terça-feira, 15 de março de 2016

San Andreas - Parte 14


Alguns dias se passam e algo desagradável acontece para CJ: ele recebe uma ligação de Tenpenny. Havia tempo que os dois não se falavam, dando uma falsa sensação de liberdade ao Grove, mas aquilo mudaria daquele dia em diante.

Qual foi? – CJ atende ao telefone.

Não tente vir com esse papo de gueto para cima de mim, garoto! – Tenpenny diz.

Oficial Tenpenny!? Como você conseguiu meu número? – CJ se surpreende.

Meios e fins, seu merda. Você está tentando me evitar? – Tenpenny pergunta.

Não, senhor. Só estive ocupado. É só isso... – CJ ironiza.

Você não está ocupado se não estiver fazendo coisas para nós, você está me entendendo? – Tenpenny se irrita.

Sim. Em alto e bom som... – CJ diz.

Bom saber, Carl. Venha até a loja de rosquinhas na rua principal de Market, a gente precisa conversar... – Tenpenny diz e desliga.

Por mais que CJ não respeitasse a CRASH, ele sabia da força da instituição. Obedecer era o melhor a se fazer naquele momento. Então, às dez da manhã, ele vai até a Jim’s Sticky Ring, a maior loja de rosquinhas da cidade, no bairro de Market, comumente frequentada por policiais em seus momentos de descanso. CJ entra na loja, vê Tenpenny, Pulaski e Hernandez sentados a uma mesa.

Ei! Carl Johnson! CJ! – Tenpenny propositalmente grita quando vê o Grove entrando, apenas para deixá-lo constrangido.

Que merda... – CJ se irrita.

Vem aqui, filho! – Tenpenny continua gritando.

CJ se aproxima da mesa, mas Hernandez estava sentado no banco mais próximo ao corredor, o que irritou o superior.

 – Sai daí, deixa ele sentar, cuzão! – Tenpenny diz a Hernandez, que se afasta e dá seu lugar ao Grove – Então você achou tempo para aparecer...

Cara, eu tenho estado ocupado. Estou enterrando minha mãe, cara! – CJ diz.

Parece uma desculpa de merda para mim... – Pulaski diz.

O oficial Pulaski acha que você está tentando ferrar a gente, Carl... – Tenpenny diz – Mas vê se entende: nós mandamos em você. Você é nosso. A gente pode cagar na sua cabeça de tão alto que você achar que é Deus cagando em você. Entendeu?

É melhor que ele tenha entendido essa porra! – Pulaski diz.

É, é melhor mesmo. Mas agora é hora de trabalhar, CJ, e conquistar sua liberdade. Tem um cara aí entocado do outro lado da cidade, você tem o endereço dele, Pulaski? – Tenpenny completa enquanto Pulaski dá um papel com um endereço para CJ – Outro viado gangster, drogado e matador de policial, assim como você. A gente não gosta dele e ele não gosta da gente. Agora você vai lá para ter certeza de que ele nunca mais vai sair do bairro dele, nem em caixão. Agora some daqui, caralho!

CJ deixa Market com um papel que continha um endereço de uma casa entre Los Flores e Las Colinas, área dos Vagos, e outro endereço de uma escadaria no centro, ali perto. Primeiro ele vai até essa escadaria e lá vê um saco preto escondido atrás de uma lata de lixo. Logo deduz que aquilo era para ele. Quando CJ abre, vê cinco coqueteis molotovs prontos para uso. Ele entendeu o recado. A CRASH queria a casa do endereço completamente em chamas.

