sábado, 5 de março de 2016

San Andreas - Parte 12


Após uma longa noite de festa, os Groves só estavam de pé à tarde. CJ sai de casa e vai procurar Ryder, que não via desde antes do ataque dos Ballas. Encontra o maconheiro nos fundos de sua casa, sentado em uma cadeira de praia fumando um baseado.

Ryder! – CJ chama seu parceiro, mas vê que ele não estava ouvindo – Porra, esse negão está chapado. Ryder!

E aí, CJ... – Ryder fala lentamente por conta da maconha – Aí, CJ, me diz por que eu não terminei o ensino médio.

Porque você sempre vendeu drogas, cara, desde os dez anos! – CJ ri.

Não, não foi isso... – Ryder se recorda.

Hahaha! Foi porque você meteu a mão naquele professor só porque ele estava usando a cor dos Ballas! – CJ diz.

Hahaha! – Ryder ri e cumprimenta CJ – Não, mas também não foi por isso. Foi porque eu sou muito inteligente para essa merda, cara. Eu sou o cara, maluco! Isso aí! Um gênio...

Hahaha! Ah sim, claro... – CJ ri.

Quem tem mais arma que qualquer um? Quem tem todas as armas, hein? – Ryder desafia.

Um cara com várias armas? – CJ pensa por alguns segundos – Porra, sei lá, desisto!

O exército, negão! O exército! Vambora! – Ryder diz.

Pode crer... – CJ responde.

Dá uma puxada nisso aqui, mano... – Ryder oferece o baseado.

Tira isso da minha cara, mano! – CJ recusa.

Dá uma puxada! – Ryder insiste.

Você sabe que eu não mexo com esses bagulhos! – CJ recusa novamente.

Qual é, mano? Sua bicha! – Ryder diz.

CJ não entendeu muito bem na hora, mas o plano de Ryder era exatamente esse: roubar armas do exército. O efeito da maconha com certeza estava estragando seu cérebro. Aquilo seria praticamente um suicídio, mas Ryder estava empolgadíssimo. Na Grove Street, já havia um pequeno caminhão baú. Ryder busca as chaves dentro de casa e entra no caminhão com CJ na direção.

Você acha que consegue dirigir esse caminhão sem matar a gente? – Ryder provoca.

Para onde a gente vai? – CJ não dá bola e pergunta.

Ocean Docks... – Ryder responde.

De onde saiu esse caminhão? Não vi ele na rua quando eu saí de casa... – CJ pergunta.

Meu mano LB é um ninja! Ele é muito confiável! Ao contrário de vocês, filhos da puta... – Ryder diz.

Dá um tempo, cara... – CJ diz – Eu já perdi meu irmão mais novo e agora eu perdi a minha mãe!

Não importa a quantidade de merda que essa cidade joga na sua cara, CJ, você tem que se manter forte pelos seus manos... – Ryder diz.

É, eu acho... – CJ tenta finalizar o assunto.

O caminhão faz seu caminho até Ocean Docks, o bairro portuário da cidade, onde ficava o imenso Los Santos Port. O bairro era o local onde também ficava a National Guard Depot, a base militar do exército da cidade. Ao chegarem lá, CJ cai na real sobre a gravidade do que iriam fazer.

É aqui! A National Guard Depot! – Ryder diz ao ver um jipe do exército entrando no portão da base.

Cara, essa merda parece ser bem séria... – CJ se preocupa – A gente tem capacidade para isso?

É a guarda nacional, otário! Soldados de fim de semana! Eles não são nada perto dos OGs da Grove Street! – Ryder ri – Agora vai lá e abre aquela merda de portão!

CJ sai do caminhão e analisa tudo ao redor. Alguns soldados entravam e saiam do portão, então CJ faz o que fazia de melhor: assaltar. Ele se aproxima de um soldado que andava sozinho e coloca uma pistola na cabeça dele. O soldado não reage, apesar de também estar armado. CJ o leva para um beco próximo da base e o obriga a tirar todo seu uniforme e colete. O soldado prontamente obedece, ficando apenas de cueca. CJ o obriga a pular no mar para que não seja uma ameaça, e o soldado se joga das docas, caindo no mar e nadando até algum lugar que pudesse voltar para a terra.

Boa, CJ. Achei que isso era uma missão suicida... – Ryder diz.

