quarta-feira, 9 de março de 2016

San Andreas - Parte 13


O dia se inicia logo cedo para CJ. Ele acorda e vai até a casa de seu irmão para tomar café da manhã, mas ao entrar lá, não encontra ninguém.

Sweet? Smoke? Porra, cadê os manos? Pra onde eles foram? Que merda! – CJ dizia para si mesmo enquanto andava pela casa, mas, ao voltar para a rua, recebe uma ligação – Alô?

Carl! Sem tempo para bater papo! Fui visto com uma mina da Seville Families! A parada se espalhou pelas ruas e os caras não gostaram! Eu estou preso no bairro da Seville e a gente precisa de um carro aqui, rápido! – Sweet gritava enquanto se escondia com sua namorada em um condomínio de apartamentos em Playa Del Seville, bairro da Seville Boulevard Families.

Eu estava procurando por você mesmo, Sweet! Pode crer, mano! Se segura aí! Fica preparado para vazar quando eu chegar, beleza? – CJ responde.

Pode crer, negão! Vou estar pronto! Se precisar, passa no Emmet pra pegar algum ferro! – Sweet, desesperado, não se lembra que a Grove já possuía um ótimo armamento.

Sweet havia saído na madrugada anterior para ir até o apartamento de Patricia, uma jovem morena de vinte anos, que era afiliada à Seville Boulevard Families, com quem os Groves não possuíam mais um bom relacionamento, as duas gangues já pouco se respeitavam. Se algum membro de uma fosse visto saindo com membros da outra, não seria perdoado. Patricia era namorada de Sweet havia alguns meses, mas era um relacionamento às escondidas. Naquela manhã, o Grove foi visto pela janela do apartamento dela em Playa Del Seville e vários membros da Seville cercaram o prédio para matá-lo. CJ rapidamente chama Troy e os dois vão em um carro, fortemente armados, até o bairro em que Sweet estava. Em frente ao pequeno prédio de Patricia, havia alguns Sevilles atirando. CJ entra na rua em alta velocidade e passa por cima de dois, com Troy fazendo um drive-by nos membros restantes. Antes de morrerem, os Sevilles atiraram de volta deixando o pneu do carro de CJ vazio. CJ deixa o carro em uma quadra de basquete que havia na rua e vai para a frente do prédio com Troy para finalizar os que ainda estavam vivos e resgatar Sweet. Logo CJ recebe outra ligação de Sweet, que via o irmão pela varanda do condomínio.

Esse é o meu irmão! Liga o carro e a gente te encontra aí na frente! – Sweet diz empolgado e joga a chave do carro.

CJ pega a chave na rua e entra no carro de Sweet, que estava estacionado ao frente ao prédio. Ele liga o motor e Sweet e Patrícia descem as escadas do prédio correndo. Assim que entram no carro, dois carros surgem na rua em alta velocidade. Eram mais Sevilles.

A Seville Families está na nossa cola, negão! – Sweet grita, fazendo CJ acelerar com toda a força e já despistar os carros algumas ruas depois – A Seville foi longe demais, eles estão querendo começar uma guerra!

O bagulho está louco, mano! A gente tem que unir as Families de novo! Verde contra verde não é o jeito que as Families deveriam atuar... – CJ diz enquanto dirige – Para aonde a gente vai agora?

Ela pode ficar no nosso bairro enquanto esses otários da Seville se acalmam... – Sweet diz – Só para deixar as coisas claras, não teremos mais nada daqui em diante, baby...

Mas e ontem à noite? – Patricia reclama – O que foi aquele “Garota, você é especial...” e aquele “Você sabe que eu te amo, garota...”?

Mas isso é verdade. O fato é que não vai dar para rolar sinos de casamento por enquanto, é isso... – Sweet se esquiva.

A gente vai conversar sobre isso em particular, Sweet Johnson... – Patricia diz.

Você está fodido agora, Sweet... – CJ ri.

Olha a pista aí, filho da puta! – Sweet também ri – Eu não dirijo tão mal quanto o CJ, baby. Ela tem uma irmã, CJ, quer o número?

CJ nega e chega à Grove Street. Todos saem rapidamente do carro.

Te vejo lá dentro, baby! – Sweet dá um tapa na bunda de sua namorada, que entra em sua casa, e abraça CJ como forma de agradecimento – Cara, essa parada está matando as Families! Você foi bem hoje!

Eu sou um Johnson! – CJ responde.

Aí, eu tenho umas paradas para resolver. Parada amorosa... – Sweet diz e também entra em sua casa.

