que era algum ladrão querendo levar algum item da casa, então sai da cozinha pronto para bater no assaltante, levantando seu taco:

Você escolheu a casa errada, otário!

Ei, ei, ei, ei! Big Smoke! Sou eu, Carl! Calma! Calma! – CJ se levanta e pega a cadeira para se defender.

CJ!? Oooh, meu parceiro! – Smoke joga o taco no chão e abraça seu antigo amigo com entusiasmo – E aí? Como é que tá, baby? Você está bem, cara?

Não, cara. Minha mãe, mano... – CJ não se anima.

Eu não sei por que isso teve que acontecer, mas eu te prometo, vou achar quem matou sua mãe! As ruas são frias, parceiro. É como diz no livro: “somos abençoados e amaldiçoados”... – Smoke diz.

Que porra de livro é esse? – CJ não entende.

A mesma coisa que nos faz rir, nos faz chorar. Mas agora a gente tem que tomar conta das nossas paradas. Vamos ver seu irmão no cemitério. Vamos lá! – Smoke diz.

CJ sai da casa ainda olhando para tudo que havia lá e tendo lembranças. Ao chegarem à rua, Smoke leva CJ até seu carro, um Perennial preto novíssimo, algo raro na Grove Street Families naquele ano, mas CJ não sabia da situação da gangue até aquele momento.

Você quer dirigir? – Smoke pergunta.

Sim! Carro maneiro, Smoke! – CJ se impressiona.

Você me conhece. Não vacilo. Mantenho o respeito. Me mantenho sagaz... – Smoke diz.




CJ dirige até o cemitério do bairro nobre de Vinewood, onde sua mãe já havia sido enterrada. Todos os convidados de Ganton já estavam voltando para casa em um ônibus fretado, por isso a rua estava vazia quando CJ chegou. Ainda no cemitério, só estavam os irmãos Johnson e Ryder.

Senti sua falta nesses cinco anos, cara. Eles vão ficar bem felizes de te ver... – Smoke diz enquanto caminha com CJ em direção ao túmulo de Beverly – Ei, e aí, galera? Olha quem eu encontrei por aí...

Carl, ei! Bom te ver! – Kendl abraça seu irmão.

Não acredito que ela se foi, cara... – CJ diz para Sweet após olhar para o túmulo.

Esse foi outro funeral que você fugiu, seu otário. Igual ao do Brian... – Sweet ainda tem raiva de seu irmão.

Ela era minha mãe também! – CJ rebate.

Pelos últimos cinco anos ela não foi, negão! – Sweet encara CJ.

Ah, por favor! – Kendl se irrita com a briga em frente ao túmulo de sua mãe e sai andando.

E você acha que vai aonde, caralho? – Sweet grita com sua irmã.

O que!? Sai da minha frente! Estou indo para a casa do Cesar! – Kendl fala de seu namorado, um dos líderes dos Varrios Los Aztecas.

Vai o caralho, garota! – Sweet grita e a segue – Você não vai ficar se metendo com esses eses! Você sabe que a gente não se dá com eles, são um bando de merdões!

Olha só, eu amo ele! E você é o que? – Kendl volta e encara Sweet.

Pelo menos eu tenho princípios! – Sweet diz.

Ah, acho que então isso te faz ser um grandíssimo americano! Carl, fala para ele! – Kendl sai andando novamente.

Carl não tem que me falar porra nenhuma, sua vagabunda! – Sweet continua irritado.

Se ele trata ela bem, tudo bem. Se desrespeitar ela, ele está morto! – CJ diz.

Como você fala uma porra dessas!? Até parece que isso é da sua conta! – Sweet grita.

Vai se foder, Sweet! Seu cuzão! – Kendl vai embora.

Ah, que merda... Lá vamos nós de novo... – CJ abaixa a cabeça e se lembra de sua adolescência, quando passava pelos mesmos problemas com os dois.

Está tudo fodido! Tudo! – Sweet explode de raiva.

Como assim? – CJ não entende.

O que? Além do fato da sua mãe estar morta? – Sweet ri – As coisas estão indo muito mal! Aqui, deixa eu te mostrar, fujão! Tony está enterrado bem ali, Little Devil bem ali e Big Devil bem ali! Cara, tudo está louco! Todo mundo atira nos otários primeiro para depois perguntar!

CJ finalmente entende o que estava se passando em Los Santos com sua gangue. Começa a perceber o motivo de sua mãe ter sido morta. A Grove estava despedaçada. E pelo jeito que Sweet estava lidando com a situação, era óbvio que ele também não deveria durar muito. Talvez fosse hora de mostrar para seu irmão em quem o fugitivo havia se tornado, pensou CJ.

Smoke acalma os ânimos de todos e os chama para irem embora em seu carro. Kendl havia ido para a casa de seu namorado com seu próprio carro. Quando todos estavam chegando ao carro de Smoke na rua em frente ao cemitério, um carro recheado de Ballas vira a esquina.