Com o uniforme do exército, CJ volta para o caminhão. Ryder vai para o baú para se esconder. Ao chegar ao portão, CJ buzina para o porteiro, que logo libera a passagem para o “soldado”. Dentro da base, CJ vê o depósito de armas, mas ele estava fechado. Um soldado que passava por ali é abordado por CJ, que pedia educadamente a senha para abrir o depósito, já que havia esquecido. O soldado digita a senha na fechadura eletrônica e a porta se abre, mostrando várias caixas de madeira lotadas de fuzis e metralhadoras poderosas. CJ manobra o caminhão, o deixando com o baú aberto de frente para a entrada do depósito. Ryder estava escondido embaixo de um cobertor lá dentro. CJ assume o volante de uma empilhadeira do local e começa a colocar as caixas dentro do caminhão, sem que nenhum soldado desconfiasse, pois achavam que o que estava acontecendo era mais uma das entregas diárias de armas.

Após colocar dezenas de caixas no baú do caminhão, CJ fecha o depósito tranquilamente e assume a direção de novo. Ryder passa para o banco de carona rapidamente e fica abaixado quando passam pelo portão.

A gente já tem o bastante. Vamos vazar daqui! LB tem um lugar para o caminhão em Willowfield, é a casa do Emmet. Acelera aí!  – Ryder diz e vê alguns jipes do exército atrás do caminhão pelo retrovisor – Porra, cara, esses idiotas não desistem!

O que está acontecendo lá atrás? – CJ pergunta, pois seu retrovisor estava sem espelho.

Esses soldados de fachada estão atrás da gente na estrada! – Ryder diz.

Boa rima, cara... – CJ ri da alucinação de Ryder, já que os soldados estavam apenas saindo da base – A gente está muito pesado, vai lá e joga umas caixas neles...

Beleza, você buzina e eu jogo as caixas! – Ryder viajava e tentava sair pela janela.

Eu não vou ficar andando com você até você largar essa maconha, cara! Isso zoa a sua mente!  – CJ puxa a camisa de Ryder e dá um tapa em sua bochecha.

Foda-se, otário! Você nem sabe o que está rolando! – Ryder se irrita.

E o que é? – CJ pergunta.

Não vou ficar ouvindo suas merdas mais! Nós já temos as armas! Você não é gangster, mano! Você quer o que? Moleza? Você quer fugir das tretas! Eu faço as paradas na moral! – Ryder diz.

Você não iria saber o que é na moral se eu não tivesse te dado um tapa na cara, mano! Poderia saber se eu tivesse te dado um tiro! – CJ também se irrita.

Não estou te ouvindo, Carl... – Ryder não queria mais conversa.

CJ leva o caminhão até a casa de Emmet, onde havia ido com Smoke alguns dias antes. LB os recebe e indica uma garagem para eles deixarem tudo.

Essa parada foi foda! – Ryder diz a LB.

Foda? Cara, essa parada foi uma merda! – CJ se intromete.

Cara, você diz que está sempre aí para os manos, mas tudo que você faz é reclamar! – Ryder diz e vai embora.


CJ aproveita para fazer uma visita a Emmet e volta de carona com LB para Ganton. No caminho, passando por Idlewood, ele fica na casa de Big Smoke, que não havia participado da festa de OG Loc e nem do consequente contra-ataque aos Ballas, o que chamou a atenção de CJ. A casa aparentemente estava fechada, mas CJ encontra Smoke em sua garagem atrás de seu carro.

E aí, CJ! Qual é, cara? – Smoke se anima.

O que está pegando, Smoke? – CJ vai até a garagem, sério.

Só relaxando aqui. Quer dar uma volta por aí? – Smoke diz.

Sim... – CJ diz.

Você dirige! – Smoke joga a chave do carro.

Beleza... – CJ abre o carro e entra.

A gente vai para o centro da cidade! – Smoke também entra.

É melhor não ser mais uma ordem policial, cara... – CJ diz.

Não, cara, isso é só para os manos... – Smoke diz – Eu tenho que ser honesto com você, CJ. Talvez a gente esteja se metendo em uma parada séria, baby.

No que você se meteu, Smoke? – CJ pergunta.

Um monte de paradas está acontecendo, Carl. As Families caindo, os Ballas traficando, russos sem nada a perder caçando todo mundo... – Smoke responde.

Russos? – CJ é surpreendido.

Minha vida toda me disseram para ter medo dos ruskies, mas eu nunca encontrei nenhum. Aí o muro caiu e agora todo mundo tem que ser amigo. Cinco minutos depois, minha prima está fodendo com um ruskie que acabou de sair de um navio... – Smoke diz.

Sério? – CJ não acredita.

Sério! – Smoke diz.

A máfia russa de Los Santos era muito presente na região desde a queda do muro de Berlim, em 1989. A queda significou praticamente a abertura do mundo para os soviéticos, que embarcaram para vários lugares do mundo, inclusive levando suas organizações criminosas consigo. Eles costumavam ficar em bairros do sul da cidade, perto do porto, que era por onde haviam chegado.