Após algumas horas em casa, CJ vê da janela o carro de Kendl chegando à Grove Street. Ela vai direto para a casa de Sweet com uma cara de pouquíssimos amigos. Quando CJ entra na casa do irmão, vê Kendl em um quarto em que ficavam coisas de toda a família, onde estava arrumando uma mala. Ela e Sweet estavam brigando.

Eu estou cansado de você não me ouvir, garota! – Sweet diz.

E eu estou cansada de você agir como se fosse meu dono! – Kendl rebate – Eu posso ver quem eu quiser ver!

Não é certo você namorar um desses cholos filhos da puta! – Sweet se refere ao namorado de sua irmã.

Ah! Um gangster hipócrita e cabeça vazia me dizendo o que é certo e o que é errado... – Kendl ironiza – Deixa eu adivinhar, Sweet. Matar sem motivo por aí é certo, mas ter um namorado do sul da cidade é errado!?

Algumas coisas só não devem acontecer! E se vocês tiverem filhos? Leroy Hernandez? Isso não fica bom, garota! – Sweet se mostra racista.

O nome dele não é Hernandez! – Kendl diz.

Leroy Lopez, então! – Sweet insiste.

Nem Lopez, seu racista de merda! – Kendl grita – Não foi assim que a mamãe criou a gente!

Eu não sou racista! Eu só sei o jeito que eles enxergam você! Olha para você! Você se veste feito uma puta! – Sweet apela.

Ah! Eu tenho certeza que vocês dois sabem muito bem como uma puta se veste, né? – Kendl diz quando vê CJ se aproximando.

Você diz como se isso fosse ruim... – CJ ri.

Cala a boca, Carl! – Kendl e Sweet dizem juntos.

Só estou tentando te proteger! – Sweet diz para sua irmã.

Pra que? Para eu namorar um desses seus amigos imbecis? Eu acho que não! – Kendl diz e vai embora com sua mala.

Não diz nada, Carl. Vai atrás da sua irmã antes que você tenha outro parente morto. Aí você vai ver exatamente porque eu fico puto assim. Ela está se encontrando com um cholo de um clube de carros... – Sweet diz.


Antes de deixar a Grove Street, Kendl diz que iria para a Unity Station encontrar Cesar, seu namorado. CJ iria com ela para conhecer o mexicano, mas Sweet o chama de volta para sua casa e diz para seu irmão ir até Willowfield em uma loja mexicana de personalização de carros chamada Loco Low Corporation, especializada em low-riders, carros rebaixados e com suspensões especiais. Os mexicanos daquele ramo só aceitavam conversar com quem entendesse do assunto, seria essencial um Grove chegar pelo menos com um low-rider nos bairros do sul. CJ então segue para o endereço da loja e é recepcionado por um mexicano chamado Paco. Ele sai de uma garagem com um Savanna rebaixado, mostrando a suspensão que fazia o carro praticamente pular. Ele sai do carro e fala com CJ:

Você deve ser o irmão do Sweet, né? Ele ligou para cá, falou que você estava procurando por um carro que pulasse. Eu devo umas paradas a ele há muito tempo, então leva esse aqui, deve dar para o gasto...

CJ entra no carro e começa a testar a suspensão do Savanna. Ele não demora muito a pegar o jeito da coisa. Paco se impressiona:

As vagabundas que adoram customização deveriam ver você pulando por aí. Isso é muito popular com os eses, eles competem com esses carros. Você pode achar eles na Unity Station. Se quiser modificar seu carro, apareça aí qualquer hora, cara!

CJ decide comprar uma pintura especial para o Savanna. Ele entra na loja e vê os funcionários colando adesivos e pintando a lataria do carro, deixando-o com um desenho de labaredas de fogo. Após o término do serviço, CJ segue até a Unity Station em El Corona, bairro dos Varrios Los Aztecas. Estava acontecendo um encontro de low-riders, com muitos carros e muita música. Os carros pulavam no ritmo das músicas, “dançando” com as batidas. Era lá que CJ encontraria o namorado de sua irmã.

Cesar Vialpando tinha vinte e nove anos, era americano, mas com ascendência mexicana. Era um latino de cabeça raspada e barbicha, várias tatuagens, assim como a maioria dos outros membros da Varrios Los Aztecas, gangue que fazia parte e era um dos líderes. Ele começou a namorar Kendl Johnson em 1990, quando a Grove Street Families começava a perder espaço na cidade. Beverly, mãe de Kendl, sempre apoiou a filha, mas Sweet nunca viu com bons olhos aquela relação, chegando ao ápice de declarações racistas naquela tarde.

