quarta-feira, 2 de março de 2016

San Andreas - Parte 11


Alguns dias se passam e CJ percebe que não está vendo OG Loc com muita frequência. Ele busca informações com os vizinhos e fica sabendo que Loc estava trabalhando no período noturno no Burger Shot, onde ele havia dito que seria um “técnico de higienização”. CJ decide ir visitar seu amigo às onze da noite. Ele vai de moto até a lanchonete no bairro de Marina e no estacionamento vê um cara limpando o chão com uma roupa ridícula e um chapéu de hambúrguer. Era Loc.

Você está bem técnico, gangster! Hahahaha! – CJ cai na risada ao ver Loc daquele jeito.

Carl!? Você ainda não foi embora? – Loc sente vergonha.

Não, gangster, estou aqui de uma vez por todas! – CJ cumprimenta Loc.

Sério? Então foda-se esse trabalho, cara! Estou juntando uma galera para uma festa de lançamento do meu álbum, mas antes eu preciso de um sistema de som... – Loc diz.

Estou dentro! A não ser que eu tenha que estar na festa... – CJ brinca.

Do que você está falando, otário? Na hora que eu começar a cantar, é garantido que todo mundo vai chegar junto! – Loc se empolga.

Na real, OG, eu não estou mais no rap. Estou mais ligado a essas paradas gangsters pesadas... – CJ diz.

Mas esse sou eu, mano, sou eu! OG Loc, baby! – Loc começa a dançar.

– Beleza, pode crer. Mas eu só vou gostar disso aí se você rimar bem... – CJ diz e cumprimenta novamente Loc – Mas, fala aí, cara. O que você quer que eu roube?

É disso que eu estou falando! Parceria de mano! – Loc abraça CJ – Agora se liga! Eu vi um sistema de som bem maneiro passando pelo drive-thru. Eu acho que eles foram para a praia para uma lual lá. Eu vou com você até lá e durante o caminho eu vou mandando uns freestyles! “It’s OG Loc in the place, y’all want to stop with a gun in your face, OG! OG!”…

Beleza, beleza, beleza, cara! Cala a boca aí! – CJ interrompe as rimas ruins de Loc – Talvez seja melhor eu fazer isso sozinho. Eu acredito em você! Gangster para sempre, mano! Para sempre!

Pode crer! Para sempre, mano! – Loc diz.

CJ não aguentava ficar um minuto perto de Loc com suas rimas péssimas e voz estridente. Quem compraria um álbum dele? Loc tinha tudo pronto em sua cabeça: ideia de capa, nome do álbum, nome de músicas, festa de lançamento. Mas quem cuidaria do som seria CJ, que, para ajudar o amigo, foi até a Santa Maria Beach, uma praia ao sudoeste da cidade, atrás de algum lual por ali. Ele não demorou a encontrar vários jovens na areia da praia em volta de fogueiras com uma grande van com um sistema de som e uma picape de DJ, uma coisa muito comum em Los Santos daquela época.

O DJ na verdade era uma mulher, que cuidava das músicas enquanto todos dançavam. É nela que CJ foca. Ele chega de mansinho na festa, dá sorrisos para todos ali, até que finge se interessar pela picape com a DJ. Ela percebe a aproximação do jovem negro:

E aí, o que tá pegando?

Só dando uma olhada, sabe... – CJ responde.

Vamos dançar, gatinho... – a DJ investe.

Claro... – CJ aceita.

Vamos ver o que você sabe fazer... – a DJ diz com um olhar sensual.

Ela seleciona a música “Hollywood Swinging”, um clássico de 1973 da banda de funk Kool and the Gang. CJ adorava aquela música, assim como o funk em geral. A música começa e CJ mostra toda sua habilidade corporal em movimentos bem complicados. Em três minutos, ele havia conquistado aquela mulher.

Você sabe dançar! Quer entrar para conversar? – a DJ pergunta.

Beleza. Primeiro as damas... – era o que CJ esperava.