Mas naquele início de noite, CJ e Smoke vão até Commerce, no centro da cidade. Smoke pede para CJ estacionar o carro em frente ao Atrium, um bonito prédio comercial espelhado de paredes redondas. Os dois sobem por escadas rolantes até uma varanda com mesas para alimentação. Uma bonita mulher passa pelos Groves e se senta em uma das mesas sozinha. Percebendo que CJ olhava para a mulher, Smoke chama sua atenção:

Olha só, Carl, antes de eu entrar, eu preciso saber que você está comigo nessa, cara!

Smoke, a gente não vacila, a gente é Grove, cara! – CJ cumprimenta Smoke.

É isso aí! Esse é o meu mano! – Smoke abraça CJ – Aí, se você ouvir que está dando alguma merda, entra atirando, beleza?

Pode crer, mano! – CJ diz, mas logo que Smoke entra no prédio, ele volta seu olhar para a mulher que chamou sua atenção – Ei, baby, quer companhia?

Filhos da puta! – Smoke grita de dentro do prédio – CJ, entra aí!

CJ rapidamente se apressa a entrar na grande porta de acesso ao hall do Atrium, mas vê que estava rolando um intenso tiroteio. Smoke estava abaixando usando uma pequena mureta como proteção enquanto havia vários russos atirando contra o Grove. Aparentemente, algum acordo havia dado errado.

Pega proteção e atira nesses otários filhos da puta! – Smoke grita.

Big Smoke, você cometeu um grande erro! – um dos russos grita com um sotaque carregado.

Cuidado, CJ, acho que eles estão putos! –Smoke grita enquanto atira – Vai pela direita e me cobre!

CJ corre entre várias estátuas do hall do prédio atirando contra os russos, que vão caindo um por um com o contra-ataque dos Groves.

Esse é o meu mano! Fazendo todos pagarem! – Smoke ri.

Os cinco russos que estavam ali foram mortos. CJ e Smoke faziam uma boa dupla quando se tratava de tiros e mais tiros. Mas não havia apenas aqueles caras ali, o prédio estava cercado de russos.

Vem comigo, CJ, vamos vazar daqui! – Smoke grita e segue até uma saída de emergência – Fica com a cabeça abaixada, mano! A barra está pesadíssima aqui!

Smoke e CJ saem por outra varanda parecida com a que chegaram e lá havia mais russos. O tiroteio novamente é intenso.

Smoke! Você e seu amigo estão mortos! – um russo grita.

Filhos da puta! – Smoke grita de volta e vê CJ atirar em todos ali – Esse é o meu mano CJ! Hahaha! Você é gelado, mano!

Após os russos da varanda caírem mortos, Smoke vê uma moto ali, provavelmente de algum russo. Ela estava ligada e pronta para uma possível fuga dos soviéticos, mas quem foge nela são os Groves.

Hora de retribuir o favor, mano! Sobe aí! – Smoke pula na moto e diz, se referindo a quando CJ o levou de moto para atirar nos Vagos em cima do trem.

Ao descerem uma rampa giratória do estacionamento do prédio, uma moto com russos começa a perseguir os Groves e as ruas viram um palco de um novo tiroteio.

Eles estão atrás de nós com uma moto, Smoke! – CJ grita e começa a atirar.

Mata qualquer filho da puta que vier atrás da gente! – Smoke grita.

Porra, cara, eles estão vindo em um caminhão! – CJ diz ao ver um caminhão imenso o perseguindo também.

Não fica me dizendo essas coisas! Tira eles da rua! Atira! – Smoke grita enquanto foge em alta velocidade – Porra, olha esse trânsito! Saiam da frente! Eu estou passando!

A gente tem motos atrás de nós! Dá um jeito, Smoke! – CJ grita.

Se segura, baby! – Smoke responde e mira uma rampa de uma caçamba de entulhos na rua.

Smoke! Não! Nããão! – CJ se desespera quando a moto em que estava voa, aterrissando em cima de um ônibus, o que faz o caminhão dos russos bater.

Eles bateram no ônibus! – CJ diz quando a moto volta para a rua.

Hahaha! Eu nunca mais vou reclamar do transporte público de novo! – Smoke ri, mas logo vê uma rua fechada por carros de russos – Que merda! Rua fechada!

Porra, Smoke, esses caras são organizados! Você não me falou disso, cara! – CJ reclama.

Carl, a única coisa que eu sei é que eles estão bem putos com a gente agora! – Smoke grita – Se segura, eu tenho uma ideia!

Smoke, o que você tem na cabeça? Galeria do esgoto não tem saída, cara! – CJ grita ao ver Smoke entrando no local para fugir.

Que se foda, a gente tem que despistar esses caras! Não se preocupe! Eu conheço um caminho que dá na Grove Street! – Smoke diz e acelera pela galeria de esgoto da cidade, com os russos atrás, como sempre.

