sexta-feira, 20 de maio de 2016

San Andreas - Parte 21


Naquela mesma noite, CJ recebe uma ligação de quem não demoraria muito para aparecer: Tenpenny.

Carl, como vai San Fierro? – Tenpenny é sarcástico.

Fodida. Posso honestamente dizer que eu queria que você estivesse aqui... – CJ diz.

Ótimo. Você está com o presente para aquele amigo meu, certo? Sabe, aquele que tenta fazer eu e o Oficial Pulaski termos problemas? – Tenpenny se refere à maconha de Truth e ao promotor de justiça que tentava arruinar a CRASH.

Sim... – CJ responde.

Por que você não coloca tudo no carro dele e liga para o We Tip? – Tenpenny se refere a uma espécie de “disque-denúncia” americano.

Ei, seu filho da puta, o código das ruas diz para ninguém ser dedo-duro! – CJ inocentemente diz – Foda-se se isso vai matar eu, você, meu irmão! Manos da rua não ligam para a polícia!

Carl, ele é um promotor de justiça! – Tenpenny ri.

Ah é? – CJ repensa – E onde eu encontro ele?

Ele está no Vank Hoff Hotel, em Financial... – Tenpenny diz.

Pode crer! – CJ desliga.

CJ vai rapidamente até o hotel de luxo no bairro de Financial, que, como o nome diz, é o centro financeiro da cidade, com os maiores prédios comerciais da região. O hotel era um imenso prédio antigo com um estacionamento subterrâneo ao lado. CJ percebe o trabalho de manobristas uniformizados do hotel. Seria com eles que a informação sobre o promotor iria aparecer e com o uniforme deles que CJ colocaria a maconha no carro-alvo.

CJ se aproxima do hotel e entra no estacionamento subterrâneo, deixando seu carro em uma vaga. Lá dentro, ele vê um dos manobristas estacionando um carro de cliente, então CJ chama o trabalhador fingindo precisar de uma informação e o ataca, o levando para as escadas de emergência. Lá, CJ até pensa em matar o rapaz, mas apenas o deixa inconsciente suspendendo sua respiração, aquilo faria o manobrista ficar apagado enquanto CJ trabalhava por ele.

Os manobristas da frente do hotel recebem um novo colega de trabalho, que não conheciam.

Ah, você deve ser o novato. Entre na fila... – um dos manobristas diz a CJ.

CJ aproveita para perguntar sobre um promotor de justiça que chegaria ao hotel naquela noite. Os manobristas já conheciam o sujeito, era Mark Lionel, que sempre se hospedava ali quando estava na cidade. Ele tinha um Merit azul. Era isso que CJ precisava saber. Vários carros chegavam e os manobristas pegavam para ganharem suas gorjetas, e CJ esperava apenas um carro. Após vinte minutos, o Merit azul chegou. Mark saiu do carro e pediu para que CJ, o único manobrista disponível na entrada do hotel no momento, cuidasse dele. CJ sorriu. Ele entrou no carro do promotor, esperou ele subir no elevador para sua suíte e foi direção à garagem em Doherty. CJ poderia ter levado a maconha no porta-malas de seu carro, mas se ele fosse parado pela polícia, ele pegaria décadas de cadeia por tráfico, e não seria esse o destino de um Grove. CJ chegou a sua garagem e lotou o porta-malas do Merit de Mark Lionel de maconha de The Truth. Quase não cabia tudo ali. CJ levou o carro de volta com todo o cuidado do mundo para que nada fosse notado. Ele estacionou em uma vaga bem visível e trocou de roupa na mesma escadaria onde o manobrista atacado ainda estava desmaiado. CJ pegou sua roupa e deixou o uniforme do hotel ao lado do rapaz. Ele saiu pela porta da frente do hotel, onde não havia manobristas no momento e foi para o outro lado da rua. Após alguns minutos, sentado em um banco, CJ ligou para o We Tip:

Alô, é do We Tip? Eu vi uma coisa muito suspeita, acho melhor vocês estarem aqui para averiguar!

CJ passou o endereço e o suspeito: Mark Lionel. Após alguns minutos, Mark sairia do hotel com seu carro, provavelmente para ir atrás de companhia para a noite. Ele pede aos manobristas para buscarem o carro e deixá-lo em frente ao hotel. Mas quando ele passa pela porta para entrar em seu Merit, a polícia invade o local.