Vou te levar para o meu escritório... – a DJ sorri e abre a porta do motorista da van.

CJ entra na porta do carona e se torna violento de uma hora para outra. Ele tampa a boca da mulher com a mão, bate sua cabeça no painel, a fazendo desmaiar. Ele troca de banco, liga a van e acelera, jogando areia em todos que estavam naquele lual. A van sai em disparada pela areia até a rua, com a porta de trás aberta e tocando música alta na picape. Quando sairia da areia, CJ abre a porta e empurra a DJ desmaiada para ela cair na areia e não no asfalto.

Ele roubou o som! – a mulher acorda e grita quando cai na areia.

Levar a van até a Grove Street era impróprio, principalmente pela distância e pelo som que o carro fazia. Provavelmente a polícia viria atrás por causa de alguma denúncia vinda da praia. CJ se lembrou de uma coisa que Ryder havia falado para ele alguns dias atrás. LB, o amigo de Ryder, possuía uma garagem no bairro Commerce, no centro da cidade, bem ali ao lado. Era um bairro de prédios administrativos, empresas, etc. CJ liga para LB e pergunta se poderia deixar uma van para Loc ali mesmo. LB responde que sim e em poucos minutos a picape da van era desligada dentro da garagem no centro. O som na festa de OG Loc estava garantido. CJ liga para Loc para avisar, mas é chamado novamente até a lanchonete. Loc precisava de mais uma ajuda naquela madrugada.

Passava da meia-noite quando CJ retorna ao Burger Shot. Loc estava limpando o banheiro masculino sozinho e se empolgando ao se ver no espelho:

Hahaha! Ei, ei, ei, é OG Loc, mano! Eu vou mandando uma letra que é assim... “Hey, yo! When I come thru up in the place, You don’t want to call with a gun in your face, I feel it harder, Than anyboy in the world could do, Just like a…”

Ei! – Bogman, aquele Grove que havia se tornado Balla, estava em um das cabines e sai gritando – Que lixo! Porra!

Loc sente vergonha e fica em silêncio. Bogman lava as mãos e vai embora, passando por CJ na porta do banheiro, que não o reconhece.

Porra! Minha parada é um lixo mesmo! – Loc se irrita e chuta o balde que usava para lavar o banheiro.

 – Qual foi, Loc? – CJ vê a irritação do amigo.

E aí, Carl. Qual é, cara? – Loc cumprimenta CJ aproveitando para agradecer o serviço anterior.

E aí, cara. Você já pensou em arrumar um letrista para te ajudar com essa parada aí? – CJ pergunta enquanto se olhava no espelho.

Já. Mas quem, mano? Quem? – Loc estava desanimado.

Porra, eu não estou mais ligado no rap, tá ligado? Não é mais minha parada. Mas a gente precisa pensar em alguma coisa, cara... – CJ diz.

E se a gente arrumasse alguém para escrever para mim, mas sem ele saber? – Loc tem uma ideia e se anima de novo.

... O que!? – CJ não entende.

– Hahahaha! Acho que encontrei um escritor fantasma! – Loc ri e começa a rimar de novo – “I’ve become the reciter, all nighter, all righter!”. Hahaha! O caderno de rimas do Madd Dogg! Da casa dele nas montanhas!

O caderno de rimas do Madd Dogg!? – CJ não acredita no que ouve.

Cara, você disse que ia ajudar, Carl... – Loc se irrita – Qual é, cara! “I’m hot like fire, all nighter, all righter, When I kick it, I feel I hit it!”…

Ei, ei, ei, ei! – CJ se desespera com a tortura que estava passando ali – Eu faço qualquer coisa, mano! Eu juro, ok?

CJ sai da lanchonete pensando que faria qualquer coisa para não ter que ficar ouvindo OG Loc rimando na sua frente. Mas fazer o que ele estava pedindo seria muito difícil, afinal se tratava de roubar as rimas de Madd Dogg, o maior rapper da cidade.