Ballas! Drive-by! – Ryder avista e avisa aos amigos que eles iriam atirar.

Todos se jogam no chão para evitar as balas, mas atirando de volta. Big Smoke e Sweet usam o carro como proteção enquanto CJ e Ryder se protegiam atrás do muro do cemitério. Os Ballas atiram no carro de Smoke, o deixando com os vidros quebrados, pneus furados e tanque de gasolina vazando.

Filho da puta! Meu carro! – Smoke grita ao ver seu carro totalmente arriado no chão.

A gente tem que voltar para o bairro, cara! Está muito louco por aqui! – Sweet grita quando vê que o carro dos Ballas havia se afastado.

Na mesma rua, alguns garotos estavam em um terreno abandonado fumando maconha. Todos estavam de bicicleta, que deixaram em frente ao terreno. Os Groves roubam as bicicletas, pois eram as melhores opções para fugirem dali.

Pegue uma bike e pedale! Isso se você não esqueceu de como se faz isso! Vem atrás de mim! – Sweet grita com CJ e sai na frente com sua bicicleta – Isso te traz de volta um pouco, hein, CJ?

As coisas mudaram por aqui! – CJ diz já ofegante após alguns metros pedalando.

Fica de olho nas suas costas, cara! – Sweet avisa.

Como as coisas ficaram tão ruins assim? Eu achei que aqui fosse área da Families! – CJ pergunta.

Sim, aqui é a área da Temple Drive Families! A gente não se mistura com eles mais! – Sweet fala de ex-membros da Grove que saíram e montaram sua própria gangue.

Os quatro pedalam forte até chegarem a um viaduto chamado Mullholland Intersection, no centro da cidade. Mas o carro dos Ballas havia voltado.

Porra! O carro dos Ballas está atrás de mim! Se separem! – Sweet grita sabendo que o alvo era ele.

Continua pedalando, filho da puta! – Ryder diz para CJ, que já quase não aguentava mais – Você está muito fora de forma, CJ! Por que você se importou em voltar?

Voltou bem para o meio da guerra, hein, parceiro? – Smoke grita rindo para CJ – Estava ruim assim antes de você ir embora? A costa leste fez você emagrecer demais, mano!

CJ, Ryder e Big Smoke continuam pedalando por vários bairros de East Los Santos. Eles estavam preocupados com Sweet, que havia sumido com os Ballas em sua cola. Assim que chegam a Ganton, os três veem Sweet de longe ainda sendo perseguido pelo carro. Eles avisam aos seguranças da entrada do bairro, que entram em um carro e vão dar cobertura ao líder. Os Ballas se assustam e desistem de perseguir Sweet, falhando a segunda tentativa em dois dias de matá-lo. Sweet alcança seus amigos e todos seguem de bicicleta até a Grove Street.

Peguei aqueles filhos da puta, mano! Mostrei para aqueles pretos quem é manda, quem é gangster! Ryder, negão! – Ryder comemora.

Quando você vai embora, Carl? – Sweet pergunta.

Não tenho certeza. Pensei em talvez ficar. As coisas estão fodidas... – CJ diz.

A última coisa que a gente precisa é da sua ajuda... – Sweet ri.

Qual é, cara! Eu não vou te deixar na mão! Eu juro! – CJ reclama.

A gente vai fazer um inferno por aí com esses Ballas. Depois vamos caçar umas minas. Quer ir? – Sweet pergunta.

Passei por muita coisa hoje, estou cansado. Vejo vocês mais tarde... – CJ diz.

Então vê se aparece, cara! A gente está sempre por aí! – Smoke diz.

É isso aí! E vai arrumar umas cores para você, otário. E um corte de cabelo. É vergonhoso ser visto com você! – Ryder completa.

Naquela noite, os maiores membros da Grove Street Families foram para a rua revidar os ataques sofridos naqueles dois dias seguidos. Eles não tinham a força necessária para assustar os Ballas, mas poderiam matar alguns desavisados de roxo por East Los Santos. Enquanto isso, CJ passou seu tempo arrumando a casa de sua mãe, onde voltaria a morar a partir daquele momento, já que Kendl havia ido morar com seu namorado Cesar em El Corona. CJ fica com o quarto que era de sua mãe, mas não deixa nada que fosse dela ali. Doa todas as roupas para as senhoras idosas do bairro. Na manhã seguinte, paga um pedreiro para tapar os buracos da parede da sala e trocar os vidros quebrados da janela. CJ havia voltado para a Grove Street e estava destinado a resolver os problemas que haviam acontecido ali sem ele durante aqueles cinco anos.  

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Carl Johnson não é só gangues, dinheiro e mortes. Isso é o que o diferencia de todos os outros protagonistas da série. O único que tem uma semelhança de personalidade com ele é o Vic Vance.

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  2. Cara, quando leio essas falas clássicas, lembro das legendas e, consequentemente das falas em inglês e das animações... muito bom trabalho deixando todas os detalhes de diálogos do jogo...

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