CJ se aproxima da casa. Era uma casa de dois andares com paredes azuis, duas chaminés, várias grandes janelas e portas vermelhas. Em frente à casa, havia alguns Vagos fazendo segurança para o dono da casa, que era um dos líderes da gangue, chamado Simón. Eles mexiam no motor de um carro quando CJ faz um drive-by com uma submetralhadora que levava em seu carro. Ambos são atingidos e caem. CJ rapidamente sai do carro, finaliza os Vagos e acende os panos dos molotovs. Começa a jogar em todas as janelas, quebrando os vidros e incendiando a casa instantaneamente. Era uma missão arriscadíssima, pois com certeza em alguns minutos mais Vagos do bairro chegariam para um contra-ataque. CJ estava sozinho, portanto tinha que ser rápido. De dentro da casa, um homem sai gritando com o corpo em chamas, mas não consegue ir muito longe. Era Simón. Ele cai e morre carbonizado.

Quando CJ voltava para seu carro, algo chama sua atenção. No segundo andar do prédio, uma garota negra aparece em uma das janelas desesperada:

Liguem para o 911! Socorro!

CJ já havia visto a garota em seu bairro, ela era uma associada da Grove Street Families. Seu nome era Denise Robinson, de vinte anos de idade. Ela morava em Ganton, mas se aventurava por bairros de várias gangues diferentes vendendo seu corpo na prostituição. CJ não poderia deixar uma Grove em uma casa em chamas, mesmo com o risco de ter que enfrentar mais Vagos, então entra na casa para resgatar Denise. Na cozinha, ele acha um pequeno extintor de incêndio, que usa para subir as escadas da casa, que estavam em chamas.

Se afasta! – CJ grita.

Apaga! Apaga! – Denise estava desesperada – Meu Deus, estou com muito medo!

Uma parte do piso do quarto ao lado desaba, fazendo um grande barulho, o que assusta Denise ainda mais:

Meu Deus, o que foi isso!?

A casa está começando a desabar! A gente tem que vazar daqui, rápido! – CJ diz e desce as escadas segurando as mãos de Denise.

Rápido! Apaga! Apaga! – Denise continuava gritando.

Ao saírem da casa, CJ e Denise rapidamente entram no carro. Ao saírem do bairro, Denise finalmente se acalma e dá um beijo na boca de CJ.

Cara, eu te devo a minha vida! Eu quase morri ali! – Denise sorri.

Você parece estar em estado de choque, mina. Quer que eu te deixe em casa? – CJ pergunta.

Sim, por favor. Obrigada! – Denise diz.

Onde você mora? – CJ pergunta.

Perto da Grove Street... – Denise responde.

Sério? E o que você estava fazendo em um bairro dos Vagos? – CJ pergunta.

Gosto de viver perigosamente... – Denise ri – Você é o CJ, né?

Sim, como você sabe meu nome? – CJ pergunta.

Todo mundo na Grove sabe quem você e o seu irmão são. Eu achei que você tinha fugido... – Denise diz.

Eu nunca fugi de nada, ok? Só precisei me afastar de algumas paradas... – CJ se esquiva.

Minha casa é aqui... – Denise diz ao chegar à rua de sua casa.

Qual é o seu nome? – CJ pergunta.

Denise. Denise Robinson... – Denise sai do carro – Me liga. A gente pode sair ou fazer algo a mais…

Beleza... – CJ responde.

Então até mais, CJ! – Denise se despede e entra em sua casa.

CJ volta para sua casa pensando que se envolver com Denise não era nada apropriado, afinal provavelmente ela era uma prostituta, mas que sair com ela algumas vezes poderia ser divertido, afinal seria algo que ele não fazia com as outras prostitutas do bairro. Mas antes de chegar em casa, ele recebe outra ligação. Dessa vez era Cesar.

Alô. Quem é? – CJ já pergunta.

E aí, mano? É Cesar Vialpando, cabron. Que honda? – Cesar diz.

Você tem visto Kendl? – CJ pergunta.

Sim, ela está aqui. Pero, mira, estou te ligando para dizer que você manda bem no volante. Você gosta de carros, né? – Cesar pergunta.

Sim, eu acho. Aonde você quer chegar? – CJ pergunta.

Você quer faturar alguma coisa, um dinheirinho? – Cesar pergunta.

Fazer o papa cagar no mato? – CJ ri.

