sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

San Andreas - Parte 6


Sweet liga para seu irmão assim que acorda, mas CJ não estava em casa. Ele atende seu telefone na rua enquanto comprava algumas coisas para seu novo lar:

 – Alô?

Achei que eu deveria te explicar algumas paradas... – Sweet diz.

Sweet, e aí, qual é? – CJ responde.

Desde que você foi embora, as coisas mudaram por aqui. A Grove Street Families não é grande mais. A Seville Boulevard Families e a Temple Drive Families arrumaram treta com a gente e se separaram da Grove. Agora a gente passa a maioria do tempo escapando de ataques. Os Ballas e os Vagos dominaram tudo. Então vê se toma cuidado por aí! – Sweet aconselha.

Beleza, pode crer. Valeu pelo aviso... – CJ diz.

Tranquilo... – Sweet desliga.

CJ volta para casa e vai visitar Ryder naquela tarde. A casa dele ficava ao lado. Ao entrar, CJ vê seu velho amigo colocando balas em uma pistola, sentado em sua mesa de jantar.

Cara, o que você quer aqui? – Ryder não parece muito feliz ao ver CJ.

Estou visitando meu mano! Qual foi, cara? – CJ se incomoda.

Ah, mano, sim, sim! Bom te ver de volta! – Ryder continua mexendo em sua pistola.

Sem parceria de mano? Nem um abraço? – CJ pergunta.

Ah, pode crer! Claro, negão! Foi mal! Como vão as coisas? – Ryder se levanta e abraça CJ.

Cara, o que você está preparando aí? – CJ olha para a mesa.

Cara, tem uma pizzaria aí que fica pintando por cima do nosso símbolo! Aquela porra é linda! Vou ensinar uma lição para o dono! O cara está fodendo com a Grove Street! Você está dentro? – Ryder pergunta preparando sua pistola.

Estou sempre dentro! – CJ diz.

Ah, é isso aí... – Ryder dá a última tragada em sua maconha e a apaga em um cinzeiro – Bora, mocinha!

Os dois vão até a garagem da casa. Lá estava a caminhonete Picador do maconheiro.

Me mostra como eles dirigem lá na costa leste, mano! – Ryder entrega a chave.

Aí, o Velho Reece ainda é dono da barbearia? – CJ pergunta entrando no carro.

Ele virou um louco filho da puta, mas ainda é. Fodeu o cérebro há uns anos atrás. Não deixo aquele velho otário chegar nem perto do meu cabelo! – Ryder diz.

Eu acho que vou dar uma passada lá para cortar o meu... – CJ avisa, lembrando-se do conselho de Ryder no dia anterior.

Pode ser. Você tem cinco minutos... – Ryder diz e muda de assunto – Quando você vai embora?

Não vou. Estou pensando em ficar... – CJ diz.

Por quê? – Ryder parece incomodado.

Minha família e meus manos estão aqui... – CJ diz.

A gente sempre esteve aqui, mané... – Ryder ri.

Sim, mas agora eu voltei e vi o que eu perdi... – CJ fica sério.

Só não espere que eu te dê um beijinho por isso. Você ainda é uma bicha para mim!  – Ryder continua rindo.

Sim, ok, valeu mano... – CJ acaba rindo também.

De nada! – Ryder diz.

Ele chega à Reece’s Hair & Facial Studio, a barbearia do Velho Reece, um senhor de setenta anos, amigo antigo dos Johnsons, mas que havia sofrido um derrame cerebral e desenvolvido Alzheimer em 1989, tendo ficado com algumas sequelas leves. Ficava em Idlewood, bem em frente à pizzaria que Ryder havia citado. Reece fica surpreso ao ver CJ.

Carl Johnson! Olha só como você cresceu! Fiquei sabendo sobre sua mãe, filho. Desculpa por eu ter perdido o funeral. Ela ficaria orgulhosa de você. Ela costumava escolher seus cortes de cabelo. Aí está a cadeira, CJ! Senta aí, filho! Posso fazer vários cortes modernos. O que você quer? – Reece pergunta.