Madd Dogg era um homem alto, negro, com uma barba média. Ele tinha trinta anos, havia nascido em 1962 em Idlewood, no conjunto habitacional Crystal Gardens, bem próximo ao apartamento onde em 1992 morava B-Dup. Ele começou a fazer rap na adolescência junto com seus amigos das ruas, dentre eles, Alan Crawford, que se tornaria seu empresário. Em 1988, já aos vinte e seis anos, Madd Dogg finalmente ganhou grande notoriedade ao fazer uma apresentação marcante no Los Santos Forum, em Playa Del Seville, o maior ginásio da cidade. O show foi espetacular, chamando a atenção de um grande nome do mercado do rap naquela época, Jimmy Silverman, que era dono da gravadora Blastin’ Fools Records. Essa gravadora possuía os maiores nomes do rap de Los Santos da época, como o grupo GMW (Ganton’s Most Wanted, um grupo de rap da Grove Street Families) e os rappers Gaffle One, Forth Right MC, MC Bud, e Rochell’le, uma loira do R&B no fim dos anos oitenta, mas que havia se sexualizado e se tornado a musa do rap na cidade. Madd Dogg, com sua fama, logo se envolve com ela, dando início a um namoro. Com o dinheiro dos contratos, os dois logo compram uma mansão em Mullholand, um dos bairros mais ricos da cidade. Em 1990, Madd Dogg lança seu álbum de estreia, Hustlin’ Like Gangstaz, fazendo enorme sucesso, o que faz a gravadora se apressar para logo lançar o segundo álbum de Dogg, Still Madd, ainda em 1990. Logo em seguida, em 1991, Rochell’le lança seu álbum de estreia pela nova gravadora, Leg$, mudando totalmente e positivamente o rumo de sua carreira, tendo até um dueto com seu namorado na música “Dogg’s Bitch”. No mesmo ano, Madd Dogg lança 24 Carat Dogg, seu terceiro álbum, sua própria marca de roupas, a Madd Tagg, e planejava o início de um grupo chamado Doggy Boyz, em que fariam parte alguns rappers da Blastin’ Fools, sendo liderados por ele, que produzia um caderno de rimas para o primeiro álbum do grupo.

Era madrugada quando CJ se aproximou da mansão de dois andares de Madd Dogg. Havia vários seguranças, o que fez CJ pensar se realmente valeria a pena fazer aquilo para Loc, mas sua experiência em Liberty City o ensinou a também invadir casas, o que facilitava a situação. CJ consegue invadir a mansão pela área da piscina, que ficava próxima a um barranco. Como sempre, ele carregava sua pistola e uma faca. E foi com ela que CJ matou um dos seguranças da área externa, enfiando a lâmina em seu pescoço por trás, sem dar chance para o homem reagir ou fazer algum barulho. CJ o arrasta até uma área isolada e pega a roupa e o boné do segurança, além das chaves da mansão. Antes de entrar, CJ desliga o sistema de câmeras da mansão cortando os fios que saia por uma janela. Ele entra e percebe que havia vários seguranças dentro da casa também. Era imensa, tinha milhares de quartos e uma piscina interna. CJ pega um papel pela casa e caminha pelos cômodos fingindo ler algo para não ter que olhar para os outros seguranças e despertar alguma reação. Ao chegar a um bar, CJ vê um dos seguranças jogando videogame na TV imensa de Madd Dogg, que reclamava:

Que merda de jogo! Como a Refractions faz uma porra dessas? Tanner, você é um lixo!


CJ passa rapidamente pelo local, aproveitando a distração dos seguranças. Logo após o bar, ficava o estúdio de gravação da casa. Com certeza o caderno de rimas estaria ali. CJ entra e revira várias gavetas. Encontra o caderno e sai da casa novamente fingindo que estava lendo. Os seguranças não percebem a ação em nenhum momento, a frieza de CJ era impressionante. Ele volta ao local onde havia matado o segurança, pega suas roupas que havia escondido e volta tranquilamente para a Grove. No dia seguinte, antes de ir para o trabalho, Loc passa na casa de CJ.