Parado! Não se mexe! Saia do carro com as mãos para cima! – um policial grita para Mark.

Vocês sabem com quem estão mexendo, caralho? Vou demitir vocês, seus palhaços! – Mark se irrita, mas levanta as mãos e é revistado.

Cala a boca! – o policial bate a cabeça de Mark no capô do carro e pergunta ao colega que olhava o porta-malas – Achou alguma coisa aí?

Se eu achei alguma coisa? Ele tem metade do México aqui! – o policial ironiza – Deve ter duas toneladas de maconha aqui!

O que!? Mas eu nunca vi isso! Como pode!? – Mark grita e é totalmente imobilizado pelo policial, tomando um tapa na cara.

Baita defesa você tem ali, amigão! – o policial ri.

Mark é colocado dentro de uma viatura e é levado para a delegacia. Ele pegaria muitos e muitos anos de prisão por tráfico e não atrapalharia as operações da CRASH nunca mais, mesmo tendo certeza de que havia sido vítima de um golpe dos corruptos, mas não havia nada que ele poderia fazer.

Na manhã seguinte, tudo parecia tranquilo. Jethro e Dwaine limpavam o carro de Cesar, que mexia no motor.

E aí, manos! – CJ acorda e cumprimenta a todos.

E aí, Carl! – Cesar diz.

Que porra está acontecendo!? – Kendl entra na garagem muito nervosa – Eu pareço uma prostituta para vocês?

O que!? – CJ não entende.

Aqueles babacas ficam dizendo essa merda para mim! – Kendl reclama.

Quem falou isso para você? – Cesar se enfurece.

Os pedreiros da obra aqui de cima! – Kendl diz.

Eu vou foder esses caras! – Cesar já ia saindo, mas é segurado por CJ.

Não, calma aí, deixa comigo. Eu preciso ir e ensinar a eles um pouco de respeito... – CJ diz.

Isso aí! – Cesar concorda.

Pode crer! E eu também estou pensando em arrumar uns terrenos novos, inclusive... – CJ diz.

CJ pega uma arma, coloca na cintura e vai até a construção atrás da garagem, em um terreno aberto que havia sido devastado pelo terremoto que havia atingido a cidade. A Final Build Construction, construtora rival da Avery Construction, construtora de Avery Carrington, desde Vice City nos anos oitenta, havia assumido a revitalização do local, instalando vários escritórios improvisados, tratores, caminhões e até um imenso guindaste fixo. Naquela manhã, os trabalhadores estavam descansando quando Kendl passou por eles e foi ofendida. Poucos minutos depois, CJ se vingaria.

Um dos tratores estava parado com a chave na ignição. Os trabalhadores estavam todos dentro dos escritórios. CJ teve uma ideia. Ele passaria com o trator por cima dos escritórios. Em menos de um minuto, as paredes finas de madeira que protegiam os trabalhadores eram derrubadas por CJ, destruindo tudo pela frente, inclusive matando alguns pedreiros esmagados. Enquanto tudo acontecia, o encarregado da construção estava em um banheiro químico.

Que barulheira é essa!? – ele se pergunta ao dar descarga.

Quando o encarregado sai e vê o que parecia ser resultado de um novo terremoto no local, ele volta para o banheiro:

Minha nossa! Eu não vi nada!

CJ tem outra ideia quando vê o encarregado covarde voltando para o banheiro. Havia um buraco no meio da construção feito para os canos de esgoto serem instalados. CJ avança com o trator sobre o banheiro químico, que estava ao lado do buraco, e joga o encarregado lá embaixo.

Meu Deus, não! Ah, eu vou vomitar! Minha roupa! Está arruinada! Que fedor! – o encarregado grita desesperadamente ao sentir todos os dejetos armazenados na cabine caírem sobre ele.

Num ataque de insanidade, CJ vai até o caminhão de cimento que estava no terreno e posiciona o tanque direto para o buraco. Ele aciona a alavanca e o cimento começa a encher o buraco com o encarregado dentro. CJ simplesmente enterrou o homem vivo sob cimento. O recado havia sido dado e era pouquíssimo provável que alguém chamasse a polícia ou mexesse novamente com os moradores da nova garagem ao lado.


Zero entra em contato com CJ. Ele não era o tipo de funcionário que estava sempre na garagem, até porque tinha sua loja. Foi de lá que ele ligou e era a loja o assunto da vez.

Desculpa, Carl. Você está ocupado? – Zero pergunta.