CJ ficou com medo de pedir algo mais sofisticado para Reece pelo que Ryder havia falado, portanto pediu apenas para o velho raspar sua cabeça, o que foi feito até bem. CJ paga cinco dólares ao barbeiro.

Seu pai costumava raspar a cabeça também! Bom te ter de volta, filho! Mande um abraço para o seu irmão! Diga ao Big Smoke que ele precisa cortar aquele cabelo! – Reece se despede.

Puta que pariu! Eu te falei que ele estava louco! Cara, você foi assaltado! Que porra é essa? Isso aí está ridículo! Não traz nenhum respeito para o bairro, todo bonitinho e tal... – Ryder ri ao ver CJ saindo da barbearia – Você está muito magro, CJ. Arruma alguma coisa para a gente comer. Eu vou terminar esse meu baseado e depois vou cuidar das paradas...


A pizzaria era uma Well Stacked Pizza. Ao lado havia um muro em que a Grove sempre fazia pichações para marcar território, mas os donos apagavam pintando a parede novamente. CJ entra e pede uma pizza grande para viagem. Ryder termina seu cigarro e entra na pizzaria com uma meia-calça na cabeça.

Passa o dinheiro! Isso aqui é um assalto! – Ryder grita com o atendente, apontando sua pistola.

Ryder! De novo, não... – o atendente diz entediado.

Não sou eu, otário! – Ryder grita.

Ninguém é tão idiota assim! Sinto muito pelo seu pai! – o atendente diz.

Porra! Você é louco? Vamos vazar daqui! – CJ se irrita com o amadorismo do parceiro e diz do balcão.

O velho CJ! Bicha! Sempre uma bicha! – Ryder abaixa sua pistola.

Aproveitando o momento de distração, o atendente se abaixa e pega uma espingarda. Se ele quisesse, poderia ter matado os dois ali, mas não queria um banho de sangue em sua loja, então atira para o teto.

Caralho! Corre! Corre! – Ryder grita e sai correndo para a rua junto com CJ.

Essa pizzaria não é qualquer uma! – o atendente vai atrás.

Ryder e CJ entram correndo no Picador estacionado do outro lado da rua.

O que você está esperando, otário? Leva a gente de volta para a Grove, filho da puta! – Ryder grita com CJ vendo o atendente sair da pizzaria com a arma.

CJ arranca com a caminhonete e escapa da espingarda. Em alguns minutos, ele chega à casa de Ryder, que já estava mais calmo.

É bom você dar uma passada no Sweet. Ele está envolvido na parada do graffitti também... – Ryder diz ao sair do carro tirando sua meia da cara – Falou, mano!

CJ logo vai até a casa de Sweet para continuar no assunto. Ele e Big Smoke estão jogando basquete na miniquadra ao lado.

Vai, gordão! Vai, gordão! Olha só! Olha só! – Sweet marcava Smoke.

Fica olhando aí então, otário! Hahahaha! Bam! – Smoke sai da marcação e enterra a bola.

Ah, olha quem chegou: o fujão! – Sweet diz ao ver CJ se aproximando – Qual foi? Você acha que está de volta nas paradas da gangue?

Eu te disse, mano... – CJ diz.

Sua palavra não vale porra nenhuma aqui... – Sweet provoca.

Qual é, cara, dá um tempo! – CJ se irrita.

A gente tem que reerguer o bairro... – Sweet diz.

E aí, CJ! – Smoke se aproxima.

A gente tem que deixar o pessoal sabendo que você voltou. Os Irmãos Johnson estão na área de novo! – Sweet se anima e dá uma lata de spray para seu irmão – Pega essa tinta e vai marcar nossa parada por aí! Começa com o nosso bairro primeiro!

Depois a gente espalha e pega de volta o gueto todo! – Smoke diz.

Você já está se espalhando todo, gordão! Vamos jogar!  – Sweet rouba a bola de Smoke – Me mostra o que você sabe, carré de porco!