Assim que CJ chega à Unity Station, vê vários mexicanos o encarando. Um deles sai do carro e se aproxima do carro do Grove:

Você está aqui para competir, mano?

CJ mostra duzentos dólares para o Varrio. Aquele seria o valor da aposta. O mexicano volta para seu carro e o coloca de frente para o carro de CJ. Uma latina entra no carro do Grove e fica sentada em cima do banco, já que o carro era conversível. O DJ, em uma picape, põe a música “Odyssey”, de Johnny Harris, como trilha sonora para o desafio. CJ respira fundo e começa a fazer seu carro novo dançar no swing empolgante. Todos os mexicanos do local começam a se olhar confusos. Era realmente um Grove fazendo aquilo? CJ simplesmente deu uma aula de bouncing, que era como todos chamavam o desafio. Ao final da música, o mexicano desafiante diz de seu carro:

Você é muito bom para um iniciante...

CJ se sente orgulhoso. É quando Kendl aparece do nada e dá um abraço no irmão enquanto ele saia de seu carro:

Você foi demais! Aaaah! – Kendl grita – Desde quando meu irmão é um lowrider?

Desde que o Sweet me falou para ficar de olho em você, ver com quem você está namorando para que você não tenha problemas... – CJ ri.

Que honda? Boa dança, mano... – Cesar se aproxima e cumprimenta CJ.

Bom, você está vendo que não estou na mão de qualquer um... – Kendl abraça Cesar.

Vem cá, garotinha... – Cesar beija sua namorada.

Ei, tira suas mãos sujas da minha irmã! – CJ empurra Cesar ao ver a cena.

Carl, qual é o seu problema!? – Kendl separa o irmão da briga.

Mano, você está agindo como se ela fosse sua mulher! Ela está comigo, cabron. Então relaxa aí, caralho. Eu trato ela bem... – Cesar diz.

Olha, amor, não começa com essas merdas. Não deixa as coisas piores, ok? – Kendl reclama com Cesar.

Alguns Varrios se aproximam da briga. Eles eram liderados por Jose, aquele que há alguns meses estava em San Fierro apanhando de T-Bone Mendez.

Horale, vato! Quem é esse pendejo? – Jose pergunta a Cesar.

Como é que é? Idiota? Esse idiota é o meu irmão! – Kendl fica irritada.

Calma, mano. Ele não é de qualquer lugar. Ele é de boa... – Cesar responde ao seu líder.

Eu digo que ele não é de boa, mano... – Jose diz olhando nos olhos de CJ – Eu digo que ele acha que é gangster, cara, e eu não gosto disso. Então sabe o que você pode fazer por mim, cara? Você pode ir se foder, pendejo, e aí talvez a gente fique de boa!

Não, vai se foder você! Eu estou falando com a minha irmã! – CJ responde.

Carl! – Kendl se desespera e segura o irmão.

Jose, qual é, mano, eu resolvo isso. Isso é importante para mim! – Cesar diz.

Horale, pendejo. Você tem sorte. Beleza, você tem sorte de ter Cesar falando por você... – Jose diz a CJ – Vamanos, muchachos. Vamos beber uma porra de uma cerveja por aí. Estou com sede...

Carl, que merda você tem na cabeça!? – Kendl se irrita quando os Varrios vão embora.

Amor, vai para o carro, ok? Eu falo com o Carl... – Cesar pede a Kendl, que obedece, então o Varrio fica livre para conversar com o Grove – Olha só, mano, eu amo sua irmã. Eu respeito ela, ela é minha mina de fé. Foi por causa dela que eu não deixei você ser surrado agora. Se você tem problema comigo, tudo bem, a gente não precisa ser amigos.  Mas a Kendl está feliz comigo, carnal.

...Beleza, acho que estamos de boa. Por enquanto... – CJ, depois de uma pequena pausa, cede e cumprimenta Cesar.

 – Cesar Vialpando... – Cesar se apresenta.

Carl Johnson, CJ... – CJ também se apresenta.

Cabron, você tem um carro maneiro aí, mano! – Cesar vê o low-rider de CJ – Talvez a gente possa dar umas puladas com ele por aí juntos, hein!

É, talvez... – CJ diz.

Cesar volta para o seu carro e segue para sua casa, onde morava com Kendl. CJ volta para a Grove Street. Decide não falar com Sweet sobre o que havia acontecido. Cesar Vialpando não era o tipo de cara que seria péssimo ter como cunhado. Ele apenas era de uma gangue diferente, mas tinha caráter. Demoraria até Sweet entender aquilo. 

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