Eu não sei, mas se você quiser fazer um extra, tem muito dinheiro para se ganhar nas corridas... – Cesar diz.

Você está falando de rachas! Pode crer! – CJ se anima.

Sem latas velhas, mano. Só low-riders! – Cesar alerta – E dos bons! Tem que ser bom, senão você nem entra.

Ok, estou dentro. Quando e onde? – CJ pergunta.

Chega aqui na minha casa em El Corona. Vou te levar ao encontro, falar por você. Esses caras... Esses caras às vezes ficam bem nervosos com novatos... – Cesar diz.

CJ recebe o endereço de Cesar e vai até sua garagem para pegar o low-rider que possuía. Ele vai até a casa do Azteca, uma casa como todas as outras de El Corona, modesta e com uma garagem ao lado. Ele vê Cesar e Kendl em um carro na garagem já prontos para saírem.

CJ! Você conseguiu chegar! – Cesar diz.

Qual é a parada? – CJ se aproxima do carro.

Ei, Carl! – Kendl diz.

Ei, mana… – CJ responde.

Bom carro, cara. Isso aí não é carrucha... – Cesar diz ao ver o Savanna de CJ – Tem certeza de que quer arriscar essa belezinha?

Sim, tenho certeza. De quanto eles estão falando? – CJ pergunta.

É dinheiro de verdade ou o seu bebezinho roda. Con Safos, respeito! – Cesar avisa – Você entra na corrida, o primeiro que passar nos postos vence, con chota, sin chota. Polícia não atrapalha!

Ok, pode crer, fechado... – CJ diz.

Mas cuidado, CJ. Esses caras não gostam de perder, hein... – Cesar diz enquanto liga seu carro.

Eu também não... – CJ ri.

Me siga até a corrida, cara... – Cesar acelera.

CJ volta para seu carro e segue Cesar até Commerce, onde vários low-riders já estavam na rua, prontos para iniciarem a corrida. Cesar chega primeiro e acena para o organizador do racha, que também era um dos Varrios Los Aztecas. Cesar aponta para o carro de CJ e faz um sinal de positivo com a mão, que é retribuído pelo mexicano ao ver o Savanna. Cesar olha para CJ e diz que a corrida iria começar.

A corrida se inicia e logo CJ percebe que os corredores eram sujos, jogavam seus carros para cima dos outros. Pelas esquinas, havia placas provisórias indicando o caminho a seguir para os competidores. A corrida dura dez minutos, passa por toda a costa oeste da cidade, até chegar ao seu fim no Yatch Harbor, um píer em Santa Maria Beach. CJ chega em terceiro lugar, mas não perde seu carro, afinal apenas os dois últimos tinham que pagar. Cesar terminou em segundo, perdendo para um asiático estranho de terno e óculos escuros no meio dos mexicanos. Quando CJ chegou ao fim, Cesar e Kendl já o aguardavam. Cesar fica satisfeito com o desempenho do novato e entrega mil dólares a CJ como prêmio pela colocação.


A noite chega e traz mais CRASH para a vida de CJ. Ele recebe uma ligação de Hernandez, que ordena o comparecimento novamente ao Jim’s Sticky Ring, mesmo local que CJ já havia estado mais cedo. CJ vai até lá e é surpreendido antes mesmo de entrar, pois Pulaski, Hernandez e Tenpenny saíam.

Carl! – Pulaski grita e agarra CJ pela camisa – Aonde você vai?

Que merda... – CJ suspira.

Está querendo fugir para onde, Carl? Achei que fossemos amigos... – Tenpenny diz.

É, pode ser... – CJ desdenha.

Como um policial encarregado de dar fim à guerra de gangues, eu me encontro em uma difícil posição moral, Carl... – Tenpenny diz.

Ah, tá... – CJ ri.

Carl, eu estou magoado! Estou mesmo! – Tenpenny finge choro – E logo agora que eu iria ajudar esses pobres garotos da Grove Street...