Enquanto CJ ia embora com o spray, Sweet e Smoke voltam a jogar, mas logo param e Sweet vai atrás de seu irmão:

Ei, espera aí!

Ah, acho que você quer dar uma volta com o seu mano, né? – CJ ri.

Vai com calma, moleque! Qual é! Está sendo difícil! Você quer dirigir? – Sweet joga a chave de seu carro, um Greenwood azul celeste meio caído.

Claro! – CJ diz.

CJ e Sweet vão até Idlewood, ao lado de uma ponte, onde havia um símbolo dos Front Yard Ballas, que ocupavam aquela região, pichado em roxo.

Toma conta do carro enquanto eu cubro isso aí... – Sweet diz ao sair do carro para pichar o símbolo da Grove por cima dos Ballas – Eu conheço mais duas marcas dos Ballas aqui na rua. Vai você que eu mantenho o carro ligado.

Do carro, CJ já vê as duas pichações dos Ballas. Ele sai e cobre uma na parede frontal de uma casa e outra em um muro de um beco ao lado.

Vamos entrar no território dos Ballas! – Sweet diz assim que CJ volta ao carro.

Sweet leva seu carro até o bairro de Los Flores, perigosa área ainda dos Front Yard Ballas, bem perto de Jefferson, onde CJ foi deixado pela CRASH. Lá chegando, Sweet estaciona seu carro perto de uma praça, em frente a uma pichação dos Ballas da região na parede lateral de um restaurante mexicano.

Você faz esse aqui que eu vou cobrir outros em outro bairro... – Sweet diz, espera seu irmão sair e arranca com o carro.

Havia Ballas nas esquinas das ruas. CJ deveria ser bem cauteloso para cobrir a pichação sem ser visto. Ele disfarça, olha para os lados e cobre o roxo com o verde rapidamente. Vai correndo até um beco atrás do restaurante, onde vê outra pichação dos Ballas. Mas havia membros da gangue bem em frente conversando. CJ se aproxima andando calmamente e aperta a lata de spray nos olhos dos dois Ballas ali, que ficam cegos momentaneamente, com os olhos ardendo.

Que porra é essa!? – um dos Ballas grita.

CJ rapidamente pega as pistolas dos bolsos dos dois, assim como aprendeu em Liberty City, e sai correndo em direção a outro beco próximo a uma loja de móveis, pulando algumas cercas de arame. Ainda correndo, ele vê uma pichação dos Ballas no segundo andar de um centro comercial. Seria o lugar ideal para o símbolo da Grove estar em evidência para que todos pudessem ver quem havia voltado. CJ sobe no telhado e cobre o símbolo dos Ballas com o símbolo da Grove, no melhor lugar possível para visualização. Nesse momento, Sweet volta de Jefferson com seu carro, onde havia pichado alguns muros também.

Carl, rápido, entra! – Sweet buzina para seu irmão – Bora voltar para o bairro, CJ!

CJ desce do telhado e rapidamente entra no carro de Sweet. Os dois vão voando para Ganton, pois algum dos Ballas poderia ter visto a ação no telhado, mas ninguém os seguiu. Ao chegar em casa, Sweet comemora:

É que nem andar de bicicleta, não é, garoto?

É, tudo acaba voltando... – CJ é nostálgico.

Como você está de dinheiro? – Sweet se preocupa.

Estou meio mal, tá ligado? A CRASH pegou quase meu dinheiro todo, cara! Me deixaram só com uns trocados... – CJ diz.

Toma aí! – Sweet entrega duzentos dólares a seu irmão – Vai comprar uma cerveja, alguma coisa por aí...

CJ abraça seu irmão pela primeira vez em muitos anos. Aquele foi o momento definitivo de reunião dos Johnsons desde 1987. CJ volta para sua casa com a sensação de finalmente estar de volta àquela realidade que deixou quando partiu para Liberty City, mas com o diferencial de agora estar bem mais preparado para o que estava por vir. Como seu irmão havia dito, os Irmãos Johnson estavam na área de novo, mas dessa vez eram dois gangsters, e não apenas um só, como antes. 

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