Zero? Não, cara. Bom te ouvir. Qual foi? – CJ diz.

Um desastre! O locador está vendendo a loja! Eu não vou ter onde morar e não vou ter segurança contra o Berkley! – Zero se desespera.

Ah, eu estava procurando investir em alguma propriedade no momento. Talvez eu passe aí... – CJ diz.

Após pedir a opinião de sua irmã e de Cesar, CJ vai até a Zero RC e conversa com o proprietário do imóvel, que havia vendido apenas quarenta por cento do lucro para o funcionário de CJ. Se o proprietário vendesse os sessenta por cento da outra parte significaria para Zero praticamente perder a loja ou ter que aceitar um outro tipo de comercio ali. CJ compra os sessenta por cento da loja e acaba com todas as possibilidades de Zero ficar sem loja e sem moradia. Naquela noite, Zero liga para CJ novamente.

Alô? – CJ atende.

Carl, é o Zero! – Zero responde empolgado.

Ah, e aí , Zee! Você não estava na loja quando eu assinei a papelada... – CJ diz.

– Sim, eu sei. Eu estava em uma perigosa missão de reconhecimento, bem dentro do território inimigo... – Zero diz.

Ah, beleza, claro. Se você diz... – CJ não dá muita moral – Eu vou dar uma passada aí depois para dar uma olhada nos negócios, saca?

Claro, claro. Eu tenho que dar uma arrumada, o lugar está uma bagunça... – Zero diz.

Não se preocupa. Passo aí depois! – CJ desliga.

No dia seguinte, CJ vai visitar seu novo comércio e seu novo sócio. Zero estava arrumando alguns bonecos no balcão. A loja estava vazia.

E aí, qual foi, Zee? – CJ diz.

Nada foi, Carl. Só a minha pressão sanguínea para os ares, e o colapso iminente das minhas esperanças e meus sonhos... – Zero estava bem para baixo.

Por que? – CJ pergunta.

Como sempre as forças do mal triunfaram sobre o bem. A vida não é nada além de miséria, levemente misturada a agonia... – Zero continuava.

Mano, o que você tomou? Seja o que for, é melhor você reduzir a dose... – CJ ri.

Me desculpe, mas eu nunca uso drogas! – Zero se incomoda – Todo mundo sabe que drogas são para perdedores e/ou maníacos sexuais. E agora sexo é a última coisa na minha cabeça!

Graças a Deus! – CJ diz.

O Berkley voltou! – Zero se desespera.

Aaah, o Berkley... – CJ finge interesse.

Sim! – Zero continua desesperado.

Quem é essa porra de Berkley!? – CJ se irrita.

É um cara que eu venci em uma competição justa. Um cara literalmente obcecado por vingança... – Zero diz.

Ah, você meteu a mão nele? – CJ pergunta.

Não, por favor. Eu nunca inicio violência! – Zero responde.

Ah, saquei! Você pegou a vadia dele! – CJ ri.

Não. Eu ganhei o prêmio na feira de ciências. Primeiro lugar, é isso... – Zero se gaba.

E agora ele quer te bater? – CJ segura o riso, mas não aguenta – Hahahahaha! E ainda dizem que brigas de gangues que são coisas bobas de gente com cabeça pequena...

Nesse momento, os dois começam a ouvir um barulho vindo do lado de fora da loja. Era parecido com um bip que parecia se aproximar e se distanciar.

O que é esse som de bip? – CJ pergunta.

É ele! Devemos lutar até o fim! – Zero se desespera.

Zero e CJ sobem as escadas do prédio onde a loja era o térreo. Lá em cima havia várias antenas que emitiam sinais tecnológicos para vários aparelhos modernos da época. Ao chegarem ao topo do prédio, Zero vê vários pequenos aeromodelos equipados com mini metralhadoras, que atiravam contra suas antenas.

Berkley lançou um ataque em larga escala! – Zero grita.

Isso é insano! – CJ se surpreende.

– Todas as baterias! Iniciar fogo! – Zero aponta para uma mini metralhadora que também possuía em seu telhado – Ele está mirando nos meus transmissores! Se ele derrubar tudo, eu nunca vou poder lançar um contra-ataque!

Não tem problema, cara. São apenas brinquedos! – CJ diz.

Não são brinquedos! São apenas armas pequenas! – Zero grita – CJ, avião a doze horas!