E aí, Loc. Peguei o que você queria... – CJ entrega o caderno.

Mano, você é foda! – Loc abraça CJ.

Te vejo depois... – CJ diz.

Paz, mano! – Loc diz e vai para mais um dia de trabalho.

Quando anoitece, CJ vai novamente à lanchonete. Ele procura Loc, mas não o encontra.

Ei, por favor... – CJ chama um dos atendentes, que estava preparando sanduíches – Loc está por aqui?

O que? Você quer batata frita com isso? – o atendente não entende.

Loc! Ele está disponível para co-mu-ni-ca-ção? – CJ está sem paciência.

Quem? Loc? – o atendente continua confuso.

Puta que pariu... – CJ olha para os lados, impaciente.

Ah, você deve estar falando do Jeffrey! – o atendente finalmente entende – Nosso técnico de limpeza ligou falando que está doente, então o Jeff, ou Loc, foi promovido.

... E? – CJ pergunta.

E ele está lá atrás limpando o fogão... – o atendente abre a porta para a cozinha.

CJ vai até onde Loc estava. Ele continuava com seu uniforme ridículo de hambúrguer, desta vez limpando os recipientes para fritura das batatas.

E aí, Loc! – CJ se aproxima.

CJ! E aí, mano! – Loc enxuga as mãos – Aí, minhas paradas estão fodas agora! Vai explodir!

Então você está feliz agora, mano? – CJ pergunta.

Feliz? Cara, não estou porra nenhuma! Eu não vou aguentar ficar aqui nesta merda de lugar por muito tempo. Cara, eu sou uma artista. Eu tenho que estar dentro das paradas! Cara, não posso arrumar um contrato por nada. Os filhos da puta sempre estão tentando foder um negão! E aquele neguinho, aquele scipio, o empresário do Madd Dogg, ele está pegando pesado comigo, cara! Ele está zoando meu estilo direto! – Loc reclama.

Pegando pesado? Cara, ele tem um metro e meio de altura! – CJ ri.

Mas aquele otário é forte! A gente tem que tirar ele da reta. Ele tem me denegrido demais, assim não tem como eu entrar na parada! Te falei que eu sou um artista, um comunicador, e ninguém vai poder ouvir minhas mensagens! Ele vai ficar por aí falando para todo mundo que eu sou um lixo... – Loc diz.

Com certeza ele não ouviu suas paradas novas. É parada de bom gosto! – CJ puxa o saco de Loc.

É disso que eu estou falando, cara! “Down, with a frown, on the town, a sad clown”! Hahahaha! – Loc rima.

Hahaha! E o que você quer que eu faça? – CJ pergunta entre risadas.

Eu quero que você passe aquele filho da puta... – Loc cochicha no ouvido de CJ após olhar para os lados.

Matar ele!? – CJ pergunta.

Não, não é assim, cara! Se liga, ele vai estar em uma cerimônia de premiação no Cathay às dez, e essa é a única situação em que ele sai de perto do Dogg... – Loc diz.

CJ não fala nada. Ele já tinha planejado tudo em sua cabeça com as informações que Loc havia passado. A vítima seria Alan Crawford, um negro de trinta e dois anos, pouco mais de um metro e sessenta de altura, cabelo curto e estilo marrento. Era amigo de infância de Madd Dogg e se tornou empresário do amigo logo quando ele iniciou no rap. Com o sucesso e a antiga parceria, Crawford foi morar na mansão junto com Dogg e Rochell’le.

Enquanto se dirigia para o Cathay Theater, um dos teatros mais chiques de Vinewood, onde acontecia a premiação, CJ recebe uma ligação de Loc.

O que foi, Loc? – CJ pergunta.

Um dos motoristas do Madd Dogg está no Burger Shot de Vinewood. Ele está indo para lá! – Loc havia sido avisado.

Beleza, vou ver o que posso fazer... – CJ desliga.