Ah é? E como? – CJ pergunta.

Eu gosto do status quo, Carl, de como as coisas estão. Gosto de ter vocês, idiotas, fazendo meu trabalho para mim, explodindo as tripas uns dos outros no meio da rua... – Tenpenny diz.

Idiotas? – CJ se irrita.

Agora, se me chama atenção o fato de que uma tribo está com uma injusta vantagem sobre a outra, isso realmente me traz problemas, Carl... – Tenpenny diz.

Do que você está falando, cara? – CJ está irritado.

Estou falando sobre os Ballas terem cérebro, Carl. Eles assistem o jornal. Estou falando sobre eles fazendo amizades, acordos e se preparando para coisas maiores do que um drive-by com alguns otários no carro... – Tenpenny esclarece – Muita arma barata veio para os Estados Unidos com a queda do muro, Carl.

Cara, corta essa merda, Tenpenny! Diz logo o que você quer dizer, cara! – CJ grita.

Vai dar uma olhada em um armazém comercial movimentado lá no porto que você vai ver o que eu quero dizer, Carl... – Tenpenny entra em sua viatura.

Ok... – CJ diz.

Vocês que se virem agora! – Pulaski diz e acelera a viatura.

Pode crer... – CJ entra em seu carro.

O destino daquela noite quente seria Ocean Docks, que estava recebendo os Ballas para fechar negócios com os moradores da região: os russos. Desde o último envolvimento com os russos acompanhado de Big Smoke, CJ soube que eles eram a máfia mais pesada da cidade, tendo bom armamento e bons soldados. Era necessário passar na Grove e chamar alguns membros para ir resolver o que Tenpenny queria, o que também era de grande importância para a Grove: desmontar a organização dos Ballas. Mas para isso, CJ tem uma ideia: usar roxo para se passar por Ballas indo ao acordo. Os russos eram isolados, não conheciam muito bem gangues afro-americanas da cidade, portanto qualquer negro poderia se passar por membro de qualquer gangue.

CJ vai com seus parceiros até os armazéns do porto e logo de cara vê um deles que estava com uma movimentação estranha no pátio para o horário. Vários carros e motos entravam em contêineres, algo comum ali. Mas CJ vê que havia seguranças armados entrando em um dos armazéns do local. Provavelmente seria lá que estariam os Ballas, pois havia carros típicos da gangue estacionados lá dentro.  CJ entra e se identifica como Balla para os seguranças, que o deixa entrar. Todos os cinco Groves disfarçados saem do carro e vão para o armazém movimentado. Eles são levados até um escritório, onde havia quatro Ballas negociando submetralhadoras e fuzis russos com um homem chamado Andre, um russo loiro, vestido com um terno, de cinquenta e quatro anos de idade.

Assim que entram na sala, os Groves rendem e matam os dois seguranças que os acompanhavam e atiram nos Ballas por trás com pistolas com silenciador, para não chamar atenção dos inúmeros russos ali. Andre fica paralisado, sem poder pegar seu fuzil em cima da mesa:

Parem! Nós podemos fazer negócios! Fazer negócios na América é perigoso!

CJ olha por alguns segundos para o russo e pergunta qual era o papel dele na máfia. Andre responde que era apenas um traficante de armas, não era ligado aos chefes dos russos de San Andreas. Aquela definitivamente foi uma resposta errada. Já que ele era inútil, CJ ordena a execução de Andre, que antes de morrer com um tiro na cabeça, grita:

– Vai se foder, americano! Para mim, chega!

Nenhum russo do armazém ouviu gritos nem disparos. Portanto, os Groves de roxo saíram tranquilamente do local no carro em que chegaram. Apenas quando eles estavam chegando à Grove Street que os russos perceberam os vários corpos naquele escritório, mas não tinham ideia de que os responsáveis por aquilo eram Groves. Eles só viram uma cor naquela noite ali: roxo. E roxo significava Ballas. O plano de CJ foi executado brilhantemente.

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