CJ assume a mini metralhadora do teto e começa a atirar contra as pequenas aeronaves de Berkley. Ele passa quase cinco minutos atirando sem parar nos aparelhos, que vinham de todos os lados, seguindo as instruções de direção de Zero. Ao fim do ataque, apenas uma antena transmissora havia ficado um pouco danificada, mas não era nada que Zero não pudesse consertar.

Hahahaha! Berkley! Enquanto tivermos mãos, lutaremos contra você! – Zero se empolga com a vitória e começa a citar Winston Churchill – Muito bem, Carl! Agora vá embora, eu preciso me preparar para as batalhas vindouras! Nunca tão poucos dominaram tantos. Tão pequenos, três... Não, não é assim, como era? Vamos lutar contra o inimigo pelas praias, err, tetos...

CJ sai da loja satisfeito com sua mira e volta para casa. Enquanto pensava em sua própria guerra, via uma nova guerra começando. Seria uma guerra tecnológica entre dois nerds da cidade. A guerra entre Zero e Berkley havia explodido. Mas algo faz CJ voltar à loja ainda naquela noite. A loja estava aberta, mas novamente vazia. Nem Zero estava no balcão.

Zee, cadê você? – CJ grita.

Vá embora, Carl! Eu estou muito, muito ocupado aqui atrás. Coisa secretíssima. Não é para os seus olhos. Muito sensível... – Zero gritava da sala dos fundos.

Qual é, mano, cadê você? – CJ grita ao ir até a sala e mesmo assim não ver o nerd.

Eu disse para você ir embora, Carl. Eu não preciso de nenhum amigo hoje, obrigado... – Zero parecia falar de dentro de um armário.

Hahahaha! – CJ cai na risada ao abrir o armário e ver Zero pendurado em um cabide – Cara, esses cabides aí são fortes!

Sim, meu heroi. Carl, ele voltou aqui e me humilhou! – Zero está irritado – Eu deveria seguir para a prostituição agora, onde eu seria encontrado morto, e quebrado. Sou um cara de vinte e oito anos que um sócio acabou de ajudar ele a deixar de estar preso em um armário que ele estava preso pela minha cueca, contemplando minha inadequação por quase duas horas. Ai, minhas costas...

Você tem que dar o troco, mano! – CJ diz – Que tipo de armas você tem?

Ah, eu tenho um protótipo de um mini avião... – Zero responde.

Então com esse avião nós vamos humilhar o Berkley! – CJ diz.

Ok, maneiro... – Zero diz ajeitando a cueca.

Cara, isso é ridículo... – CJ ri.

Berkley tem seus lacaios sicofantas fazendo as entregas para ele. Devemos atingi-lo onde doi mais! Acabe com o sistema de entregas dele! – Zero diz.

Zero pega um pequeno aeromodelo e o equipa com uma mini metralhadora e uma câmera para a imagem ser transmitida em tempo real em um monitor de sua loja. Ele vai até o teto e fala com CJ via walkie talkie para guiar o avião:

Voe com o Red Baron! Não deixe eles escaparem! Puna-os por todos os crimes de guerra que cometeram!

CJ assume o controle do protótipo o guiando por controle remoto e vendo a imagem no monitor em sua frente. Logo Zero estava ao seu lado indicando os carros que faziam entregas para a Berkleys RC, a loja do arquirrival. A primeira van verde é detectada e com a boa mira de CJ, o aviãozinho atira nos pneus e nos vidros do carro, danificando os materiais de entrega.

Um já foi, faltam quatro! – Zero se empolga – Ele dá armas para seus aliados. Tenha cuidado, Carl!

CJ acha mais duas vans e dois entregadores de bicicleta pela cidade. Ele atira em todos e danifica todas as entregas da loja de Berkley, o que era um desastre em um mercado que prezava tanto pela pontualidade e competência.

Agora traga o avião para cá antes que o combustível acabe! – Zero alerta.

CJ guia o avião de volta para o topo do prédio da loja sem problemas. O sistema de entregas da Berkleys RC estava arruinado e, consequentemente, grande parte da confiança de seus clientes havia sido perdida.

O cheiro! Você sente esse cheiro de ozônio? É o cheiro da vitória! – Zero se empolga.

Mas ele deveria tomar cuidado, pois uma vingança já havia sido realizada antes. Agora, com sua loja praticamente caminhando para a falência, Berkley provavelmente faria seu ultimato nerd.

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