Os planos haviam mudado completamente. E tudo havia ficado mais fácil, afinal CJ era um perito em roubo de carros. É isso que ele faz quando vai até o Burger Shot onde havia um Elegant preto no estacionamento, o típico carro de segurança de famosos. CJ deixa sua moto ao lado do carro e rapidamente consegue roubá-lo e seguir com ele tranquilamente até o local da premiação. Na rua do teatro, CJ vê dois Elegants, exatamente iguais ao que ele estava dirigindo, estacionados em fila indiana. CJ logo se deu conta de que eram os outros seguranças. Ele estaciona o carro logo atrás e uma mensagem no rádio entre os carros aparece:

Por que você demorou tanto? A gente precisa ir buscar o chefe! Guardem posição na linha até que cheguemos ao local da premiação. Fiquem próximos e tranquilos, vamos lá!

Os dois primeiros carros da fila saem e CJ segue com seu carro. Ele passa as barreiras policiais e chega até a frente do teatro, onde havia vários repórteres e fotógrafos cobrindo o evento. Ao sair, Alan Crawford recebe os parabéns de uma repórter:

Parabéns pelo seu prêmio, você deve estar muito feliz!

Sim, sim! Eu gostaria de agradecer aos meus fãs, minha mãe e ao meu traficante! – Crawford diz.

Alan Crawford é levado por seis seguranças do evento até o carro em que CJ estava. Ele entra no banco traseiro acompanhado de sua esposa.

E aí, cara. Me leva de volta para a mansão do Dogg... – Crawford pede.

Hoje não, cuzão! Hoje a gente vai fazer uma rota paradisíaca pelo meio do oceano... – CJ diz e arranca com o carro.

A mulher de Crawford começa a gritar desesperadamente. CJ passa pelas barreiras policiais, atropelando vários seguranças do evento. Crawford pensa em reagir, mas estava desarmado, e pela velocidade que CJ estava, qualquer tentativa de ataque faria o carro capotar. Imediatamente o rádio do carro recebe a mensagem vinda dos outros carros de segurança:

Time de segurança! O príncipe foi sequestrado! Resgate! Custe o que custar!

Enquanto sua mulher gritava sem parar, restou a Crawford conversar com CJ:

Quem é você, caralho!? Cadê o meu motorista!? Destranca essas porras de portas! Eu não sei nadar, seu psicopata filho da puta!

Eu fiquei sabendo... – CJ é irônico.

O que você quer, otário? Dinheiro? Eu tenho putas, várias putas gostosas, pode pegar! Elas vão fazer qualquer coisa que você quiser! Você quer um contrato de gravação? Cara, eu consigo fazer qualquer otário virar uma estrela! Eu conheço gente nessa cidade, gente poderosa! Uns filhos da puta perigosos! Você é da Grove Street Families? Eu conheço uns OGs dos Ballas, somos como irmãos! – Crawford não parava de falar.

Cala a boca! – CJ se irrita.

O carro é levado até um píer da praia de Santa Maria. O plano já havia sido combinado com alguns membros da Grove. No fim do píer, havia um grande colchão no chão, logo antes do grande precipício para o mar. CJ acelera o carro até o máximo em direção ao precipício e logo antes do carro levantar voo, ele abre sua porta e se joga no colchão armado por seus parceiros.

CARALHOOOOOOO! – Crawford e sua esposa gritam ao verem que estavam sozinhos no carro sem motorista.

O Elegant preto simplesmente paira no ar por alguns segundos e faz um mergulho mortal no oceano pacífico de Los Santos. As habilidades como motorista de fuga de CJ fizeram com que todos os seguranças que estavam o perseguindo o perdessem de vista. Ninguém havia testemunhado a morte do empresário. Os Groves entram no carro em que foram e voltam para Ganton.

O dia seguinte era um sábado e Loc trabalhava mais cedo. CJ vai mais uma vez até a lanchonete para ver se seu amigo precisava de mais alguma ajuda. Mas quando chega lá, ele vê Loc sem camisa, com sua toca, no estacionamento, gritando pela janela com seu chefe:

Vai tomar no cu, cara! Foda-se o que você ouviu! Eu não sou “técnico de bunda” de ninguém, seu lixo!