O túnel de esgoto antigo? Puta que pariu! – CJ se desespera.

Olha nossas costas! – Smoke diz.

Tem mais motos, Smoke! – CJ grita.

Explode o cérebro deles, CJ! – Smoke diz.

CJ continua atirando contra motos e carros que o perseguiam. O local que Smoke estava passando era estreito, cheio de túneis. CJ estava se saindo bem nos tiros para trás. Mas ao sair de um viaduto, o caminhão dos russos retorna e pula para a galeria, voando por alguns metros para perseguir os Groves de novo.

Que merda! Aquele caminhão achou a gente de novo! – CJ grita.

Cara, para de ser tão negativo! – Smoke se incomoda – Se foca nas boas notícias!

Que boas notícias? – CJ grita enquanto continua atirando.

A gente não morreu e seu dedo continua funcionando nesse gatilho, otário! – Smoke diz, mas começa a se preocupar – Acho que o motor dessa moto pifou. Não consigo pegar mais velocidade!

Ah, quem é o negativo agora, seu viado? – CJ grita.

Você venceu. Vou ficar com a minha boca calada a partir de agora. Cuida das nossas costas! – Smoke diz, mas logo grita de novo quando o caminhão ultrapassa sua moto e bate de frente na traseira de outro carro dos russos – Porra!

Cara, os carros acharam uma rampa! – CJ diz ao ver mais carros russos descendo uma rampa de acesso da rua à galeria.

Não me fala nada! Atira! – Smoke grita.

Leva a gente para aquela rampa! – CJ grita ao olhar para frente e ver uma rampa de acesso para a rua.

Estou indo, baby! – Smoke leva a moto para a rampa.

A gente ainda tem moto atrás de nós, cara! – CJ diz.

Cara, para de reclamar e atira no máximo de cuzões que você puder! – Smoke grita e vê o caminhão dos russos lá na frente – Os otários dispararam com o caminhão!

Vai atrás dele, cara! – CJ diz.

Beleza, a gente vai pegar uma rota turística! – Smoke desce da rampa e vai atrás do caminhão.

O caminhão dos russos logo para em um bloqueio com dois carros na galeria. Os russos se protegem atrás dos carros para atirar na moto dos Groves, que vinha em alta velocidade. CJ olha para frente e começa a atirar nos russos parados. Como o caminhão possuía uma rampa na traseira para carregar carros, Smoke utiliza essa rampa para novamente dar um grande salto, assim como deu para voar por cima do ônibus. Os russos não tinham como continuar atirando enquanto CJ atirava contra eles, então se escondem atrás dos carros enquanto os Groves voam por cima do caminhão e continuam o caminho pela galeria. Enquanto eles passavam pelo caminhão, uma granada dos russos explodiu, fazendo com que vários deles voassem junto.

Morram queimados, filhos da puta! – Smoke grita ao passar pelos russos e chegar ao fim da galeria – O túnel antigo está ali na frente! Atira no portão!

CJ atira no portão entreaberto de um antigo túnel de vazão de água de chuva. Smoke passa com a moto no vão que os tiros fizeram a entrada ter.

Boa, CJ! Lá vamos nós! – Smoke diz.

Cara, eu costumava odiar esse túnel quando a gente era moleque! – CJ diz.

A gente pode ter nostalgia depois! A gente ainda tem companhia! – Smoke grita ao ver mais motos de russos pelo retrovisor.

Esses caras não desistem? – CJ continua atirando.

Smoke finalmente sai do túnel da galeria de esgoto e chega à rua em East Beach. Ele logo entra em um beco que dava em um estacionamento de um prédio para despistar os russos, o que dá certo. Da moto em que os Groves estavam saía fumaça.

Eles perderam a gente, Smoke! É melhor a gente se separar! – CJ diz e desce da moto.

Eu vou levar essa moto para outra rua e acabar com ela. Cara, essa merda foi louca! – Smoke diz.

Pode crer. Se liga, a gente não pode ficar vacilando por aqui. Te vejo depois, mano! – CJ sai correndo para entrar em mais becos para chegar à Grove Street, que não estava muito longe dali.

Valeu, baby! – Smoke vai embora com a moto.

Após alguns minutos de caminhada cuidadosa pelas ruas, CJ chega à Grove Street. Ele se senta no sofá de sua casa e respira fundo. Naqueles dias de volta à Los Santos, ele nunca havia passado um perigo de morte tão grande quanto esse que acabara de passar com a máfia russa. Aqueles caras eram os mais perigosos da cidade. Membros de gangues de rua não eram nada perto dos soviéticos. CJ agora sabia com quem não se meter. 

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