Ei, ei, o que está pegando, Loc? – CJ pergunta.

Ser técnico não é ser gangster, isso é o que está pegando! – Loc cumprimenta CJ.

Pode crer! – CJ diz.

Se liga, Carl, se eu for voltar para a cadeia, eu quero ter uma grande festa antes. Pode ser minha última chance de ser ouvido... – Loc se preocupa.

Beleza, então qual é o plano? – CJ pergunta.

Eu vou voltar para a Grove Street para arrumar aquele som bombástico-fantástico! – Loc se anima.

Beleza, e o que você quer que eu faça? – CJ pergunta mais uma vez.

Eu quero que você se arrume para a festa. E vê se arruma umas garotas, cara... – Loc diz.

Ok... – CJ responde.

Arruma umas garotas bem gostosas, tá ligado? – Loc se empolga e começa a dançar – Aquelas de biquínis e tal, dos vídeos? Hahaha!

Hahaha! Tô ligado! – CJ ri.

Já te falei, mano! Eu sou o cronista da nossa luta, a voz das Families, tipo Moisés, só que na moral! Hahahaha! Tá ligado? – Loc continua empolgado.

Loc e CJ voltam para a Grove Street. O “rapper” vai para sua casa, que ficava em frente à de CJ, e começa a arrumar o equipamento de som e a picape que CJ havia roubado para ele. Já CJ dá uma volta pelo bairro para chamar algumas prostitutas para comparecem à festa. Mas apenas duas aceitam, a reputação de Loc era péssima no bairro.

Quando volta para casa, CJ fica em seu carro ouvindo notícias sobre a trágica morte de Alan Crawford na noite anterior. A polícia não tinha a mínima pista sobre quem havia cometido o crime. Lianne Forget, âncora do jornal WCTR News, falava pelo rádio:

“Nossa história principal! Alan Crawford, empresário do rapper Madd Dogg, morto! Madd Dogg recentemente lançou uma linha de roupas e se comparou a Jesus e Ghandi enquanto cheirava bastante! A morte brutal de Alan continua sem resoluções. A polícia desconfia que tenha sido homicídio!”.

CJ fica tranquilo, nada poderia ser feito contra ele, já que não havia testemunhas em nenhum momento do crime. As únicas pessoas que viram ele dentro daquele carro estavam na gaveta de algum necrotério da cidade.

Às nove da noite, Loc liga para CJ para falar sobre a festa:

E aí, CJ, fala aí, G!

E aí, Loc! – CJ responde.

A festa está bombando! A gente tem uma gangue de putas loucas aqui! – Loc mente – Você está vindo, mano?

Ah, eu não sei, cara, eu tenho alguns planos para essa noite... – CJ tenta escapar.

Mas a gente teve um grande desastre! Eu não vou mandar meu rap, o microfone quebrou... – Loc diz.

Ah, beleza, estou indo para aí agora então! – CJ fica aliviado.

Ao chegar à casa de Loc, CJ entra e vê que ele havia mentido. O microfone estava funcionando perfeitamente e ele estava mandando seu rap para duas putas como plateia, além de alguns membros corajosos da Grove.

É isso aí, mano! OG Loc na área, baby! Vou mandar um rap para os meus manos gangsters de verdade, minhas putas gangsters! Falando sobre gangsters, olha o meu mano CJ bem ali! Qual é, negão? Fala aí! – Loc se empolga em um minipalco com a picape atrás de si.

Achei que o microfone desse filho da puta estava quebrado... – CJ reclama com Ryder, que também estava na festa.

E aí, mano... – Ryder diz.

E aí, Ryder... – CJ cumprimenta.

Os manos estão lá fora, cara, longe dessa música de merda! – Ryder diz e sai da casa com as mãos no ouvido.

Cara, isso deixa qualquer um puto... – CJ fica meio tonto.

“I’m the man in the place, Punch you in the face, A gun in my waist, It’s Loc, baby! Yo, it’s Loc Loc! Loc Loc! It’s Loc!” – Loc não parava.

Caralho, cara, essas letras deles são horríveis! – Ryder diz ao sair da casa.

Esse cara precisa trabalhar, cara... – CJ diz.

Pode crer... – Ryder concorda.

E aí, malandragem! – Sweet cumprimenta os dois.

E aí, qual é, baby? – CJ diz.

Então você voltou ao bairro, né? – Sweet diz após passar alguns dias sem ver seu irmão.

Claro! – CJ diz.

Você é matador, hein? – Sweet brinca por saber dos últimos feitos de CJ.

O que ele fez que eu nunca fiz? – Ryder fica com ciúmes e entra no meio dos irmãos.

Do que você está falando, negão? – Sweet pergunta.

Relaxa aí, cara! – CJ empurra Ryder.

Nesse momento, LB chega de bicicleta apavorado à calçada onde estavam todos. Ele estava ofegante, parecia estar fugindo de alguém:

Ei! Um exército dos Ballas se armou! Eles estão vindo para cá agora!

Parece que a gente colocou os Ballas de volta contra a parede, né? – Sweet diz.

CJ, vai pegar um ferro! Aqui é Grove Street! – Ryder grita e some entre os becos da rua – Eu vou chamar outros manos!

Todos os membros da Grove ali começam a ir buscar suas armas e a armar a defesa do território.

Ok! Peguem os carros, bloqueiem a rua! – Sweet dá a ordem a todos – O resto vai se armar!

Dois carros são imediatamente posicionados na entrada da Grove Street à espera de algum ataque. E ele não demora a chegar, pois dois carros recheados de Ballas aparecem pela rua principal. Eles já são recebidos a bala pelos Groves, mas conseguem atirar de volta usando os próprios carros como proteção.

Mantenham as posições! Carl, se protege e ataca esses otários! – Sweet grita com seu irmão.

O ataque frontal dos Ballas foi pessimamente sucedido. Foram todos surpreendidos pelo contra-ataque poderosíssimo dos Groves e tomaram tiro por três dias em apenas alguns minutos. Todos os dez Ballas ali morreram. Mas eles não eram um únicos.

Olha lá em cima! Tem mais Ballas na ponte! – Sweet grita.

Quatro Ballas se posicionaram na ponte que passava por cima da Grove Street, tendo uma visão privilegiada da posição dos inimigos. Mas após não terem mais ninguém pela frente, todos os Groves apontaram para a ponte. Não deu outra: todos os Ballas foram atingidos e caíram lá de cima, já mortos.

Carl! Olha o beco! – Sweet percebe mais Ballas pelo beco ao lado da casa de seu irmão.

CJ e todos os outros se voltam para o beco e não deixam nem os Ballas saírem dali. Uma rajada de tiros de fuzil vindos do trem que Tenpenny indicou acaba com todos os homens de roxo daquele ataque surpresa. Todos os vinte Ballas padeceram naquela noite.

GROVE É A RAINHA DAS GANGUES! – Sweet grita ao ver todos mortos.

Cara, eu nunca vi os Ballas se comprometerem tanto assim antes! – CJ estava assustado, mas aliviado.

É, eles ouviram que Carl Johnson está andando com seu irmão de novo! – Sweet ri.

É, pode crer! – CJ também ri.

Vamos voltar para a festa... – Sweet diz e procura por Ryder, que misteriosamente havia sumido.

Porra, cara, essa festa só vai começar quando o Loc largar o microfone... – CJ reclama.

A festa vai até o início da manhã. Após algumas horas aguentando OG Loc, a música fica até agradável de tão ruim, pelo menos fica engraçada quando todos ficam bêbados. Todos bebem para comemorar o contra-ataque bem sucedido da noite. A Grove, cada vez mais, se cosolidava como uma gangue redentora. 

Um comentário: